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    Início - “Às vezes não consigo nem ficar em pé”: confeiteira com diabetes tipo 1 relata que neuropatia e insuficiência venosa a impedem de trabalhar; desabafo emociona
    História

    “Às vezes não consigo nem ficar em pé”: confeiteira com diabetes tipo 1 relata que neuropatia e insuficiência venosa a impedem de trabalhar; desabafo emociona

    Aos 22 anos, Karines Hernandez relata como o diabetes tipo 1 impacta trabalho, renda, mobilidade e acesso ao tratamento
    Laura Lany14 de abril de 2026Nenhum comentário8 Mins Read
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    “A vida do diabético gira em torno do diabetes.” É assim que Karines de Jesus Mata Hernandez, de 22 anos, resume a rotina que enfrenta desde a infância. Moradora de Boa Vista, em Roraima, ela convive com diabetes tipo 1, neuropatia diabética, insuficiência venosa e retinopatia leve. Trabalhando com confeitaria em casa, ela diz que a doença interfere no corpo, na renda, no trabalho e também no modo como organiza o dia.

    Karines contou sua história em um vídeo que viralizou nas redes sociais. No relato, ela se apresenta como confeiteira e explica que vive com diabetes desde os 11 anos. Também fala das limitações que enfrenta hoje para seguir trabalhando.

    “Eu faço doces e eu não posso comer os doces. É difícil”, afirma.

    Em outro trecho, ela relata que não consegue mais ficar muito tempo em pé por causa da neuropatia e da insuficiência venosa.

    No depoimento, Karines descreve episódios de dor, internações, dificuldades para acessar tratamento, custos altos e o esforço para continuar ativa mesmo com limitações físicas.

    Diabetes tipo 1 apareceu após ferida no pé e internação

    Karines afirma que recebeu o diagnóstico de forma inesperada. Tudo começou quando ela pisou em um objeto que atravessou a sandália e perfurou a sola do pé. A ferida infeccionou e ela precisou ir ao hospital. Foi nesse momento que surgiu a suspeita. Segundo ela, a glicemia estava em torno de 400 mg/dl, e o médico perguntou se a família já sabia que ela tinha diabetes.

    Até então, ninguém sabia. Ela fazia acompanhamento médico e diz que os exames anteriores estavam normais. No entanto, os sinais já apareciam no dia a dia. Havia sede em excesso, aumento da urina e perda de peso. A família, porém, ainda não associava esses sintomas ao diabetes tipo 1.

    Pé -diabético: o que fazer para evitar problemas nos pés se você tem diabetes?   DiabetesCast #43

    A infecção no pé exigiu cirurgia. Depois da primeira intervenção, Karines voltou para casa tentando entender a nova condição. Ela tinha 11 anos e, segundo relata, viu a vida mudar de forma rápida. Três meses depois, a dor voltou. O pé ficou roxo na região da cicatriz. Em atendimento particular, uma ressonância mostrou que ainda havia um corpo estranho no local. Ela passou por uma segunda cirurgia.

    Algum tempo depois, a dor reapareceu. Novos exames voltaram a indicar sinais de algo no pé. Foi então que Karines precisou enfrentar uma terceira cirurgia, mais delicada. Dessa vez, parte do tendão do pé precisou ser removida porque já estava comprometida pela infecção. Ela perdeu parte da mobilidade de alguns dedos e ficou com uma cicatriz maior.

    Confeiteira com diabetes tipo 1 relata dificuldades com neuropatia e limitações no trabalho
    Jovem com diabetes tipo 1 relata em vídeo as dificuldades para trabalhar devido a complicações da doença – Crédito: Redes Sociais

    Cirurgias, readaptação e abandono do vôlei marcaram a infância

    Depois da terceira cirurgia, a infecção finalmente foi controlada. Karines conta que a glicemia, que estava muito alta por causa da infecção e do impacto emocional, começou a melhorar. Ainda assim, o processo não terminou ali.

    Ela precisou reaprender a andar, perder o medo de pisar no chão e se adaptar às limitações deixadas pelo problema no pé. Também teve de abandonar o vôlei, esporte que fazia parte da rotina desde pequena. Tudo isso aconteceu enquanto ainda tentava entender o diabetes tipo 1.

