O estresse pode alterar diretamente a glicose de quem vive com diabetes. Além disso, ele também interfere na rotina de cuidados, dificultando alimentação adequada, prática de exercícios físicos e monitoramento da glicemia. A relação entre diabetes e estresse já é reconhecida pela Sociedade Brasileira de Diabetes, que alerta para os efeitos físicos e emocionais desse processo no organismo.
Segundo a entidade, o estresse funciona como uma reação de defesa do corpo diante de situações consideradas ameaçadoras. Os gatilhos podem ser físicos, como doenças e cirurgias, ou mentais, como problemas financeiros, conflitos familiares e dificuldades no trabalho.
Quando isso acontece, o organismo libera hormônios relacionados à reação de “atacar ou correr”. Esses hormônios mobilizam energia armazenada em forma de açúcar e gordura. No entanto, em pessoas com diabetes, a insulina não consegue levar essa energia extra para dentro das células de forma adequada. Como consequência, a glicose sobe no sangue.
Além disso, os hormônios ligados ao estresse podem dificultar a produção e o uso correto da insulina pelo organismo.
Como o estresse afeta a glicemia no diabetes
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o impacto do estresse acontece de duas formas principais. A primeira envolve mudanças no comportamento e na rotina de autocuidado. Pessoas estressadas podem esquecer de medir a glicemia, abandonar exercícios físicos, consumir álcool em excesso ou deixar de seguir a alimentação planejada.
Por outro lado, o próprio organismo também reage ao estresse aumentando ou alterando a glicemia diretamente. Em pessoas com diabetes tipo 1, o estresse mental pode elevar ou reduzir bastante os níveis de glicose. Já no diabetes tipo 2, a tendência é de aumento da glicemia.
Enquanto isso, situações de estresse físico, como cirurgias, infecções ou doenças, costumam elevar a glicose tanto em pessoas com diabetes tipo 1 quanto tipo 2.
A entidade também destaca que o próprio diagnóstico do diabetes pode desencadear estresse emocional. Isso acontece porque muitas pessoas passam a lidar com mudanças na rotina, necessidade de disciplina no tratamento e medo de complicações.
Sinais que podem indicar estresse em pessoas com diabetes
A Sociedade Brasileira de Diabetes orienta que pessoas com diabetes observem alguns sinais que podem indicar aumento do estresse. Entre eles estão:
- aumento da frequência cardíaca sem causa aparente
- elevação da pressão arterial
- aumento da tensão muscular ou dores musculares
- alterações na glicemia sem motivo identificado
Nesse contexto, perceber esses sinais pode ajudar na identificação precoce do problema e evitar oscilações frequentes da glicose.
1. Identifique se o estresse está alterando sua glicemia
Uma das orientações da Sociedade Brasileira de Diabetes é observar se existe relação entre episódios de estresse e alterações glicêmicas.
A recomendação é anotar, durante cerca de 10 dias, uma nota de zero a 10 para o nível de estresse antes da medição da glicemia. Depois disso, a pessoa pode comparar os registros e avaliar se há correlação entre tensão emocional e alterações nos níveis de glicose.
Além disso, esse acompanhamento pode ajudar o paciente e o profissional de saúde a identificar padrões da rotina.
2. Faça mudanças práticas na rotina
A entidade orienta que situações estressantes do cotidiano não devem ser ignoradas. Se o trabalho causa tensão constante, uma possibilidade pode ser pedir transferência de setor. Se o trânsito aumenta o estresse, mudar a rota pode ajudar.
Enquanto isso, conflitos pessoais também podem impactar diretamente o controle glicêmico. Por isso, a recomendação é tentar resolver situações pendentes e reduzir fontes frequentes de desgaste emocional.
Além disso, a Sociedade Brasileira de Diabetes reforça que pequenas mudanças práticas podem reduzir os hormônios relacionados ao estresse.
3. Inclua atividade física e hobbies no dia a dia
A prática regular de atividade física aparece entre as principais estratégias para reduzir o estresse relacionado ao diabetes.
Segundo a entidade, exercícios físicos contínuos ajudam no relaxamento e ainda contribuem para o controle glicêmico. Além disso, outras atividades também podem ajudar, como aulas de dança, hobbies e participação em trabalhos voluntários.
Nesse contexto, ocupar parte da rotina com atividades prazerosas pode reduzir a tensão emocional e melhorar o enfrentamento do diabetes.
4. Aprenda técnicas de relaxamento
A Sociedade Brasileira de Diabetes também orienta a prática de atividades voltadas ao relaxamento, como ioga e meditação. Segundo a entidade, essas estratégias ajudam a diminuir hormônios ligados ao estresse que podem alterar a glicose.
Além disso, um exercício simples de respiração pode auxiliar nesse processo. A orientação é sentar ou deitar com braços e pernas descruzados, respirar profundamente e soltar o máximo de ar possível enquanto relaxa os músculos.
A prática pode durar entre cinco e vinte minutos pelo menos uma vez ao dia.
Outra recomendação é substituir pensamentos negativos por lembranças, imagens ou situações que tragam sensação de tranquilidade. Segundo a entidade, quanto mais frequente for a prática de relaxamento, mais rápido o organismo tende a atingir esse estado.
5. Procure apoio psicológico e grupos de suporte
Conviver com diabetes pode gerar sobrecarga emocional. Por isso, a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda procurar grupos de apoio presenciais ou na internet.
Segundo a entidade, conversar com pessoas que vivem situações semelhantes pode reduzir a sensação de isolamento e ajudar na troca de estratégias para lidar com o tratamento.
Além disso, pessoas que sentem dificuldade constante para lidar com o peso emocional do diabetes podem considerar psicoterapia direcionada ao tema.
A entidade também faz um alerta importante: o estresse relacionado ao diabetes pode ser confundido com depressão. No entanto, antidepressivos não costumam melhorar quadros de estresse ligados especificamente à condição. Ainda assim, a Sociedade Brasileira de Diabetes destaca que depressão e diabetes podem ocorrer juntos, e nesses casos é importante conversar com o endocrinologista.
A entidade reforça que aceitar o diagnóstico e manter o autocuidado fazem parte do enfrentamento diário da doença. Isso inclui alimentação adequada, contagem de carboidratos, uso correto de medicação e prática regular de atividade física.