Pessoas com diabetes precisam manter a vacinação em dia para reduzir o risco de infecções e complicações. No DiabetesCast, o infectologista Igor Marinho explicou que a vacina contra a hepatite B merece atenção porque protege o fígado contra uma doença que pode evoluir sem sintomas.
A hepatite B está no calendário de vacinação desde a infância. A vacina costuma ser aplicada ao nascer. Mesmo assim, muitas pessoas não sabem se receberam todas as doses. Para quem vive com diabetes, essa dúvida deve ser investigada com a carteira de vacinação ou com exame de sangue.
Vacina contra hepatite B no diabetes protege o fígado
Segundo Igor Marinho, a hepatite B é uma doença silenciosa. Em muitos casos, a pessoa só percebe o problema quando o fígado já apresenta comprometimento. A vacina reduz o risco de entrada do vírus no organismo e ajuda a evitar danos ao fígado.
O infectologista explicou que pessoas com diabetes podem ter maior contato com procedimentos que envolvem perfuração da pele. Entre eles estão picadas no dedo, coletas de exames e atendimentos hospitalares. Esse cenário reforça a recomendação da vacina contra hepatite B para esse grupo.
Quem não sabe se tomou a vacina pode procurar o cartão de vacinação. Se não houver registro, a pessoa pode conversar com um profissional de saúde para avaliar a necessidade de vacinação.
Exame pode mostrar se a pessoa tem imunidade contra hepatite B
Quando a pessoa não tem certeza se tomou a vacina contra hepatite B, um exame de sangue pode ajudar. A avaliação envolve sorologia para hepatite B, incluindo o anti-HBs.
Esse exame identifica se a pessoa já tem imunidade contra o vírus. Se o resultado não indicar proteção, o esquema vacinal pode ser feito. O esquema citado pelo infectologista tem três doses.
Essa orientação vale para pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 que não têm registro vacinal ou não sabem se completaram o esquema.
Por que o diabetes aumenta a atenção com infecções
Igor Marinho explicou que o diabetes pode aumentar o risco de algumas infecções. O estado de hiperglicemia pode reduzir a atividade de células de defesa, como os neutrófilos.
Essas células atuam na primeira resposta do organismo contra agentes infecciosos. Quando essa resposta fica prejudicada, a infecção pode evoluir com mais impacto.
O infectologista também citou que algumas pessoas com diabetes podem ter outras condições associadas, como alterações vasculares e síndrome metabólica. Esses fatores podem interferir na resposta do corpo a infecções.
Vacinas recomendadas para pessoas com diabetes no SUS
Durante o episódio, Igor Marinho citou vacinas disponíveis para pessoas com diabetes no Sistema Único de Saúde. A lista inclui influenza, covid, hepatite B, tétano e pneumocócica.
A vacina da influenza deve ser tomada todos os anos nas campanhas. A vacina contra covid também deve ser atualizada pelo menos uma vez ao ano, segundo a orientação citada no episódio.
A vacina pneumocócica protege contra formas de pneumonia e contra infecções causadas pelo pneumococo, bactéria ligada também a casos de meningite. A vacina contra tétano também exige atenção, principalmente em pessoas com neuropatia, que podem se machucar nos pés e não perceber o ferimento.
Vacinação infantil também entra no cuidado com diabetes
O infectologista afirmou que crianças com diabetes tipo 1 precisam estar com a vacinação em dia. Segundo ele, a criança não tem autonomia para decidir sobre a própria proteção, por isso a família deve manter o acompanhamento do calendário vacinal.
Além das vacinas específicas para pessoas com diabetes, o calendário de rotina continua valendo. Ele inclui vacinas aplicadas desde a infância, como sarampo, caxumba, rubéola, BCG, rotavírus e meningite.
Rede privada tem outras vacinas citadas pelo infectologista
Igor Marinho também explicou que algumas vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações estão disponíveis apenas na rede privada. Entre elas estão herpes-zóster, vírus sincicial respiratório e versões pneumocócicas com cobertura para mais tipos de pneumococo.
A vacina contra herpes-zóster, conhecida como cobreiro, tem duas doses, com intervalo de cerca de dois meses. Ela pode ser indicada mesmo para quem já teve a doença, pois ajuda a reduzir o risco de novos episódios.
A vacina contra vírus sincicial respiratório foi citada para pessoas acima de 50 anos, por causa do risco de quadros respiratórios. Já as vacinas pneumocócicas 15 e 20 protegem contra mais tipos de pneumococo do que as versões citadas no SUS.
Vacina não impede toda infecção, mas reduz formas graves
O infectologista reforçou que vacinas como influenza e covid não impedem todos os casos de infecção. A função principal é reduzir o risco de formas graves.
Ele citou que pessoas com comorbidades, incluindo diabetes, entram em grupos de maior atenção para gripe e covid. Por isso, manter as doses em dia faz parte da rotina de prevenção.
A Sociedade Brasileira de Diabetes e a Sociedade Brasileira de Imunizações também indicam que a imunização deve fazer parte do acompanhamento de pessoas com diabetes, com verificação anual da carteira vacinal.