    No começo, segundo ela, o processo foi doloroso. Havia choro, dificuldade de aceitação e sensação de ruptura. Karines relata que já tinha vivido anos como uma pessoa sem diabetes e, de repente, passou a lidar com cálculos, insulina e restrições. Na adolescência, diz, as emoções tornaram esse processo ainda mais difícil.

    Com o tempo, ela estudou mais sobre alimentação e controle glicêmico. Também começou a entender melhor a contagem de carboidratos. Ainda assim, afirma que o controle nunca foi simples.

    @umdiabeticooficial

    A confeiteira Karines M. Hernandez, que vive com diabetes tipo 1 desde os 11 anos, relatou mudanças na rotina de trabalho após o avanço de complicações associadas à doença. Em um vídeo publicado em suas redes sociais, ela descreve que a neuropatia diabética e a insuficiência venosa têm limitado atividades simples do dia a dia, como permanecer em pé por longos períodos. “Às vezes não consigo nem ficar em pé”, afirma. Segundo Karines, as dores neuropáticas se intensificaram nos últimos meses, acompanhadas de inchaço nas pernas e dificuldade de locomoção A condição, de acordo com o relato, passou a interferir diretamente na atividade profissional como confeiteira. Karines começou a trabalhar com confeitaria ainda na adolescência, produzindo bolos para venda. Com o tempo, ampliou o repertório e chegou a atuar em cafeteria. No entanto, mesmo antes das complicações, ela já lidava com desafios relacionados ao controle glicêmico, como o cálculo constante de carboidratos e a administração de insulina ao longo do dia. Com o agravamento do quadro, a produção passou a ser limitada. Atualmente, ela realiza encomendas pontuais e mantém a produção de conteúdos nas redes sociais, onde compartilha receitas e parte da rotina com o diabetes. Além disso, Karines destaca que o impacto da doença vai além do que é visível. “As pessoas veem o resultado, mas não sabem o esforço que tem por trás”, relata. Segundo ela, o controle do diabetes exige atenção contínua, com decisões diárias sobre alimentação, dose de insulina e monitoramento da glicemia. Vídeo/Reprodução: @kj.doceriacaseira @kj.mhernandez #umdiabético #diabetestipo1 #relato #neuropatia #informação

    ♬ som original – Um Diabético

    Controle da glicemia segue difícil mesmo após aprender contagem de carboidratos

    Karines diz que a glicemia reage a vários fatores, incluindo emoções, estresse e até momentos de felicidade. Para ela, o corpo nunca a deixa esquecer a condição. Hoje, o tratamento é feito com insulina injetável, aplicada manualmente.

    Durante muito tempo, controlar a glicose foi difícil porque ela não tinha acesso a tecnologias mais modernas, como sensor de glicose ou insulinas mais atualizadas. Segundo o relato, alguma melhora só apareceu quando ela aprendeu a fazer contagem de carboidratos, há cerca de quatro a cinco anos. Mesmo assim, manter estabilidade ao longo do dia continua sendo um desafio.

    No vídeo, ela explica que a rotina exige atenção contínua. Precisa pensar na quantidade de carboidrato que vai comer, no tipo de alimento, na dose de insulina e até no impacto da gordura da refeição. Também precisa monitorar se a insulina está acabando, porque não pode ficar sem o medicamento.

    Karines destaca que não usa bomba de insulina. Ela afirma que não tem condição de comprar esse recurso e, por isso, faz o tratamento com aplicações manuais. No depoimento, ela resume esse processo dizendo que a pessoa com diabetes precisa “fazer o trabalho do pâncreas manualmente”.

    Trabalhos da confeiteira com diabetes tipo 1
    Entre o controle da glicemia e as dores no corpo, a confeitaria segue como parte da rotina – Crédito: Redes Sociais

    Oito episódios de cetoacidose e internações em UTI deixaram marcas

    Ao longo da trajetória, Karines enfrentou momentos que classifica como críticos. Segundo ela, já passou por oito episódios de cetoacidose, com internações em UTI. Foram períodos que a atingiram fisicamente e emocionalmente.

