Acompanhar a glicose na tela do celular já faz parte da rotina de muitas pessoas com diabetes. Com um sensor aplicado na pele e um aplicativo compatível, é possível consultar o valor da glicose, observar se ela está subindo ou caindo e receber avisos quando ultrapassa os limites configurados.
Mas o celular não mede a glicose sozinho. Quem realiza a medição é o sensor, enquanto o aplicativo apresenta as informações. Essa diferença ajuda a entender o que é necessário para começar a usar o monitoramento contínuo da glicose, também conhecido pela sigla CGM.
No Brasil, uma das opções é o FreeStyle Libre 2 Plus, da Abbott. A família FreeStyle Libre chegou ao país em 2016, e o modelo 2 Plus foi lançado no mercado brasileiro em junho de 2024. Segundo a fabricante, os sistemas da família Libre são utilizados por mais de 7 milhões de pessoas no mundo. Esse número reúne diferentes modelos, e não apenas o Libre 2 Plus.
Outras opções disponíveis incluem o Smart 2.0, da MedLevensohn, o Sibionics GS1 e o Accu-Chek SmartGuide, da Roche. Entenda como essa tecnologia funciona e quais cuidados entram no uso diário.
1. Para medir a glicose usando o celular, você precisa de um sensor
O monitoramento contínuo funciona com um dispositivo que permanece fixado na pele durante o período indicado pelo fabricante. Um pequeno filamento fica sob a pele e mede a glicose no líquido intersticial, que envolve as células.
Portanto, o sensor não faz a mesma medição do teste de ponta de dedo, que utiliza uma pequena amostra de sangue. Os resultados se relacionam, mas podem apresentar diferenças, especialmente quando a glicose muda rapidamente.
Baixar um aplicativo, sem conectar um sensor compatível, não permite medir a glicose. A câmera ou a tela do telefone não substituem esse dispositivo.
2. O Libre 2 Plus envia leituras automaticamente a cada minuto
O FreeStyle Libre 2 Plus é aplicado na parte posterior superior do braço e pode ser utilizado por até 15 dias. Na configuração compatível para celular, envia as leituras automaticamente, minuto a minuto, para o aplicativo FreeStyle LibreLink.
Além do número da glicose, o aplicativo apresenta uma seta de tendência e um gráfico com o histórico. A seta ajuda a identificar a direção da glicose: se está subindo, caindo ou relativamente estável.
O escaneamento, feito ao aproximar o telefone do sensor, é necessário para ativar um novo dispositivo e pode ser usado para recuperar dados históricos que não foram transmitidos durante uma perda de sinal. No uso com transmissão automática configurada corretamente, não é preciso aproximar o celular do braço a cada consulta.
3. Nem todo celular é compatível
Antes de comprar o sensor, é necessário verificar a lista de aparelhos e versões de sistema operacional compatíveis disponibilizada pelo fabricante.
No caso do Libre 2 Plus, o telefone precisa ter NFC, tecnologia de comunicação por aproximação utilizada na ativação do sensor. Também precisa de Bluetooth para receber as leituras automaticamente.
O aplicativo indicado é o FreeStyle LibreLink, disponível para aparelhos Android e iPhone compatíveis. Não basta conferir se o telefone consegue baixar o aplicativo: é preciso verificar se o modelo e a versão do sistema estão na lista de compatibilidade.
Para começar, a sequência é:
- Conferir a compatibilidade do celular.
- Baixar o aplicativo oficial e configurar a conta.
- Aplicar o sensor conforme as instruções do fabricante.
- Ativar o sensor pelo aplicativo e aguardar o período de inicialização informado.
- Configurar as permissões, a conexão Bluetooth e os alarmes desejados.
Há uma diferença importante para quem também pretende usar um leitor separado. Segundo a Abbott, iniciar o sensor com o leitor e utilizá-lo com os dois dispositivos impede a transmissão automática das leituras para o aplicativo. Por isso, a forma de iniciar o sensor deve seguir a orientação específica para o uso pretendido.
4. Os alarmes são opcionais e precisam ser configurados
O Libre 2 Plus permite configurar alarmes para avisar sobre glicose baixa ou alta. Os limites devem ser definidos com orientação da equipe de saúde, considerando o tratamento e as necessidades de cada pessoa.
Para receber os avisos, é necessário manter as configurações exigidas pelo aplicativo, incluindo Bluetooth, permissões de notificações e proximidade suficiente entre sensor e telefone.
O alarme pode chamar a atenção para uma alteração durante o trabalho, uma atividade ou o sono. Mas não garante que todo episódio será percebido: falhas de conexão e configurações inadequadas podem interferir no recebimento.
Quando houver um aviso, a conduta deve seguir o plano de cuidado combinado com a equipe de saúde.
5. É possível compartilhar a glicose com até 20 pessoas
Quem usa o FreeStyle LibreLink pode convidar até 20 familiares, amigos ou cuidadores para acompanhar os dados pelo LibreLinkUp. O limite informado pela Abbott é de até 20 pessoas, e não mais de 20.
Na prática, a pessoa que usa o sensor envia o convite pelo FreeStyle LibreLink. Quem vai acompanhar precisa baixar o LibreLinkUp no próprio celular, criar uma conta e aceitar a conexão.
