Joaquim tem 9 anos e, por 200 vezes por mês, precisava furar o dedo para medir a glicemia para o tratamento do diabetes. No início de abril, ele foi um dos 25 pacientes que mudaram essa rotina de vez: um sensor de glicose no braço passou a fazer esse trabalho de forma contínua e sem dor.
A mudança na vida do menino resume o que Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, colocou em prática nas últimas semanas a distribuição gratuita do sensor de glicose pela rede municipal de saúde.
O evento de lançamento reuniu gestores, profissionais de saúde e os primeiros 25 pacientes com diabetes contemplados no Centro de Treinamento Comunitário do Bairro das Nações. No total, a primeira etapa atende 35 pessoas.
Um dispositivo que muda a rotina de quem vive com diabetes
O sensor utilizado é o FreeStyle Libre 2 Plus, fixado no braço, que mede os níveis de glicose no líquido intersticial 24 horas por dia. Além disso, envia as leituras direto para o smartphone via Bluetooth, sem precisar escanear o tempo todo.
O escaneamento manual só é necessário na ativação inicial. Cada paciente recebe dois sensores por mês e pode retirar a próxima remessa após 25 dias. O programa atende crianças e adolescentes com menos de 18 anos e gestantes em qualquer idade gestacional que usem insulina para tratar diabetes.
“Agora ele pode comer e se divertir sem tanta preocupação”
Para Rogério Militão José, pai de Joaquim, o sensor representa muito mais do que uma tecnologia. Antes, conta ele, o filho com diabetes furava o dedo cerca de 200 vezes por mês e evitava comer por não querer passar pelo desconforto.
“Agora poderemos fazer isso sem dor alguma. Ele poderá comer e se divertir sem tanta preocupação”, disse.
Outro beneficiado foi Eduardo Borges Klein, de 14 anos, que vai usar o sensor pela primeira vez. Para o adolescente, a gratuidade pesa tanto quanto a tecnologia.
“Vai facilitar visualizar a glicemia, ajudar a controlar e melhorar a qualidade de vida de nós pacientes”, afirmou.
Investimento e perspectiva de política pública permanente
O município adquiriu dois mil sensores com investimento de mais de R$ 640 mil, viabilizado por emenda parlamentar. O projeto tem duração de 12 meses e pode se tornar uma política pública permanente.
Para a secretária de Saúde, Aline Leal, a iniciativa vai além da entrega de equipamento.
“Saber que uma criança não precisará mais passar por tantas picadas no dedo por dia nos enche de alegria”, disse.
Nesse contexto, a Prefeitura destacou que o programa foi pensado para alcançar crianças, adolescentes e gestantes com diabetes que dependem de insulina e precisam de acompanhamento contínuo da glicemia.
Como funciona o sensor de glicose
O sensor é fixado no braço e mede os níveis de glicose no líquido intersticial de forma contínua, 24 horas por dia. Os dados são transmitidos automaticamente para o smartphone via Bluetooth, sem necessidade de escanear a todo momento. O escaneamento manual é necessário apenas na ativação inicial do dispositivo. Cada sensor tem duração de 15 dias, o paciente recebe dois por mês e pode retirar a próxima remessa após 25 dias.
Quem pode acessar o programa em Balneário Camboriú
O programa é voltado para crianças e adolescentes até 17 anos e gestantes em qualquer idade gestacional que usem insulina. A distribuição é gratuita pela rede municipal de saúde, e cada paciente recebe dois sensores por mês, com retirada a cada 25 dias. Para mais informações, basta procurar a Secretaria de Saúde de Balneário Camboriú.