É comum que pessoas com diabetes recebam uma lista de frutas “proibidas”, e a uva quase sempre está nela. Mas será que essa fama de vilã é justa? Para esclarecer essa e outras dúvidas, o jornalista Tom Bueno, em nosso canal Um Diabético, no Youtube, conversou com a nutricionista Carol Netto. Em um vídeo informativo, os dois especialistas abordaram os mitos e verdades sobre o consumo de frutas, trazendo dicas valiosas sobre a relação entre as uvas e o diabetes.
A nutricionista Carol Netto faz questão de começar desmistificando o tema. “A gente nem gosta de usar essa palavra vilã porque fruta faz parte da nossa rotina, é um alimento, é saudável“, explica. Portanto, o segredo não está na proibição, mas sim na informação e no consumo consciente.
O impacto da uva na glicemia
Primeiramente, é preciso entender por que a uva gera tanta preocupação. A fruta possui uma quantidade significativa de carboidratos, que são do tipo simples (frutose), absorvidos rapidamente pelo organismo. “Um cacho médio tem em média 30 gramas de carboidrato, tem mais até que a banana“, alerta Carol Netto.
Devido a essa rápida absorção, a uva possui um índice glicêmico alto. Isso significa que ela pode elevar os níveis de açúcar no sangue de forma veloz se consumida em excesso ou de forma isolada. A nutricionista lembra que essa característica faz com que o suco de uva seja, inclusive, uma ferramenta para reverter quadros de hipoglicemia. “O suco de uva […] a gente utiliza na hipoglicemia“, comenta, explicando que 150 ml da bebida pode elevar a glicemia em cerca de 50 mg/dL.
A casca como grande aliada
Então, como consumir a fruta de forma segura? A resposta, segundo Carol Netto, pode estar na casca. Enquanto a banana ou a melancia não oferecem essa possibilidade, a uva sim. A casca é rica em fibras, um componente essencial para quem busca um melhor controle glicêmico.
“A fibra, a gente fala sempre isso, que ela retarda a subida da glicose“, esclarece a nutricionista. Ao comer a uva com a casca, especialmente a roxa, a absorção do açúcar se torna mais lenta, evitando picos glicêmicos. “Se você conseguir comer com a casca, é legal porque tem fibra“, recomenda Carol. A dica é, portanto, preferir a fruta inteira e sempre que possível com a casca.
Moderação é a chave
Além de consumir a fruta com casca, o controle da porção é fundamental para um manejo adequado da relação entre as uvas e o diabetes. Como destacou Tom Bueno, o equilíbrio faz toda a diferença. “É diferente a gente comer um cacho e comer toda essa uva“, pontua.
O ideal é entender a quantidade de carboidratos da porção desejada para ajustar a medicação ou incluí-la no planejamento alimentar. Comer um cacho inteiro de uma só vez resultará em uma grande carga de carboidratos, o que certamente impactará a glicemia. Entretanto, um pequeno cacho como sobremesa ou lanche, principalmente se combinado com uma fonte de proteína ou gordura boa (como castanhas), pode ser uma opção deliciosa e saudável para quem tem a condição. Afinal, com informação e responsabilidade, todas as frutas podem fazer parte do cardápio.
