O alerta começa de forma direta e rapidamente ganha repercussão. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, o microbiologista Bruno Brunetti critica a orientação da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro para que pacientes com diabetes reutilizem seringas de insulina. Logo no início, ele chama atenção para o tema: “Tem prefeitura recomendando que pacientes diabéticos reutilizem seringa”.
Na sequência, ele contextualiza a situação ao mencionar a falta de insumos na rede municipal. “A prefeitura do Rio de Janeiro ficou praticamente sem estoque de seringa de agulha. E pra resolver temporariamente esse problema, tá dizendo nesse documento aqui que pacientes diabéticos podem usar a mesma seringa por até três vezes”, afirma.
O conteúdo ganhou alcance justamente por traduzir uma orientação técnica em linguagem direta e levantar dúvidas sobre a segurança da medida no dia a dia de quem depende da insulina.
Documento oficial prevê reutilização em cenário de falta de estoque
A recomendação citada no vídeo consta em um documento oficial da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, publicado em 9 de abril de 2026. O texto admite, em caráter excepcional e temporário, a reutilização da seringa por até três aplicações pelo mesmo usuário, diante de um cenário de estoque crítico na rede municipal.

O ofício estabelece condições para essa prática, como a necessidade de higiene, armazenamento e manuseio adequados. Ainda assim, o próprio documento evidencia o caráter emergencial da medida, que deve ser revista assim que o abastecimento for normalizado.
Especialista questiona segurança e risco de infecção
Ao longo do vídeo, Brunetti questiona a viabilidade prática dessas condições. “Quem vai fiscalizar isso? A prefeitura?”, diz. Ele também levanta dúvidas sobre o nível de informação dos pacientes: “Será que esses pacientes sabem que seringa é de uso único? Que usou, tem que jogar fora? Que, em hipótese alguma, jamais nessa vida se deve reutilizar uma seringa?”
O ponto central da crítica está no risco de contaminação. “Aplicar insulina com seringa usada pode causar uma infecção tão grave que pode literalmente matar alguém. Sim, porque a pessoa vai aplicar contaminação direto dentro do organismo dela”, afirma.
O microbiologista também chama atenção para o contexto clínico de parte dos pacientes. “Muitos diabéticos já têm uma condição imunológica que requer atenção. E isso só piora o problema.”
Além da aplicação, ele alerta para a possibilidade de contaminação do próprio medicamento: “Os pacientes ainda podem contaminar a insulina deles”.
Perda de esterilidade e risco invisível
Na parte final do vídeo, Brunetti reforça o argumento técnico sobre o uso único da seringa. “A partir do momento que você abre uma seringa, ela simplesmente deixa de ser estéreo. Não existe essa de usar de novo”, explica.
Ele detalha que mesmo cuidados rigorosos não eliminam o risco. “Mesmo com toda a higiene do mundo e guardando direitinho, ela já pode estar contaminada. E quando o paciente deixar essa seringa guardada, mesmo na geladeira, isso não vai impedir que micro-organismos cresçam ali.”
Segundo ele, o risco está justamente na repetição do uso. “Da próxima vez que essa seringa for usada, a pessoa vai aplicar contaminação direto dentro do organismo dela.”
Em tom de alerta, ele conclui: “E agradece se isso terminar só em abscesso e infecção generalizada. Porque no pior cenário, isso pode matar alguém.”
Prefeitura diz que medida é emergencial e temporária
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou que a recomendação foi adotada em caráter excepcional diante de um cenário de desabastecimento de seringas na rede municipal.
Segundo a pasta, a orientação é temporária, vale apenas para o município e deve ser revista assim que o fornecimento for normalizado. A Secretaria também afirma que a medida segue critérios técnicos e foi adotada para evitar a interrupção do tratamento de pacientes que dependem de insulina.
