O Ministério da Saúde publicou uma nova nota técnica nesta terça-feira (16), que amplia a estratégia de transição da insulina NPH para a insulina glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A principal mudança é que a iniciativa deixa de ficar restrita ao projeto-piloto realizado em quatro unidades federativas e passa a ter autorização para implementação em todo o país, de forma gradual.

Além disso, o governo reduziu a idade mínima para o grupo de idosos contemplados. Enquanto o projeto-piloto priorizava pessoas com 80 anos ou mais, a nova estratégia passa a incluir pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
A medida também mantém o acesso para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 entre 2 e 17 anos, incluindo novos diagnósticos.
Como funcionava o projeto-piloto da insulina glargina
Antes da publicação da Nota Técnica Conjunta nº 169/2026, o Ministério da Saúde conduzia um projeto-piloto no Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná.
O objetivo era avaliar aspectos operacionais, assistenciais e logísticos relacionados à substituição gradual da insulina humana NPH pela insulina glargina.
Durante essa etapa, o governo acompanhou o consumo do medicamento, a organização da assistência farmacêutica e a adaptação das equipes de saúde ao novo modelo de atendimento.
Segundo o documento, os resultados permitiram analisar a demanda e o uso da tecnologia em condições reais de atendimento.
Quem pode receber a insulina glargina nesta nova fase
A nova estratégia nacional estabelece como público elegível:
- Crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, com idade igual ou superior a 2 anos e inferior a 18 anos;
- Pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1;
- Pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 2.
Os critérios também contemplam pessoas com diagnóstico recente. Além disso, adolescentes que completarem 18 anos durante a implementação da estratégia poderão permanecer utilizando o esquema terapêutico definido anteriormente, sem interrupção do tratamento.
No entanto, a dispensação continuará dependendo de prescrição válida, avaliação clínica individualizada e cumprimento dos fluxos assistenciais definidos pelos serviços de saúde.
O que muda na prática para quem usa insulina NPH
A nova nota técnica recomenda que os profissionais de saúde realizem a substituição da insulina NPH pela insulina glargina para pacientes que atendam aos critérios da estratégia.
Segundo o Ministério da Saúde, a decisão ocorre em um cenário de restrição global na produção de insulinas humanas, incluindo a NPH.
Nesse contexto, o governo busca garantir o abastecimento contínuo dos medicamentos e ampliar as opções terapêuticas disponíveis na Atenção Primária à Saúde.
A implementação, porém, não ocorrerá ao mesmo tempo em todo o país. Estados e municípios deverão organizar a transição de acordo com a disponibilidade logística e a capacidade local de armazenamento e distribuição.
Quando a distribuição começará
O Ministério da Saúde informou que a primeira remessa nacional da insulina glargina está prevista para junho de 2026.
Os quantitativos enviados inicialmente serão definidos com base no número estimado de pacientes elegíveis em cada estado, na velocidade da adesão à transição terapêutica e na capacidade de armazenamento dos territórios. Por isso, o acesso deverá ocorrer de forma progressiva.
Pessoas atendidas pelo CEAF continuam com as regras atuais
A nota técnica também esclarece que pacientes das faixas etárias contempladas que já recebem insulina glargina pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) deverão permanecer, neste momento, seguindo as regras atuais.
O Ministério da Saúde informou que uma eventual migração entre os componentes ainda será analisada futuramente. Dessa forma, o objetivo é evitar duplicidade no fornecimento dos medicamentos.
Como será feita a troca da NPH pela glargina
O documento estabelece orientações para os profissionais de saúde durante a transição. Pacientes que utilizam NPH uma vez ao dia poderão realizar a conversão mantendo a mesma dose.
Já aqueles que utilizam NPH duas ou mais vezes ao dia deverão iniciar a glargina com redução aproximada de 20% da dose total diária anterior.
A nota técnica reforça que a dose deve ser ajustada de forma individualizada, considerando principalmente os resultados da glicemia de jejum.
Além disso, o Ministério da Saúde recomenda monitoramento mais frequente durante as primeiras semanas após a mudança.
O que cada paciente receberá pelo SUS
A estratégia prevê a distribuição de:
- Caneta reutilizável;
- Carpules ou tubetes de insulina glargina 100 UI/mL;
- Agulhas de 4 mm para aplicação.
O documento informa que cada usuário deverá receber os insumos necessários para o tratamento dentro da organização local de cada rede de saúde.
Além disso, farmacêuticos deverão orientar os pacientes sobre a montagem da caneta, teste de fluxo, armazenamento e aplicação correta da insulina.
Ministério da Saúde prevê novas ampliações no futuro
A nota técnica afirma que a ampliação gradual das faixas etárias elegíveis poderá ocorrer futuramente.
Segundo o documento, novas expansões dependerão das análises técnicas realizadas pelo Ministério da Saúde durante o monitoramento da estratégia nacional.
Para isso, estados e municípios deverão informar regularmente dados sobre dispensação e utilização da insulina glargina ao longo de 2026.
O acompanhamento servirá para orientar decisões sobre os próximos passos da política pública.