    Dentro do hospital, viveu situações que a marcaram. Ela relata ter visto pessoas perderem a vida e afirma que enfrentou momentos que a abalaram profundamente. Mesmo buscando ajuda, ouviu de alguns profissionais que já não sabiam mais o que fazer no caso dela.

    Em outro momento, quando procurou acompanhamento pelo SUS por causa de glicemia muito alta e hemoglobina glicada elevada, Karines diz que não encontrou o suporte que esperava. Segundo o relato, ouviu de um médico que não deveria mais se preocupar com a glicada, apenas “viver a vida”. A fala a marcou porque, para ela, a hemoglobina glicada é parte central do controle do diabetes.

    Foi a partir dessa experiência que ela e a mãe decidiram buscar atendimento particular, mesmo com dificuldades financeiras. Ainda hoje, porém, manter esse acompanhamento segue difícil por causa dos custos.

    Neuropatia, insuficiência venosa e retinopatia mudaram a rotina de trabalho

    Além do diabetes tipo 1, Karines convive hoje com neuropatia diabética, insuficiência venosa e retinopatia leve. Para neuropatia, ela usa ácido alfa lipóico. Segundo conta, outros medicamentos, como pregabalina e gabapentina, não deram certo, porque causaram sonolência e inchaço nas pernas.

    Para a insuficiência venosa, ela utiliza castanha-da-índia, diosmina e hesperidina. Mesmo assim, diz que o impacto físico é constante. Como trabalha muitas horas em pé, sente as pernas incharem, os pés ficarem sensíveis e a dor neuropática aparecer no fim do dia.

    Ela afirma que a meia de compressão poderia ajudar, mas nem sempre consegue usá-la. Isso porque há áreas dos pés com muita sensibilidade, e a compressão machuca, o que impede o uso por longos períodos.

    No vídeo, Karines relata que hoje já não consegue manter um emprego formal. Também diz que, às vezes, não consegue sair de casa, porque pouco tempo em pé já aumenta a dor e o inchaço. Ainda assim, segue produzindo vídeos de receitas para a internet, fazendo encomendas pontuais e editando conteúdo.

    “Eu me sinto útil”, afirma.

    Saiba como o diabetes pode afetar os seus pés | DiabetesCast #30

    Confeitaria virou renda possível, mas diabetes pesa no orçamento

    Karines começou a fazer bolos aos 14 anos para vender. Depois, aprendeu outras receitas, como cheesecake e cinnamon roll. Também trabalhou em uma cafeteria como confeiteira e padeira. Ela relata que lidar com doces sendo uma pessoa com diabetes exigiu controle mental constante.

    Com o avanço das complicações, a confeitaria em casa passou a ser a forma possível de manter alguma renda. No entanto, ela afirma que o dinheiro nem sempre cobre os gastos do tratamento. Insulina, sensores, medicações, vitaminas e alimentação adequada pesam no orçamento.

    Segundo Karines, o custo de viver com diabetes é alto e muitas vezes invisível para quem vê de fora. Ao mesmo tempo, o estresse de equilibrar saúde, trabalho e despesas piora ainda mais a glicemia. Ela descreve esse processo como um ciclo difícil de quebrar.

    Aos 22 anos, Karines diz que já enfrenta consequências que não imaginava viver tão cedo. Ainda assim, segue tentando se adaptar. No relato, afirma que ficou anos em silêncio e só agora conseguiu falar sobre o que vive. Para ela, contar a própria história é uma forma de mostrar como o diabetes aparece em todos os dias, inclusive nos detalhes que quase ninguém vê.

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    Laura Lany

    Gerente de Conteúdo e Redes Sociais - Jornalista mineira, natural de Uberlândia, Laura é descolada, sensível e criativa. Traz para o projeto uma visão estratégica e conectada com as tendências digitais. É responsável pela distribuição dos conteúdos nas redes sociais, escreve reportagens especiais para o portal e atua na produção audiovisual. Desde que abraçou a causa do diabetes, há três anos, mergulhou no universo do Um Diabético com dedicação e empatia. Está constantemente se atualizando para potencializar o alcance e o impacto do nosso conteúdo.

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