O diabetes e cárie aparecem com frequência na mesma conversa, mas a relação não ocorre de forma direta, segundo explicação da dentista Bruna Ricci durante o DiabetesCast.
A dúvida sobre diabetes e cárie costuma partir da associação entre açúcar no sangue e problemas bucais. No entanto, a dentista afirma que a glicose alta não aumenta, por si só, a chance de cárie. O processo envolve outros fatores.
Segundo Bruna Ricci, a cárie é uma desmineralização do dente. Esse processo ocorre quando bactérias produzem um ambiente ácido na boca. Esse pH mais baixo favorece a perda de mineral do dente e leva à formação de cavidades.
A presença de açúcar na boca, seja de alimentos doces ou de carboidratos, alimenta essas bactérias. Isso altera o equilíbrio da região e contribui para o desenvolvimento da cárie.
Estilo de vida no diabetes influencia risco de cárie
O diabetes pode alterar fatores que aumentam o risco de cárie. A dentista explica que pessoas com diabetes podem ter menor produção de saliva. Isso reduz a capacidade de regular o pH da boca.
Além disso, a rotina de quem convive com a condição inclui situações específicas. Entre elas estão os lanches frequentes e o uso de açúcar para tratar hipoglicemia.
Durante o episódio, Bruna Ricci afirma que esses comportamentos aumentam a exposição dos dentes ao açúcar. Isso cria um ambiente mais favorável para a ação das bactérias.
Hipoglicemia noturna e falta de escovação aumentam risco
A correção da hipoglicemia durante a madrugada aparece como um ponto relevante. Pessoas com diabetes tipo 1 ou em uso de insulina costumam ingerir açúcar nesse momento.
Após a correção, muitos não escovam os dentes. A dentista relata que realizou uma enquete com pacientes e todos afirmaram que não fazem a escovação após episódios noturnos.
Esse hábito mantém resíduos de açúcar na boca por mais tempo. Isso favorece a atividade bacteriana e aumenta o risco de cárie.
Escovação exige técnica e não deve ser excessiva
A escovação aparece como principal forma de controle da placa bacteriana. A dentista orienta que o ideal é escovar os dentes três vezes ao dia.
Ela explica que a placa bacteriana pode se formar em até 24 horas. No entanto, a recomendação de três escovações considera falhas comuns na técnica.
Bruna Ricci afirma que muitas pessoas não realizam a escovação de forma adequada. Por isso, a repetição ajuda a reduzir a presença de bactérias.
Ela também alerta que escovar os dentes em excesso pode causar desgaste dental. O problema ocorre quando há perda da estrutura do dente devido à escovação intensa.
O tempo recomendado para escovação é de dois minutos. Esse período deve ser dividido em quatro partes de 30 segundos.
Alimentação e tipo de carboidrato influenciam
A alimentação tem impacto direto no risco de cárie. A dentista afirma que o tipo de alimento consumido altera esse risco.
Mesmo pessoas que evitam açúcar podem desenvolver cárie. Isso ocorre porque carboidratos também servem como fonte para bactérias.
O momento de consumo também interfere. A forma como o alimento entra na rotina deve ser considerada no cuidado com a saúde bucal.
Fatores individuais também influenciam
A chance de desenvolver cárie varia entre pessoas. A dentista explica que o tipo de bactéria presente na boca influencia esse risco.
Além disso, fatores como escovação e salivação interferem na formação da doença. Pacientes com maior risco precisam de cuidados específicos.
A cárie também pode aparecer mais de uma vez no mesmo dente. Isso pode ocorrer por infiltração em restaurações ou em áreas diferentes.
Controle do diabetes interfere no tratamento odontológico
O controle glicêmico impacta diretamente o tratamento dentário. A dentista relata que procedimentos como implantes exigem níveis adequados de glicose.
Pacientes com glicemia elevada podem apresentar dificuldade de cicatrização. Isso compromete o resultado de tratamentos mais complexos.
Nesses casos, o paciente deve ser encaminhado para acompanhamento médico. O controle do diabetes precisa ocorrer antes de procedimentos eletivos.
Diagnóstico e cuidado ainda não são associados
A dentista aponta que muitos pacientes não relacionam diabetes e saúde bucal. Esse entendimento costuma surgir apenas durante atendimento odontológico.
Ela destaca que o cuidado com a boca faz parte da saúde geral. A avaliação odontológica pode contribuir para identificar problemas sistêmicos.
Enxaguante bucal não substitui escovação
O uso de enxaguante bucal não substitui a escovação. A dentista afirma que esses produtos não removem a placa bacteriana.
A limpeza depende do uso conjunto de escova e fio dental. O fio deve ser utilizado ao menos uma vez por dia.
Os enxaguantes podem ter indicação específica. Entre elas estão tratamentos periodontais, cirurgias ou estímulo de salivação.
O uso sem orientação pode gerar falsa sensação de limpeza. O hálito refrescante não indica remoção de bactérias.