Para muitos brasileiros, o dia só começa depois de uma boa xícara de café. No entanto, para quem tem diabetes, essa bebida popular frequentemente vem acompanhada de uma dúvida: o café aumenta a glicose? Essa é uma questão central na gestão da condição. Para esclarecer a real relação entre café e glicemia, o jornalista Tom Bueno conversou com a nutricionista Maristela Struffaldi, que trouxe uma resposta tranquilizadora para os amantes da bebida.
A especialista analisou se a bebida, uma paixão nacional, precisa ser evitada por quem monitora os níveis de açúcar no sangue. A resposta curta é: provavelmente não, desde que consumido da maneira correta.
O veredito da especialista sobre o café
Durante a conversa, Tom Bueno foi direto ao ponto, perguntando sobre o impacto do café na glicose. A nutricionista Maristela Struffaldi foi clara ao afirmar que o café puro, sem açúcar, tem um impacto “muito pouco”. Ela imediatamente fez a distinção crucial: “O açúcar vai impactar a glicemia, sim.”
Portanto, o verdadeiro vilão nesta história não é o grão, mas o que frequentemente se adiciona a ele. A especialista reforça que o consumo da bebida pura não representa um risco significativo para a maioria das pessoas com diabetes. É fundamental diferenciar o café puro dos acompanhamentos. Muitas vezes, o problema não está na bebida em si, mas no açúcar refinado, nos xaropes aromatizados ou mesmo no excesso de leite ou cremes adicionados.
Cafeína e glicemia: um efeito sutil
A nutricionista Maristela Struffaldi mencionou que a cafeína, o estimulante natural do café, pode ter um leve efeito. Isso ocorre porque a cafeína pode, em alguns organismos, aumentar temporariamente os hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina. Esses hormônios, por sua vez, podem sinalizar ao fígado para liberar um pouco de glicose na corrente sanguínea.
Contudo, a especialista faz questão de ressaltar que este efeito, quando existe, é “muito sutil”. De fato, a resposta da relação café e glicemia pode ser bastante individual. “Tem pessoas que não veem ter efeito algum na glicemia associado à cafeína”, explicou Struffaldi. Por isso, a recomendação geral não é cortar a bebida. “Não tem por quê”, completou.
Mais de 40 fatores que impactam sua glicose
Durante a entrevista com Tom Bueno, a nutricionista fez questão de colocar o café em perspectiva. A glicemia não é influenciada apenas pelo que comemos ou bebemos; na verdade, é um equilíbrio complexo. “Acho que você trouxe aqui muitos fatores que interferem na glicemia. São mais de 40 fatores”, disse ela.
Entre esses fatores, Struffaldi listou alguns dos mais impactantes: “A qualidade do sono, se fez exercício, a quantidade de carboidrato, de proteína, gordura.” Isso significa que uma noite mal dormida, um dia estressante ou a falta de atividade física podem, por vezes, impactar muito mais os níveis de glicose do que uma xícara de café puro.
Conclusão: pode tomar seu cafezinho
A mensagem final da nutricionista Maristela Struffaldi é clara: não é preciso fazer “terrorismo” nutricional com o café. Para quem tem diabetes e aprecia a bebida, a orientação é simples.
Beba seu café, de preferência sem açúcar. Se precisar adoçar, utilize adoçantes que não impactem a glicemia. O mais importante é observar como seu corpo reage individualmente, talvez medindo a glicose antes e um tempo depois de consumir. A gestão do diabetes é feita de equilíbrio e informação, não de restrições desnecessárias. Como concluiu a nutricionista para Tom Bueno: “Fica com o seu cafezinho, Tom, que não tem problema.”