Recentemente, o DiabetesCast, abordou um dos temas mais relevantes e desafiadores para quem convive com o diabetes: a contagem de carboidratos. A conversa contou com a participação do apresentador Tom Bueno, que dividiu a bancada com a nutricionista Juliana Batista e a endocrinologista Denise Franco. Juntas, elas trouxeram suas visões e experiências pessoais e profissionais para desmistificar a contagem de carboidratos e mostrar como essa abordagem pode transformar a rotina de alimentação e o controle glicêmico. A matéria a seguir explora os principais pontos do debate, oferecendo um guia prático sobre essa importante estratégia.
Contagem de carboidratos é uma estratégia para o diabetes que traz flexibilidade
A contagem de carboidratos é uma técnica nutricional que ajuda a ajustar a dose de insulina com base na quantidade de carboidratos ingerida. Esta abordagem moderna permite uma alimentação mais flexível, algo impensável há décadas. Conforme a endocrinologista Denise Franco, “a contagem chegou para deixar a vida mais flexível” para quem tem diabetes tipo 1. A nutricionista Juliana Batista, que vive com a condição há 37 anos, compartilhou sua experiência, lembrando que na época de seu diagnóstico, a recomendação era “não podia comer nada de açúcar e carboidrato“.
Com o tempo, a contagem de carboidratos evoluiu. Juliana Batista explicou que a estratégia permite determinar quanto de carboidrato há em cada alimento para aplicar a quantidade de insulina necessária. Tom Bueno reforçou a ideia, enfatizando que esta técnica é válida não só para quem usa insulina, mas também para pessoas com diabetes tipo 2 e gestacional, pois ajuda a entender e controlar as porções.
O lado B da contagem: calorias, gorduras e proteínas
Ainda que seja uma ferramenta poderosa, a contagem de carboidratos não deve ser a única preocupação. Durante o podcast, a discussão se aprofundou na importância de não ignorar outros nutrientes, como calorias, proteínas e gorduras. Afinal, a saúde de quem tem diabetes depende de um equilíbrio nutricional completo. Juliana Batista alertou para o fato de que “a caloria é uma soma disso tudo“, e que outros nutrientes também impactam a glicemia.
A endocrinologista Denise Franco reforçou o alerta, dizendo que “preciso pensar na parte cardiovascular… e se a gente está pensando nisso, eu tenho que ter uma alimentação, é a base, é uma das pilares do tratamento do diabetes“. A médica ainda citou o exemplo de um paciente que controlou a glicemia, mas ganhou peso, o que pode aumentar a resistência à insulina.
Ela e Juliana destacaram que o excesso de proteína (multiplicada por 4) e gordura (multiplicada por 9) pode levar a um ganho de peso e, por consequência, dificultar a ação da insulina no organismo. O álcool, por sua vez, é multiplicado por 7 e também contribui para o ganho calórico. Por isso, a contagem de carboidratos deve ser vista como uma parte de um plano alimentar mais abrangente.
Técnicas de contagem na prática e o papel do nutricionista
Para facilitar a contagem de carboidratos, a nutricionista Juliana Batista apresentou uma técnica simples e eficaz, baseada no uso das mãos. “As mãos estão sempre grudadas com a gente“, ela disse. A técnica utiliza a mão como guia para estimar as porções de alimentos ricos em carboidratos, como arroz e feijão. Ela sugeriu que uma colher de sopa de alimentos maciços equivale a cerca de 5 gramas de carboidratos.
No entanto, ela alertou que alimentos como farinhas (tapioca ou farinha de mandioca) têm o dobro de carboidratos, valendo cerca de 10 gramas por colher de sopa. Ao se tratar de pão, o método muda: a estimativa é feita comparando as fatias ao tamanho de um pão francês, que tem cerca de 30 gramas de carboidratos. Assim, a pessoa com diabetes pode estimar de forma intuitiva a quantidade de carboidratos mesmo quando não tem acesso a uma balança ou tabela nutricional. A contagem de carboidratos é uma estratégia para o diabetes que visa simplificar a rotina, mas a precisão é crucial.
A nutricionista ainda reforçou que a contagem é uma forma de aproximação e que o acompanhamento profissional é fundamental para validar a técnica. De acordo com Denise Franco, “médico não é nutricionista“, e a individualização do plano alimentar é responsabilidade de um especialista em nutrição. O papel da nutricionista vai além da simples contagem, ajudando a pessoa a entender a reação do seu corpo a cada alimento.
O futuro da contagem e a evolução tecnológica
Ao final do debate, o trio abordou a evolução do controle do diabetes e o papel da tecnologia. A contagem de carboidratos é uma estratégia para o diabetes que já foi complexa, mas hoje conta com o auxílio de aplicativos e dispositivos, como o sensor de glicose e a bomba de insulina. Segundo Juliana Batista, a tecnologia ajuda, mas o conhecimento é essencial:
“O que é mais importante na hora que você está usando um aplicativo é ver se aquele valor que o aplicativo está te dando, ele condiz com a verdade”.
Denise Franco destacou que a inteligência artificial já está sendo usada para auxiliar na rotina, mas a meta final é a cura. “Enquanto a cura não vem, a gente está desenvolvendo a tecnologia, vem ajudando a ter esses recursos para poder diminuir o tempo que você para na sua vida fazendo a contagem do carboidrato“, concluiu a médica.
Com isso, a mensagem é clara: a contagem de carboidratos é uma ferramenta de flexibilidade e autonomia, que se torna ainda mais eficiente com o suporte de profissionais de saúde e as inovações tecnológicas, mas que depende do conhecimento e da prática no dia a dia.
