O medo de hipoglicemia faz parte da rotina de muitas pessoas que convivem com diabetes tipo 1. Esse receio costuma influenciar decisões sobre alimentação e uso de insulina, principalmente no período da noite.
Segundo a nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos, o comportamento aparece com frequência no momento da ceia, quando parte dos pacientes decide não aplicar insulina antes de dormir.
Medo de hipoglicemia influencia decisões antes de dormir
A hipoglicemia ocorre quando os níveis de glicose no sangue caem abaixo do necessário para o funcionamento do organismo. Em quem usa insulina, o risco pode aumentar durante o sono.
Nesse contexto, muitas pessoas desenvolvem receio de aplicar insulina antes da ceia. A preocupação envolve a possibilidade de a glicose cair durante a madrugada.
De acordo com Tarcila Campos, essa situação é comum no acompanhamento de pessoas com diabetes tipo 1.
“O medo de hipoglicemia é comum e legítimo entre pacientes que utilizam insulina”, explica.
Por isso, algumas pessoas optam por não aplicar insulina para o lanche consumido antes de dormir.
Ceia pode ter mais carboidrato que o jantar
Esse comportamento pode gerar outro efeito no controle da glicose. Segundo Tarcila Campos, em alguns casos a ceia acaba tendo mais carboidrato que o jantar.
No jantar, por exemplo, a pessoa pode consumir três colheres de arroz, carne e salada. Essa refeição pode atingir cerca de 20 gramas de carboidrato e receber cobertura de insulina.
Depois, já próximo do horário de dormir, a escolha pode ser um iogurte com fruta. Isoladamente, os alimentos não apresentam problema. No entanto, a soma dos carboidratos pode superar a quantidade ingerida no jantar.
Um iogurte pode conter cerca de 10 gramas de carboidrato. Uma banana grande pode acrescentar entre 20 e 25 gramas. Nesse cenário, a ceia pode ultrapassar a carga de carboidrato da refeição anterior.
Sem insulina, glicose pode subir na madrugada
Quando a ceia contém carboidrato e não recebe cobertura de insulina, pode ocorrer aumento da glicose durante a madrugada. Segundo Tarcila Campos, esse efeito depende também do ajuste da insulina basal utilizada pela pessoa.
Se a dose basal não estiver ajustada para lidar com essa ingestão de carboidrato, a glicemia pode subir durante a noite. Portanto, o medo de hipoglicemia pode levar a decisões que interferem no controle glicêmico.
Rotina noturna exige acompanhamento
O controle da glicose durante a noite envolve vários fatores. Alimentação, dose de insulina e histórico de hipoglicemia fazem parte dessa avaliação.
Nesse contexto, profissionais de saúde costumam orientar análise individual da rotina alimentar e do esquema de insulina.
Além disso, o acompanhamento permite avaliar estratégias que reduzam o medo de hipoglicemia e mantenham o controle glicêmico durante a madrugada.