O acesso ao sensor de glicose FreeStyle Libre, ainda não é realidade para todos no SUS. Mesmo assim, algumas cidades brasileiras vêm mudando esse cenário ao oferecer o dispositivo gratuitamente, principalmente para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1.
Na prática, isso tem significado menos dor, mais controle e uma rotina mais tranquila para quem convive com a doença.
O que é o sensor e por que ele faz diferença
O sensor de glicose é um pequeno dispositivo aplicado no braço que permite medir os níveis de açúcar no organismo em tempo real, sem a necessidade de furar o dedo várias vezes ao dia.
Com ele, é possível acompanhar a glicose ao longo do dia, identificar quedas ou picos com mais rapidez e tomar decisões mais seguras.
Para muitas famílias, a maior mudança está na tranquilidade, principalmente durante a noite.
Cidades ampliam acesso com programas locais
Em diferentes regiões do país, a distribuição gratuita do sensor já começa a fazer parte da rotina de famílias atendidas pelo SUS.
Ribeirão Preto
Ribeirão Preto começou a distribuir o sensor gratuitamente para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 atendidos pela rede pública. A iniciativa atende pacientes acompanhados pelo município, com foco no público infantojuvenil.
O programa contempla 228 crianças e adolescentes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1, já acompanhados pela rede municipal de saúde.
A entrega segue critérios médicos e é organizada pela Secretaria Municipal de Saúde, que também orienta as famílias sobre o uso e os cuidados com o dispositivo.
“Antes eram muitas picadas por dia… agora ficou muito mais tranquilo”, relata a mãe de uma criança atendida.
A proposta é ampliar o acesso gradualmente.
Aracaju
Em Aracaju, o acesso acontece por meio do projeto “Sem Medir a Vida”, que atende pacientes com diabetes tipo 1 entre 2 e 22 anos, acompanhados pela rede pública e com suporte multiprofissional.
“Esse cuidado passa a ser feito com mais tecnologia e menos sofrimento”, destacou a gestão municipal.
Para quem utiliza, a diferença já aparece no dia a dia:
“Vai ajudar muito na minha qualidade de vida”, contou um adolescente beneficiado.
Uberaba
Desde 2025, Uberaba oferece o sensor gratuitamente para crianças com diabetes tipo 1, com idades entre 4 e 11 anos, que participam de acompanhamento mensal com equipe de saúde, com cerca de 50 pacientes atendidos na fase inicial.
O programa conta com acompanhamento mensal de uma equipe multiprofissional, que analisa os dados do sensor e ajusta o tratamento conforme a necessidade.
“Hoje a gente consegue acompanhar melhor e as crianças estão chegando muito mais controladas”, destacam profissionais da rede.
Para as famílias, o impacto é direto na rotina:
“Agora a gente consegue ver se vai subir ou cair… dá mais segurança, principalmente à noite”, relata a mãe de um paciente.
A iniciativa também já apresenta reflexos positivos, com melhora no controle glicêmico e redução de casos mais graves.
Criciúma
Desde julho de 2025, Criciúma passou a oferecer gratuitamente o sensor de glicose para crianças com diabetes tipo 1 entre 2 e 14 anos. Atualmente, cerca de 40 pacientes são atendidos pelo programa da rede municipal.
A iniciativa inclui acompanhamento das equipes de saúde, que utilizam os dados do sensor para analisar o controle glicêmico e ajustar o tratamento.
“A gente consegue acompanhar minuto a minuto… dá mais segurança, principalmente durante a noite”, relata o familiar de um paciente.
Para as crianças, o impacto também é imediato:
“Agora é só aproximar o celular… não precisa furar o dedo toda hora”, contou um dos pacientes.
O município já estuda ampliar o programa para atender mais pessoas nos próximos anos.
Caxias do Sul
Desde outubro de 2024, Caxias do Sul passou a oferecer gratuitamente o sensor de glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, após mobilização de famílias e implementação de um programa municipal.
A iniciativa atende pacientes entre 2 e 16 anos, com acompanhamento pela rede pública de saúde.
“Agora eu posso olhar a glicose a qualquer momento… ficou muito melhor”, relata uma das pacientes atendidas.
Profissionais da rede destacam melhora no controle da doença:
“A gente consegue monitorar muito mais e ajustar melhor o tratamento”, explicam.
O programa também trouxe mais autonomia e qualidade de vida para os pacientes, além de facilitar o acompanhamento pelas equipes de saúde.
Ilhabela
Desde dezembro de 2024, Ilhabela passou a oferecer gratuitamente o sensor de glicose para pacientes com diabetes tipo 1. O programa foi ampliado ao longo dos meses e hoje atende pessoas de todas as idades, incluindo também casos de diabetes tipo 2 que utilizam insulina e apresentam dificuldade de controle.
Atualmente, cerca de 90 pacientes já foram atendidos pelo município, com acompanhamento contínuo das equipes de saúde.
“Hoje fico mais tranquilo… antes tinha medo da hipoglicemia, principalmente à noite”, relata um dos pacientes.
O monitoramento em tempo real também ajuda no dia a dia:
“Agora consigo acompanhar durante as atividades e entender melhor como a glicose reage”, completa.
A iniciativa é acompanhada por médicos da rede municipal, que utilizam os dados do sensor para ajustar o tratamento dos pacientes.
São Sebastião
São Sebastião passou a oferecer gratuitamente o sensor de glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, por meio de um programa da rede municipal de saúde.
A iniciativa atende pacientes entre 4 e 16 anos e inclui acompanhamento multiprofissional, com endocrinologista, enfermagem e nutrição.
“O principal foco é melhorar o controle e trazer essas crianças para dentro da meta”, destaca um dos médicos do programa.
O sensor permite medições ao longo do dia, facilitando ajustes mais rápidos no tratamento.
“Hoje conseguimos acompanhar muito mais e agir com mais rapidez”, explicam profissionais da rede.
Os sensores são retirados nas unidades de saúde do município, facilitando o acesso das famílias. O programa também já prevê expansão para outros públicos no futuro.
Impacto diretamente no cuidado
Para pessoas com diabetes tipo 1, o sensor representa mais do que tecnologia: é qualidade de vida. Com menos intervenções invasivas e mais controle sobre a doença, elas podem ter uma rotina mais próxima do habitual, com mais segurança no dia a dia, no lazer e no sono.
As experiências dessas cidades mostram que investir em tecnologia e prevenção pode transformar o cuidado com a saúde desde a infância e apontam caminhos para medidas mais amplas no Brasil.