Mais 20 crianças, adolescentes e jovens com diabetes tipo 1 passaram a receber gratuitamente o sensor de monitoramento contínua FreeStyle Libre 2 Plus pelo Sistema Único de Saúde (SUS) municipal. A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), ampliou nesta quinta-feira, 30, o alcance do projeto Sem Medir a Vida. A entrega reuniu cerca de 90 pacientes já atendidos pela iniciativa, em um encontro voltado à atualização sobre o uso da tecnologia e ao fortalecimento da linha de cuidado. Profissionais da rede municipal participaram de um ciclo de qualificação voltado ao atendimento multidisciplinar.
Quem pode receber o sensor de glicose gratuito
O projeto atende crianças, adolescentes e jovens de 2 a 22 anos, residentes em Aracaju, diagnosticados com diabetes tipo 1, usuários de insulina e acompanhados regularmente pela rede municipal de saúde. Além do diagnóstico e da faixa etária, é necessário participar do acompanhamento multiprofissional previsto pelo programa. O dispositivo é fornecido mensalmente pelo SUS municipal, o que garante continuidade no uso da tecnologia ao longo do tratamento.
Como funciona a monitorização contínua da glicose
Diferentemente da medição tradicional pela ponta do dedo, o sensor realiza leituras automáticas da glicose ao longo de todo o dia. Além disso, o Libre 2 Plus emite alertas quando a glicemia fica muito alta ou muito baixa, permitindo que o paciente ou seus responsáveis tomem decisões com mais rapidez. Na prática, isso reduz a necessidade de múltiplas perfurações diárias e oferece uma visão mais completa das variações da glicose ao longo das 24 horas. Ainda assim, especialistas lembram que a tecnologia não substitui o tratamento: o controle do diabetes continua dependendo do uso correto da insulina, da alimentação adequada e do acompanhamento da equipe de saúde.
Qualificação das equipes reforça a linha de cuidado
A programação em Aracaju também priorizou a capacitação permanente da assistência. Profissionais do ambulatório de endocrinologia participaram de discussões de casos clínicos e de atualização das práticas assistenciais, enquanto pacientes e familiares tomaram parte em atividades educativas sobre alimentação, prática de atividade física, uso do sensor e manejo do diabetes. Segundo a coordenadora da Rede de Atenção Especializada (Reae), Tércia Monteiro, esse é um dos pilares do projeto.
“A tecnologia só alcança todo o seu potencial quando está associada ao acompanhamento multiprofissional e ao envolvimento das famílias. Quanto mais os pacientes utilizam o sensor integrado ao atendimento ambulatorial, maiores são as possibilidades de melhorar sua qualidade de vida, que é o principal objetivo do projeto”, destacou Tércia Monteiro.
A secretária municipal da Saúde, Débora Leite, reforçou que a continuidade do cuidado é o principal objetivo da iniciativa.
“Nosso propósito é garantir que os pacientes encontrem na rede municipal o suporte necessário em todas as etapas do cuidado. Isso envolve tecnologia, acompanhamento multiprofissional e educação em saúde, mas, acima de tudo, continuidade”.
O que as famílias dizem sobre o sensor
Entre os novos beneficiários está Laura Vitória, de 5 anos, diagnosticada com diabetes tipo 1 há oito meses. A avó, Berivane Rocha, relembrou que a menina chegou ao Hospital Universitário com a glicemia muito elevada e risco de desenvolver cetoacidose diabética.
“Depois do acolhimento e do acompanhamento pela rede municipal, hoje vivemos uma nova etapa do tratamento. Receber o Libre representa mais tranquilidade, porque ela terá um monitoramento mais preciso, mais liberdade e uma qualidade de vida melhor”, afirmou Berivane.
Valdelice Santos da Cruz, mãe de Anne Sophia, de 12 anos, descobriu a doença da filha após perceber alterações na urina da adolescente, que foi encaminhada para atendimento de urgência e, posteriormente, diagnosticada no Hospital Universitário.
“Ela ainda está em processo de aceitação da doença. Hoje precisa furar o dedo seis vezes por dia. Com o sensor Libre, o monitoramento será mais preciso e sem dor. Espero que isso facilite sua adaptação à nova realidade e torne o tratamento menos difícil”, relatou Valdelice.
Um modelo que integra tecnologia e cuidado contínuo
Com a inclusão de novos beneficiários e a qualificação permanente das equipes, o projeto Sem Medir a Vida amplia o acesso ao monitoramento contínuo da glicose em Aracaju. Nesse contexto, a iniciativa se destaca por integrar tecnologia, acompanhamento multiprofissional e educação em saúde — um modelo que, segundo a gestão municipal, amplia as chances de que o sensor seja utilizado de forma adequada e gere benefícios reais no controle glicêmico e na qualidade de vida das famílias atendidas.
