Em um ano marcado pelo reencontro com o público do Kid Abelha, Paula Toller também tem compartilhado uma história pessoal que começou longe dos palcos. A cantora tinha 47 anos quando uma consulta de rotina com um dermatologista levou à descoberta de que estava com diabetes tipo 1.
Em 2026, Paula voltou a dividir os palcos com George Israel e Bruno Fortunato na turnê “Eu Tive Um Sonho”, que percorre diferentes cidades brasileiras. A série de apresentações começou em junho e marca o reencontro dos três músicos com o repertório que atravessou décadas da música brasileira.

Foi justamente Paula quem revelou detalhes de um momento bem diferente de sua trajetória: o diagnóstico de diabetes tipo 1. Segundo a cantora, durante uma consulta, o dermatologista percebeu que ela estava muito magra e decidiu solicitar um exame de sangue.
O resultado mostrou uma glicose de 400 mg/dL em jejum, de acordo com o relato da artista.
A história foi compartilhada por Paula em vídeos da campanha “O futuro te espera, de asas abertas”, divulgada pelo Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICDRS). A cantora é embaixadora da instituição e, nos conteúdos, fala sobre o diagnóstico, a convivência com o diabetes tipo 1 e a importância da rede de apoio.
Dermatologista percebeu perda de massa magra
Paula contou que fazia acompanhamento anual com o dermatologista quando o profissional percebeu uma mudança em seu corpo.
“Ele falou: ‘Você tá perdendo massa magra, Paula’”, relembrou.
Diante da observação, o médico solicitou um exame de sangue.
“E a minha glicose deu 400 em jejum”, contou a cantora.
Segundo Paula, o resultado chamou a atenção do laboratório, que entrou em contato com o médico. Foi o próprio dermatologista quem comunicou a ela o diagnóstico.
“Eu achava que era só com adolescente”
Receber o diagnóstico aos 47 anos também surpreendeu Paula por outro motivo: ela não imaginava que poderia desenvolver diabetes tipo 1 naquela fase da vida.
“Foi muito estranho, assim, porque eu achava meio impossível”, afirmou.
“Gente, mas como? Eu tenho 47 anos. Isso não acontece”, relembrou.
A cantora explicou que associava a condição às pessoas mais jovens: “Eu achava que era só com o adolescente que acontecia isso.”

O diabetes tipo 1, no entanto, pode ser diagnosticado em qualquer idade, inclusive na vida adulta. A doença ocorre quando há destruição das células beta do pâncreas, geralmente por um processo autoimune, provocando deficiência de insulina.
Depois da descoberta, Paula contou que ficou três dias internada para aprender a lidar com a nova rotina.
“Fui atrás do que eu teria que fazer. Fiquei internada três dias para entender como proceder, como usar a insulina”, relatou.
Ela também recebeu orientações sobre como manejar a glicemia depois que deixasse o hospital.
Dado Villa-Lobos já tinha diabetes e ajudou Paula
Nesse início de adaptação, Paula encontrou apoio em outro nome conhecido da música brasileira: Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana.
Os dois já eram amigos e Dado já convivia com diabetes havia muitos anos.

“Eu tenho um grande amigo, que é o Dado Villa-Lobos, todo mundo conhece, da Legião Urbana, e ele é diabético desde garoto”, contou Paula.
Logo depois de receber o diagnóstico, Paula procurou o amigo.
“Poxa, Dado, e agora? Como é que eu vou fazer? Eu peguei de você essa doença?”, perguntou em tom de brincadeira. Na sequência, ela própria esclareceu que diabetes não é uma condição contagiosa.
A experiência de Dado passou a ajudar Paula a entender situações que até então eram novas para ela.
Segundo a cantora, o músico foi ensinando como avaliar quando a glicemia estava adequada, quando não estava e o que fazer diante dessas situações. Dado também conversou com ela sobre episódios de hipoglicemia e chegou a brincar para que guardasse os doces para esses momentos.
Rede de apoio também fez diferença
Nos vídeos divulgados pelo ICDRS, Paula destacou que o apoio não veio apenas de Dado. A cantora também falou sobre a participação do marido, Lui Farias, e sobre a importância de familiares e amigos entenderem o diabetes.
Para ela, conhecer situações como hipoglicemia e hiperglicemia é importante não apenas para quem recebeu o diagnóstico, mas também para quem está por perto.
“As pessoas se preocupam com a gente”, afirmou.
Paula destacou ainda a necessidade de familiares, irmãos, amigos e parceiros conhecerem melhor a condição e incentivarem a continuidade do tratamento.
Paula Toller é embaixadora do Instituto da Criança com Diabetes
A relação da cantora com o Instituto da Criança com Diabetes ganhou força após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Segundo o ICDRS, Paula participou da mobilização para arrecadar insulinas e outros insumos destinados às pessoas com diabetes afetadas pelo desastre.

Em março de 2025, ela aceitou o convite para se tornar embaixadora nacional da instituição.
Meses depois, tornou-se protagonista da campanha “O futuro te espera, de asas abertas”. Segundo o Instituto, a série é formada por cinco vídeos nos quais Paula compartilha experiências relacionadas à rotina, aos desafios e ao manejo do diabetes tipo 1.
Em um dos conteúdos, a cantora explica por que decidiu falar publicamente sobre a própria experiência.
“Espero que eu consiga contar a minha experiência também para vocês no diagnóstico da DM1 e ajudar a disseminar informação importante, válida e com credibilidade”, afirmou.
A história de Paula também chama atenção para uma informação importante sobre o diabetes tipo 1: o diagnóstico não acontece apenas durante a infância ou adolescência. A condição também pode surgir na vida adulta, como ocorreu com a cantora, que descobriu o diabetes aos 47 anos depois que um médico percebeu uma alteração durante uma consulta que, inicialmente, não tinha relação com a doença.
Fontes: relatos de Paula Toller divulgados na campanha “O futuro te espera, de asas abertas”, do Instituto da Criança com Diabetes do Rio Grande do Sul (ICDRS).