O abacate tem uma composição diferente da maioria das frutas consumidas no dia a dia, principalmente pela presença de gordura. Essa característica interfere na forma como o alimento participa da refeição e ajuda a explicar por que sua resposta na glicemia pode ser diferente da observada com outras frutas.
Para quem convive com diabetes, essa característica pode ser aproveitada na montagem de lanches e refeições. A nutricionista Juliana Baptista, que também convive com diabetes tipo 1, explica que o alimento pode ser combinado com outras fontes de nutrientes para formar opções com diferentes respostas glicêmicas.
1. O abacate tem menor impacto na glicemia
Segundo Juliana Baptista, o abacate apresenta menor impacto na glicemia porque já contém gordura em sua composição. Essa característica faz com que a fruta tenha um comportamento diferente de alimentos com maior quantidade de carboidratos.
Durante o DiabetesCast, a nutricionista explicou que a presença de gordura faz com que a resposta glicêmica após o consumo do abacate seja diferente da observada com outras frutas.
Isso não significa, porém, que a quantidade deixe de importar. A porção e o conjunto de alimentos consumidos na mesma refeição continuam sendo importantes para o controle da glicemia.
2. A gordura presente na fruta ajuda na composição da refeição
A gordura do abacate é outro ponto destacado por Juliana. Segundo a nutricionista, essa característica permite combinar a fruta com outros alimentos para formar uma refeição com diferentes grupos de nutrientes.
Uma das sugestões apresentadas por ela é consumir o abacate com iogurte. A combinação acrescenta proteína à refeição e pode ser utilizada, por exemplo, em um lanche.
A estratégia segue um princípio apresentado pela nutricionista durante o episódio: observar não apenas o carboidrato de um alimento, mas também quais outros nutrientes estão presentes ou podem ser associados a ele.
3. O abacate pode ser uma opção para o período da noite
O alimento também apareceu como uma alternativa para quem procura uma opção de lanche antes de dormir. Juliana contou que costuma consumir abacate nesse horário e que, para ela, a glicemia apresenta uma boa resposta.

A nutricionista citou o abacate com iogurte como uma possibilidade mais geral, enquanto o uso de whey protein dependeria da avaliação individual e das necessidades de cada pessoa.
A sugestão não significa que o alimento tenha o mesmo efeito para todas as pessoas. A resposta da glicemia pode variar de acordo com a quantidade consumida, os demais alimentos da refeição e o tratamento utilizado.
Qual quantidade de abacate comer?
Mesmo sendo uma fruta com características diferentes de outras opções, o abacate não deve ser consumido sem considerar a porção. Durante o DiabetesCast, Juliana mencionou cerca de 100 gramas como referência para a quantidade que costuma utilizar à noite.
A medida, entretanto, não deve ser interpretada como uma recomendação individual para todas as pessoas com diabetes. A quantidade adequada depende das necessidades nutricionais e do plano alimentar de cada pessoa.
Para Juliana, o ponto principal é entender como os alimentos podem ser combinados. No caso do abacate, a presença de gordura é uma das características que ajudam a explicar seu menor impacto imediato na glicemia e suas possibilidades de uso em diferentes refeições.