O compartilhamento remoto depende de conexão com a internet. Assim, um familiar pode acompanhar as atualizações mesmo estando em outro local. Usuários conectados aos dados de alguém com Libre 2 Plus também podem configurar alarmes personalizados, conforme os recursos disponíveis.
Esse acompanhamento não significa vigilância permanente. É importante combinar quem receberá os dados e como poderá ajudar quando houver uma alteração. Para compartilhar relatórios com profissionais de saúde, a plataforma da Abbott é o LibreView.
6. O monitoramento mostra o que acontece entre as medições
Um teste de ponta de dedo mostra a glicemia naquele momento. Já o sensor reúne leituras ao longo do dia e da noite, permitindo observar padrões que poderiam passar despercebidos entre os testes.
Os registros ajudam a acompanhar a resposta às refeições, ao exercício e ao tratamento. Também permitem avaliar o tempo em que a glicose permanece dentro da faixa definida para a pessoa, conhecido como tempo no alvo.
A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda que o uso da monitorização seja acompanhado de educação para interpretar os resultados. Ter mais informações só ajuda no cuidado quando a pessoa sabe o que fazer com elas.
7. Existem outras opções de sensores para usar com o celular
Os sistemas têm diferenças de duração, aplicativos, indicação de uso e necessidade de calibração. Entre as opções comercializadas no Brasil estão:
| Sensor | Aplicativo para acompanhamento | Características informadas pelos fabricantes |
|---|---|---|
| FreeStyle Libre 2 Plus, da Abbott | FreeStyle LibreLink | Até 15 dias; leituras automáticas a cada minuto; alarmes opcionais; compartilhamento pelo LibreLinkUp. |
| Smart 2.0, da MedLevensohn | SMART CGM | Conexão Bluetooth; leituras automáticas; alertas personalizáveis e compartilhamento remoto. |
| Sibionics GS1 | Aplicativo SIBIONICS correspondente ao produto | Até 14 dias; transmissão por Bluetooth a cada cinco minutos; alarmes e compartilhamento de dados. |
| Accu-Chek SmartGuide, da Roche | Accu-Chek SmartGuide, com recursos adicionais no SmartGuide Predict | Até 14 dias; leituras a cada cinco minutos; recursos de previsão no aplicativo específico; pode solicitar calibração com glicemia capilar. |
Essas opções são comercializadas para monitoramento com celular, sem exigir uma bomba de insulina. O sensor e o telefone são adquiridos separadamente, e é necessário conferir o conteúdo da embalagem e a compatibilidade antes da compra.
A indicação também varia: o SmartGuide é destinado a maiores de 18 anos, enquanto o Libre 2 Plus tem indicação a partir dos 2 anos. A escolha deve considerar as necessidades clínicas e as instruções de cada produto.
8. O teste de ponta de dedo ainda pode ser necessário, e algumas cidades oferecem sensores
Mesmo com o monitoramento pelo celular, o glicosímetro continua tendo espaço no cuidado. Se os sintomas não corresponderem ao resultado do sensor, é necessário conferir a glicemia capilar conforme as instruções do fabricante e a orientação profissional.
A Sociedade Brasileira de Diabetes também recomenda o teste de ponta de dedo para confirmar episódios de hipoglicemia em pessoas com diabetes que usam insulina. Os aparelhos e as tiras devem permanecer disponíveis para as situações previstas no plano de cuidado.
O acesso ao sensor pode ocorrer por compra particular ou por programas públicos locais. Algumas cidades já possuem protocolos para fornecer sensores de glicose gratuitamente a grupos específicos.
Em São Paulo, a prefeitura anunciou a distribuição para crianças de 2 a 12 anos com diabetes tipo 1 inscritas no Programa de Automonitoramento Glicêmico. Indaiatuba também iniciou a entrega para pacientes que atendem aos critérios de seu protocolo municipal.
Os critérios não são iguais em todos os lugares. Para saber se existe fornecimento gratuito e quais documentos são necessários, a orientação é procurar a UBS ou a Secretaria Municipal de Saúde.
Fontes
- Lançamento do FreeStyle Libre no Brasil: https://www.abbottbrasil.com.br/corpnewsroom/noticias/press-releases/lancamento-freestyle-libre.html
- Lançamento do Libre 2 Plus no Brasil: https://www.abbott.com/pt-br/news/press-releases/o-sistema-freestyle-libre-2
- Libre 2 Plus: https://www.freestyle.abbott/pt-br/products/freestyle-libre-2.html
- Número mundial de usuários da família Libre: https://www.freestyle.abbott/en-in/products/freestyle-libre-2.html
- LibreLinkUp: https://www.freestyle.abbott/pt-br/products/apps-and-data-sharing/libre-linkup.html
- Compatibilidade NFC: https://www.freestyle.abbott/pt-br/support/o-que-e-o-freestyle-libre-2-plus-.html
- Uso simultâneo com leitor: https://www.freestyle.abbott/pt-br/support/como-funciona-a-leitura-em-tempo-real-.html
- Smart 2.0: https://smartmedlevensohn.com.br/
- Sibionics GS1: https://sibionics.com.br/
- Accu-Chek SmartGuide: https://loja.accu-chek.com.br/sensor-de-monitoramento-de-glicose-accu-chek-smartguide
