O Ministério da Saúde incorporou o transplante de membrana amniótica ao tratamento de pessoas com diabetes no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida inclui o uso da tecnologia em casos de feridas crônicas, pé diabético e alterações oculares.
A decisão ocorreu após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Segundo o ministério, a expectativa é beneficiar mais de 860 mil pacientes por ano.
A membrana amniótica é um tecido coletado durante o parto. Na prática médica, ela é aplicada como curativo biológico com ação anti-inflamatória e cicatrizante.

Transplante com membrana amniótica no diabetes amplia opções no SUS
O uso da membrana amniótica no tratamento do diabetes passa a integrar protocolos já existentes na rede pública. O material atua na regeneração de tecidos, com foco em feridas de difícil cicatrização.
No caso do pé diabético, o ministério informa que a tecnologia pode acelerar a cicatrização em até duas vezes, quando comparada aos curativos convencionais. Esse tipo de lesão é comum em pessoas com diabetes e pode evoluir com infecção.
Enquanto isso, dados clínicos mostram que pequenas feridas nos pés podem se agravar rapidamente. Isso ocorre porque alterações na sensibilidade e na circulação dificultam a percepção de lesões e o processo de cicatrização.
Além disso, o uso de calçados inadequados pode aumentar o risco de lesões. O cuidado diário com os pés, portanto, segue como parte do tratamento, mesmo com a nova tecnologia disponível.
Pé diabético exige atenção contínua mesmo com nova tecnologia
O transplante com membrana amniótica surge como alternativa em casos mais complexos. No entanto, ele não substitui medidas preventivas.
O controle glicêmico, por exemplo, influencia diretamente a cicatrização. Quando a glicose está elevada, o risco de infecção aumenta e o tempo de recuperação pode ser maior.
Por outro lado, a identificação precoce de feridas reduz o risco de complicações. Em muitos casos, um pequeno machucado pode evoluir para infecção e exigir intervenções mais complexas.
A orientação de profissionais de saúde inclui inspeção diária dos pés, higiene adequada e uso de calçados que não causem atrito.
Uso da membrana amniótica também alcança alterações oculares
Além das feridas, o transplante de membrana amniótica passa a ser indicado para alterações na visão relacionadas ao diabetes.
O tecido pode ser utilizado em regiões como pálpebras, glândulas lacrimais e superfície ocular. A aplicação contribui para a cicatrização e recuperação dessas estruturas.
Segundo o Ministério da Saúde, o procedimento pode reduzir dor e melhorar a recuperação da superfície ocular. Também pode ser indicado em situações que não respondem aos tratamentos convencionais.
Entre os quadros mencionados estão inflamações, perfurações e úlceras da córnea. Em pessoas com diabetes, alterações oculares exigem acompanhamento regular para evitar perda de visão.
Além disso, o cuidado com os olhos inclui exames periódicos, controle da glicemia e atenção a sintomas como visão embaçada.
Tecnologia já é usada em outros tratamentos no SUS
A membrana amniótica já integra o SUS em outras áreas. Desde 2025, o material é utilizado no tratamento de queimaduras extensas.
Agora, com a ampliação para o tratamento do diabetes, o uso da tecnologia passa a abranger um número maior de condições clínicas.
O ministério afirma que o curativo biológico também pode reduzir o risco de novas lesões. Em alguns casos, a tecnologia é indicada quando há falha de terapias convencionais.
O que muda na prática para pessoas com diabetes
A incorporação da tecnologia amplia as possibilidades de tratamento no SUS. No entanto, o acesso ao procedimento deve seguir critérios clínicos definidos pela rede pública.
Pessoas com feridas crônicas ou alterações oculares devem ser avaliadas por equipes de saúde. A indicação do transplante depende da gravidade do quadro e da resposta a outros tratamentos.
Enquanto isso, medidas básicas continuam sendo recomendadas. O controle da glicemia, o cuidado com os pés e o acompanhamento oftalmológico seguem como pilares do tratamento.