Aquele cheiro de pão doce fresco, a vitrine da padaria, a lembrança da casa da avó. O “Sonho” é uma das guloseimas mais apreciadas no Brasil. No entanto, para quem convive com o diabetes, a inclusão de itens como este na rotina alimentar requer atenção redobrada e informação de qualidade.
O tema foi o foco de um vídeo em nosso canal no Youtube, onde o jornalista Tom Bueno, que também convive com a condição, finalmente respondeu esta dúvida cruel de quem tem diabetes. Para responder se é possível ou não saborear o doce, ele contou com a ajuda da nutricionista Carol Neto, que trouxe dados cruciais sobre o impacto do alimento na glicemia. A principal conclusão é direta: o sonho para quem tem diabetes não deve fazer parte da rotina diária, mas, com cuidado, é possível matar a vontade.
O que a composição do sonho revela
A nutricionista Carol Netto esclareceu que, essencialmente, o “Sonho” é classificado como um pão doce. Por essa razão, o alimento é composto por ingredientes que, apesar de saborosos, oferecem o que os especialistas chamam de “caloria vazia”, ou seja, é pobre em nutrientes essenciais. A composição básica do quitute inclui carboidratos e gordura, sendo ambos fatores importantes de atenção no controle do diabetes.
A profissional detalhou a carga de carboidratos presente na guloseima, alertando sobre a diferença entre os tamanhos. Um sonho pequeno, de cerca de 30 gramas, contém aproximadamente 17 gramas de carboidrato. Contudo, um sonho maior, que pode ultrapassar 60 gramas, pode conter mais de 50 gramas de carboidrato. A própria Carol Netto pontuou: “Tem carboidrato? Tem. Tem gordura? Também tem.” Além disso, a cobertura de açúcar de confeiteiro e os recheios (como doce de leite ou creme) elevam ainda mais o teor de carboidratos simples, exigindo uma gestão mais complexa da glicemia.
O efeito prolongado da gordura no açúcar no sangue
O impacto de um alimento na glicemia não se resume apenas à quantidade de carboidratos simples. Outros componentes, como a gordura do preparo, desempenham um papel fundamental, principalmente em itens fritos. O jornalista Tom Bueno e a nutricionista alertam sobre o efeito combinado do carboidrato simples, que provoca uma rápida elevação do açúcar no sangue, com a gordura, que retarda e prolonga essa elevação.
A gordura age como um “freio” na digestão dos carboidratos. Consequentemente, a glicemia sobe rapidamente devido à farinha e ao açúcar, mas a presença da gordura faz com que ela continue elevada por um período muito maior — podendo se estender por quatro ou até cinco horas após o consumo. Tom Bueno enfatiza a importância do monitoramento constante após o consumo de itens como o doce, para entender a reação individual do corpo. Portanto, quem utiliza insulina deve obrigatoriamente realizar a contagem de carboidratos de forma precisa.
Evite o consumo no café da manhã
A recomendação mais enfática da nutricionista Carol Netto diz respeito ao horário de consumo. “Se possível, não comer no café da manhã“, aconselhou a especialista. Isto ocorre porque, frequentemente, as pessoas apresentam maior resistência insulínica nas primeiras horas do dia. A resistência à insulina é uma condição na qual as células do corpo não respondem de forma eficiente à insulina produzida, tornando mais difícil o controle glicêmico logo pela manhã.
Para quem faz a contagem de carboidratos, é necessário aplicar a insulina de ação rápida para a refeição. No caso de quem não usa insulina, a alternativa é a substituição: ao optar por consumir um sonho, será preciso retirar outro item que contenha carboidratos daquela refeição ou de outra, para manter o equilíbrio calórico e glicêmico. Sendo assim, evitar o consumo matinal é uma estratégia valiosa para mitigar os desafios impostos pela resistência insulínica e simplificar o manejo diário do diabetes.
Sonho adaptado: uma receita para quem tem diabetes
Embora o sonho tradicional não seja ideal para o consumo frequente, é possível adaptar a receita para quem convive com o diabetes, permitindo o prazer ocasional sem comprometer drasticamente o controle glicêmico. A modificação da farinha e do açúcar simples por alternativas mais saudáveis pode transformar a guloseima.
Sonho Assado com Farinha Integral e Adoçante
Ingredientes:
- 1 xícara de farinha de trigo integral
- 1/2 xícara de farinha de trigo branca (para leveza)
- 1 colher de chá de fermento biológico seco
- Adoçante culinário a gosto (substituindo o açúcar no preparo da massa)
- 1 ovo
- 1 colher de sopa de manteiga light
- 1/2 xícara de leite morno
Para o Recheio:
- Creme de confeiteiro feito com leite desnatado e amido de milho, adoçado com adoçante culinário.
Modo de Preparo:
- Misture o fermento e um pouco de adoçante no leite morno e deixe descansar por 10 minutos.
- Em uma tigela, misture as farinhas, o ovo, a manteiga e a mistura do fermento. Amasse até obter uma massa homogênea.
- Deixe a massa crescer por 1 hora.
- Modele os sonhos e coloque-os em uma assadeira untada (evitando a fritura).
- Asse em forno pré-aquecido a 180°C por cerca de 20 minutos ou até dourarem.
- Após esfriarem, corte e recheie. Finalize com uma pitada de canela ou adoçante em pó (eritritol ou xilitol) para simular o açúcar de confeiteiro.
Lembre-se, antes de preparar qualquer receita, consulte seu médico ou nutricionista de confiança. Afinal, cada paciente apresenta condições subjetivas que devem ser sempre levadas em consideração na escolha e preparo de qualquer alimento. Então fique atento.