Ter acesso a um sensor de glicose pode representar uma mudança na rotina de quem vive com diabetes tipo 1. Em Aracaju, capital de Sergipe, crianças, adolescentes e jovens passaram a contar gratuitamente com a tecnologia por meio de um programa municipal que acompanha pacientes entre 2 e 22 anos.
A iniciativa colocou Aracaju como a primeira capital do Nordeste a oferecer gratuitamente o sensor de glicose FreeStyle Libre 2 Plus para pessoas com diabetes tipo 1 nessa faixa etária. Além da entrega dos sensores, o programa inclui acompanhamento multiprofissional e análise periódica dos dados gerados pelo dispositivo.
Como funciona o programa de sensor de glicose gratuito
O programa, chamado Sem Medir a Vida, fornece mensalmente dois sensores FreeStyle Libre 2 Plus para cada participante.
Para ingressar no programa, a pessoa precisa ter diagnóstico confirmado de diabetes tipo 1, estar em tratamento com insulina, se enquadrar na faixa etária estabelecida e passar por acompanhamento especializado.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Saúde, o primeiro passo ocorre na Unidade Básica de Saúde. Após a confirmação dos critérios, o paciente é encaminhado ao ambulatório de referência, onde passa a receber acompanhamento multidisciplinar.
Além disso, os dados coletados pelos sensores são analisados pela equipe de saúde. Nesse contexto, o objetivo é permitir um acompanhamento mais próximo do controle glicêmico de cada participante.
Sensor de glicose facilita o controle do diabetes tipo 1
Entre os beneficiados está Luiz Eduardo, estudante de administração e morador de Aracaju. Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 10 anos, ele relata que os sintomas começaram com sede excessiva e aumento da frequência urinária.

O diagnóstico ocorreu após sua irmã, que também vive com diabetes, identificar os sinais e levá-lo ao hospital para realizar exames.
Antes de utilizar o sensor, Luiz conta que enfrentava dificuldades para manter a frequência das medições.
“Por causa disso, eu realmente deixava, às vezes, de olhar quando estava com a glicemia”, relata.
Com a chegada do sensor, ele afirma que passou a entender melhor o funcionamento do próprio organismo.
“A primeira coisa que eu aprendi foi como funcionava melhor o meu corpo, graças ao Libre, já que ele tem um monitoramento constante”, explica.
Além disso, Luiz destaca que o dispositivo trouxe mais tranquilidade durante o sono e no dia a dia.
“Ficou muito mais fácil controlar a minha glicemia. Muito mais fácil dormir tranquilamente, sabendo como está minha glicemia. Se eu tiver uma baixa ou uma alta, o sensor apita. A vida foi facilitada.”
Crianças com diabetes ganham mais autonomia
O impacto também aparece na rotina das famílias. Heitor, de seis anos, está entre as crianças atendidas pelo programa. Para ele, o sensor representa mais liberdade durante as atividades diárias.
Segundo sua mãe, Jéssica, a monitorização constante trouxe mais segurança em situações comuns da infância, como o período escolar e as brincadeiras.
Antes do acesso ao sensor, ela permanecia durante as manhãs próxima à escola para acompanhar possíveis alterações glicêmicas. Hoje, a situação mudou.
“Eu tinha que ficar todas as manhãs ao lado da escola e agora eu já não preciso estar tão assim”, relata.
Durante uma conversa sobre o dispositivo, Heitor explica que o sensor emite alertas quando identifica alterações nos níveis de glicose.
“Tem alta e tem baixa”, resume o menino ao falar sobre os alarmes.
Mãe solo relata impacto do acesso à tecnologia
Jéssica cria sozinha os três filhos e descreve o momento em que recebeu a notícia de que Heitor havia sido incluído no programa.
Segundo ela, a ligação da Secretaria Municipal de Saúde trouxe alívio diante da necessidade constante de monitoramento.
“A gente voltou chorando. Só quem é mãe de uma criança que precisa estar fazendo essa monitorização sabe o que é.”
Ela destaca que as preocupações acontecem durante toda a rotina da criança.
“Na madrugada, na escola, numa brincadeira no parquinho, às vezes até assistindo televisão, vem uma hipoglicemia do nada.”
Nesse contexto, o acesso ao sensor permite acompanhar as variações glicêmicas de forma contínua e receber alertas quando os níveis saem da faixa programada.
Programa começou com recursos de emenda municipal
A atual secretária municipal de Saúde, que também é médica, explicou que o projeto foi estruturado a partir de recursos provenientes de emendas municipais.
Segundo ela, a definição do número inicial de participantes levou em consideração a disponibilidade orçamentária.
No primeiro momento, o programa contemplou 110 pacientes com diabetes tipo 1. Mensalmente, os participantes retiram um novo kit de sensores no ambulatório de referência em endocrinologia da rede municipal.
Além disso, a gestão municipal informou que já discute a inclusão definitiva da iniciativa no planejamento da saúde pública local. De acordo com a secretária, o objetivo é tornar o programa uma política permanente do município.
Acesso à tecnologia e acompanhamento especializado
O caso de Aracaju mostra como programas de acesso à tecnologia podem impactar diferentes fases da vida de quem convive com diabetes tipo 1.
Enquanto crianças ganham mais autonomia durante a rotina escolar e as atividades diárias, jovens e adultos relatam maior facilidade para acompanhar os níveis de glicose e identificar episódios de hipoglicemia ou hiperglicemia.
Além da distribuição dos sensores, o programa mantém acompanhamento multiprofissional, análise dos dados glicêmicos e monitoramento contínuo dos participantes.