Um vídeo publicado nas redes sociais chamou atenção ao mostrar uma conversa sobre diabetes durante uma trilha. No registro, o criador de conteúdo Patrick Gaspareto conversa com Fabinho, uma pessoa que convive com diabetes, sobre como ele concilia a condição com atividades de aventura e quais cuidados fazem parte da rotina.
Durante o bate-papo, Fabinho explica como monitora a glicemia, utiliza insulina durante a atividade e se prepara para situações que podem acontecer durante um percurso mais longo, como a hipoglicemia.
A conversa despertou uma dúvida comum entre muitas pessoas: afinal, quem tem diabetes pode fazer trilhas?
A resposta é sim. O diagnóstico de diabetes não impede a prática de atividades físicas, incluindo caminhadas, trilhas e esportes de aventura. No entanto, é necessário preparo, acompanhamento adequado e conhecimento sobre como o próprio corpo reage ao esforço.
Mais do que mostrar uma aventura, o vídeo ajuda a trazer uma discussão importante: pessoas com diabetes podem realizar diferentes atividades, desde que tenham os cuidados necessários para manter a glicemia sob controle.
Diabetes tipo 1 e atividade física: por que a preparação é importante?
Durante o vídeo, Fabinho comenta sobre o uso de insulina e o acompanhamento da glicemia durante a trilha. Esse tipo de cuidado faz parte da rotina de muitas pessoas com diabetes, especialmente aquelas que utilizam insulina diariamente.
No diabetes tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina em quantidade suficiente, fazendo com que a reposição do hormônio seja necessária para controlar os níveis de glicose no sangue.
Durante a prática de exercícios, esse controle pode exigir ainda mais atenção. A atividade física aumenta o gasto de energia e pode modificar a forma como o organismo utiliza a glicose e responde à insulina.
Por isso, antes, durante e depois de uma trilha, alguns fatores precisam ser considerados, como alimentação, intensidade do exercício, duração do percurso e a resposta individual do organismo.
Monitorar a glicemia é um dos principais cuidados antes do exercício
O acompanhamento da glicemia é um dos pontos mais importantes para quem tem diabetes e pratica atividades físicas, principalmente para quem utiliza insulina.
Em um episódio do podcast Diabetes Cast, do Um Diabético, a endocrinologista Dra. Denise Franco explicou que a glicemia funciona como um direcionamento para as decisões que serão tomadas antes e durante o exercício.
“Monitorar a glicemia é importante porque ela vai ser o direcionamento para a conduta que você vai ter junto ao exercício físico”, explicou a médica.
Segundo Denise, uma pessoa que usa insulina precisa avaliar o valor da glicemia antes de iniciar uma atividade para entender quais medidas serão necessárias naquele momento.
Dependendo do resultado, pode ser necessário consumir carboidratos para evitar uma hipoglicemia durante o exercício ou realizar ajustes quando a glicose estiver elevada.
A especialista compara a situação a dirigir um carro sem enxergar o caminho.
“Você não sabe para onde vai. Pode subir, pode cair. É fundamental”, explicou.
A médica também destaca que apenas medir a glicemia não é suficiente. É importante saber interpretar o resultado e ter orientação da equipe de saúde para entender quais atitudes tomar em cada situação.
Hipoglicemia durante a trilha: quais são os sinais?
Um dos principais pontos abordados na conversa entre Fabinho e Gaspareto na trilha foi a hipoglicemia, condição em que a glicemia fica abaixo dos níveis recomendados.
Fabinho conta que consegue perceber quando a glicose está baixa por meio de sinais apresentados pelo próprio corpo, como tremores e perda de equilíbrio. Segundo ele, durante uma trilha, já percebeu alterações na coordenação e precisou parar para medir a glicemia.
A hipoglicemia merece atenção durante atividades ao ar livre porque pode afetar a concentração, a tomada de decisões e a segurança da pessoa, principalmente em locais com terrenos irregulares ou de difícil acesso.
Por isso, quem tem diabetes e pratica exercícios precisa estar preparado para reconhecer os sinais e agir rapidamente quando necessário.
“Doce tanto pode me matar, como pode salvar minha vida”: entenda a frase
Outro momento que chamou atenção no vídeo foi quando Fabinho mostrou que leva alimentos como chocolates, balas e outros doces durante as trilhas.
