O diabetes aumenta o risco de problemas no coração e a glicose alta está entre os fatores que ajudam a explicar essa relação. Segundo o cardiologista José Rocha Faria Neto, o impacto ocorre ao longo do tempo, quando o descontrole da glicose favorece lesões nas artérias e pode contribuir para o entupimento dos vasos do coração.
Como a glicose alta afeta o coração no diabetes
A glicose alta provoca alterações nas células que revestem as artérias. Esse processo ocorre de forma progressiva e facilita o acúmulo de gordura nas paredes dos vasos. O resultado é a formação de placas que podem levar ao entupimento das artérias do coração.
O médico explica que esse processo não acontece por episódios isolados de descontrole. A complicação está associada ao aumento constante da glicose ao longo do tempo. Esse cenário favorece o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Pessoas com diabetes tipo 2 apresentam risco maior porque, em muitos casos, convivem com outros fatores. Entre eles estão pressão alta, colesterol elevado e obesidade. Esses elementos aumentam a chance de problemas cardíacos.
No diabetes tipo 1, o risco também existe. O aumento da glicose ao longo dos anos pode levar ao mesmo tipo de lesão nas artérias.
Risco de infarto é maior em quem tem diabetes
Segundo José Rocha Faria Neto, o risco de infarto em pessoas com diabetes pode ser duas a três vezes maior em comparação com quem não tem a condição. Esse dado se aplica aos dois tipos de diabetes.
O tempo de convivência com a doença influencia esse risco. Pacientes com mais de 10 anos de diagnóstico já entram em um grupo com maior chance de desenvolver complicações cardíacas. O risco aumenta quando há descontrole da glicose nesse período.
O especialista também destaca que o diabetes pode levar ao enfraquecimento do músculo do coração. Esse quadro pode evoluir para insuficiência cardíaca ao longo do tempo.
O coração pode dar sinais de problema
Nem sempre o coração apresenta sinais claros. Alguns pacientes sentem dor no peito durante esforço físico. Esse sintoma indica dificuldade de circulação do sangue nas artérias.
Esse quadro recebe o nome de angina e funciona como alerta para possível obstrução. No entanto, nem todos os pacientes apresentam esse tipo de sintoma.
O cardiologista alerta que pessoas com diabetes podem perder a sensibilidade à dor ao longo do tempo. Isso pode levar a situações em que o infarto acontece sem dor. Esse cenário dificulta a identificação precoce do problema.
Hipoglicemia também pode afetar o coração
O risco não está apenas na glicose alta. Episódios de hipoglicemia também podem provocar impacto no coração.
A queda da glicose reduz a disponibilidade de energia para o funcionamento do músculo cardíaco. O coração depende desse combustível para manter sua atividade contínua.
Oscilações frequentes entre glicose alta e baixa aumentam o risco cardiovascular. Dois pacientes com a mesma média de glicose podem apresentar riscos diferentes. Quem tem grandes variações ao longo do dia fica mais exposto a complicações.
Controle da glicose e outros fatores de risco
O controle da glicose não deve ser o único foco. O acompanhamento inclui avaliação de colesterol, pressão arterial e peso corporal.
A obesidade, por si só, aumenta o risco cardiovascular. A gordura abdominal libera substâncias que contribuem para o dano nas artérias.
O acompanhamento médico deve incluir exames regulares. A avaliação anual permite identificar alterações antes do surgimento de sintomas.
O médico orienta que o cuidado com o diabetes exige rotina diária. A prática de atividade física, o controle alimentar e o uso correto da medicação fazem parte desse processo.
Check-up cardiológico no diabetes
A avaliação cardiológica pode incluir exames como teste de esforço. Esse exame mostra como o coração reage durante atividade física.
A indicação depende do histórico de cada paciente. Em muitos casos, o acompanhamento pode ser feito pelo clínico ou endocrinologista.
A medição de colesterol e pressão arterial faz parte da rotina. Esses fatores não apresentam sintomas na maioria dos casos.
A ausência de sintomas não indica ausência de risco. Por isso, o acompanhamento regular faz parte do controle do diabetes.