Uma rotina de caminhada após o café da manhã tem contribuído para reduzir picos de glicemia em uma criança com diabetes tipo 1, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. O relato é de Lidiane Aparecida dos Reis Vilaça Brito, 45 anos, mãe de Letícia Maria dos Reis Brito, hoje com 9 anos, diagnosticada em 6 de outubro de 2020, após um quadro grave de cetoacidose diabética, com glicemia de 530 mg/dL e internação por seis dias.
Além disso, a experiência foi registrada em vídeo e compartilhada nas redes sociais como forma de demonstrar, na prática, o impacto da atividade física leve associada à insulina ativa e à alimentação. Nesse contexto, o conteúdo chamou a atenção de outras famílias que convivem com o diabetes tipo 1 na infância.
Diagnóstico tardio e início do tratamento
Antes do diagnóstico, Letícia apresentou sintomas clássicos do diabetes tipo 1, como aumento do volume urinário, sede excessiva e emagrecimento progressivo. No entanto, a confirmação ocorreu apenas após uma piora clínica, que levou a família ao hospital.
Por outro lado, Lidiane relata que o impacto emocional foi intenso. A família havia perdido um filho recém-nascido anos antes, o que fez com que o diagnóstico reacendesse o medo constante de uma nova perda. Portanto, além do tratamento médico, todos precisaram de acompanhamento psicológico para lidar com o luto e com a nova realidade.
Rotina de cuidados 24 horas por dia
Atualmente, Letícia realiza acompanhamento particular, com uma rotina de cuidados contínuos. Segundo a mãe, o manejo do diabetes exige atenção permanente, especialmente em relação à alimentação, às doses de insulina e ao monitoramento da glicemia.
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Além disso, a família incorporou atividades físicas regulares ao dia a dia da criança. Entre elas estão caminhada, funcional, dança, exercícios aeróbicos e circuitos adaptados. Ainda assim, Lidiane destaca que manter uma alimentação equilibrada para uma criança nem sempre é simples, o que exige planejamento constante.
O impacto da caminhada após o café da manhã
O vídeo com quase 1 milhão de visualizações mostra uma caminhada de aproximadamente 35 minutos, com percurso total de cerca de 3 quilômetros, realizada logo após o café da manhã. Nesse dia específico, a família registrou alimentação, insulina aplicada e valores glicêmicos antes e depois da atividade.
Enquanto isso, a mãe observou que, com insulina ativa do café e a caminhada, a glicemia atingiu um valor mais baixo do que o habitual. Quando a atividade não é realizada, o pico glicêmico tende a ser mais alto e mais prolongado. Portanto, a prática passou a fazer parte da rotina matinal da família.
O que a ciência diz sobre atividade física e glicemia
Estudos mostram que a atividade física aeróbica moderada pode melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir picos glicêmicos em pessoas com diabetes tipo 1. No entanto, especialistas reforçam que os efeitos variam conforme intensidade, duração, horário do exercício e presença de insulina ativa.
Nesse contexto, sociedades médicas alertam que crianças com diabetes tipo 1 devem praticar atividade física com orientação profissional e monitoramento frequente da glicemia, para evitar episódios de hipoglicemia. Ainda assim, a caminhada é considerada uma atividade segura e acessível para muitas famílias.
Evidência prática, não experimento científico
Apesar do impacto observado, Lidiane deixa claro que o registro não se trata de um estudo científico. Trata-se de uma observação prática, feita dentro da rotina familiar, sem controle de variáveis ou comparação sistemática.
Ainda assim, o relato ajuda a ilustrar, de forma concreta, como ajustes simples no cotidiano podem influenciar o controle glicêmico. Portanto, a experiência reforça a importância da educação em diabetes e da individualização do tratamento.
Viver com diabetes, não viver para o diabetes
Cinco anos após o diagnóstico, a família relata uma rotina mais organizada e menos marcada pelo medo constante. Segundo Lidiane, o objetivo é manter o cuidado sem que o diabetes ocupe todo o espaço da vida da criança.
Nesse sentido, a frase que guia a família resume essa busca por equilíbrio: “Viver com diabetes, não viver para o diabetes”. Ainda assim, a mãe reforça que o aprendizado é contínuo e que cada dia traz novos desafios.
Referências científicas e institucionais:
- Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes
https://diabetes.org.br - American Diabetes Association (ADA). Physical Activity/Exercise and Diabetes. Diabetes Care.
https://diabetesjournals.org - International Society for Pediatric and Adolescent Diabetes (ISPAD). Clinical Practice Consensus Guidelines.
https://www.ispad.org