A reação de surpresa de Gaspareto representa uma dúvida que ainda existe entre muitas pessoas: quem tem diabetes pode consumir açúcar?
A resposta depende do contexto. Embora a alimentação precise ser considerada dentro do tratamento do diabetes, alimentos ricos em carboidratos de absorção rápida podem ser utilizados em situações de hipoglicemia para ajudar a elevar a glicemia.
Por isso, a frase dita durante a conversa chamou atenção:
“Doce tanto pode me matar, como pode salvar minha vida.”
O significado está justamente na diferença entre consumir açúcar sem orientação e utilizar carboidratos como parte do tratamento de uma queda de glicose.
Em uma situação de hipoglicemia, uma bala, um sachê de glicose ou outro alimento com açúcar pode ajudar a recuperar os níveis de glicemia e evitar sintomas mais intensos.
Cuidados com os pés também fazem parte da preparação
Além do controle da glicemia, pessoas com diabetes que praticam trilhas precisam ter atenção especial aos pés.
Durante o podcast Diabetes Cast, a Dra. Denise Franco destacou que alterações nos nervos, como a neuropatia diabética, podem reduzir a sensibilidade e fazer com que pequenos machucados não sejam percebidos.
Em uma trilha, o contato prolongado com o calçado, pedras, terrenos irregulares e atritos pode favorecer o surgimento de lesões.
Por isso, alguns cuidados são importantes:
- Verificar os pés antes e depois da atividade;
- Observar se existem bolhas, cortes ou ferimentos;
- Utilizar calçados adequados para o tipo de percurso;
- Escolher meias confortáveis, evitando aquelas que possam causar atrito;
- Procurar orientação médica caso existam alterações ou feridas.
A médica também alerta para o uso inadequado de alguns produtos nos pés. Segundo ela, o excesso de talco pode se misturar ao suor e favorecer irritações e outros problemas.
Começar aos poucos também faz parte da segurança
Outro ponto abordado pela Dra. Denise Franco é a importância de respeitar o processo de adaptação do corpo.
Pessoas com diabetes que estão iniciando uma rotina de exercícios ou voltando após um período paradas devem evitar começar com atividades muito intensas de uma vez.
A recomendação é iniciar gradualmente, aumentando a intensidade conforme o condicionamento físico evolui e sempre considerando as orientações da equipe de saúde.
O exercício físico pode trazer benefícios para a saúde cardiovascular, condicionamento físico e qualidade de vida, mas a segurança deve ser prioridade.
Quais cuidados uma pessoa com diabetes deve ter antes de uma trilha?
Para quem deseja praticar uma atividade como trilha, alguns cuidados podem ajudar a tornar a experiência mais segura:
- Monitorar a glicemia antes, durante e após a atividade, quando indicado;
- Levar carboidratos de ação rápida para tratar possíveis episódios de hipoglicemia;
- Ter água e alimentos suficientes para o percurso;
- Conhecer os sinais que o próprio corpo apresenta;
- Informar acompanhantes sobre a condição;
- Seguir orientações da equipe de saúde sobre ajustes de tratamento;
- Usar equipamentos e calçados adequados.
Cada pessoa pode responder de uma maneira diferente ao exercício. Por isso, entender o próprio organismo é uma das principais ferramentas para praticar atividades físicas com mais segurança.
As estratégias utilizadas por Fabinho fazem parte da experiência pessoal dele e não substituem uma orientação individualizada. Pessoas com diabetes devem conversar com sua equipe de saúde para entender quais cuidados são mais adequados para sua realidade.
Diabetes não define até onde uma pessoa pode chegar
Além de mostrar uma rotina de cuidados, o vídeo ajuda a combater uma ideia ainda comum: a de que pessoas com diabetes precisam evitar determinadas experiências.
O diagnóstico exige responsabilidade, acompanhamento e atenção diária, mas não significa abandonar esportes, aventuras ou atividades que fazem parte dos objetivos pessoais de cada indivíduo.
Com informação, preparo e acompanhamento adequado, pessoas com diabetes podem praticar trilhas e diversas outras atividades físicas.
Histórias como a de Fabinho ajudam a mostrar uma mudança importante na forma como o diabetes é visto: a condição faz parte da vida de milhões de pessoas, mas não define todos os caminhos que elas podem percorrer.
