O diabetes pode provocar alterações nos vasos de sangue da retina, uma estrutura do olho que permite a formação das imagens. Em muitos casos, essas mudanças aparecem antes de sintomas percebidos pelo paciente. Por isso, o exame de fundo de olho entra na rotina de acompanhamento de quem vive com diabetes.
A oftalmologista Letícia Rubman explica que a retina está entre as estruturas mais vulneráveis ao diabetes. Segundo ela, as alterações relacionadas à doença são microvasculares. Isso significa que envolvem vasos pequenos, como os que existem nos olhos.
O que a glicose alta pode causar na retina
A retinopatia diabética ocorre quando o diabetes compromete os vasos de sangue da retina. A pessoa pode não sentir dor, não perceber perda de visão e ainda assim apresentar alterações no exame.
No relato apresentado pela apresentadora advogada e apresentadora Eloisa Malieri do DiabetesCast, ela contou que acordou com uma manchinha no olho. Ela descreveu a sensação como uma “mosquinha” que não voava, mas acompanhava o campo de visão. Após avaliação médica, recebeu o diagnóstico de retinopatia diabética.
Esse tipo de sintoma pode chamar atenção, mas Letícia Rubman reforça que o problema também pode aparecer sem sinais. A alteração pode estar presente mesmo quando a pessoa enxerga bem.
Por que o fundo de olho é importante no diabetes
O exame de fundo de olho permite avaliar a retina e observar vasos de sangue. Segundo Letícia Rubman, trata-se de um exame pouco invasivo e com acesso mais simples ao paciente.
A avaliação ajuda o oftalmologista a identificar sinais de comprometimento microvascular. Esses achados também podem indicar a necessidade de investigar outros órgãos que sofrem impacto do diabetes.
A especialista explica que, ao encontrar alguma alteração, conversa com o endocrinologista do paciente ou orienta a própria pessoa a buscar avaliação. O objetivo é iniciar um rastreio de outros possíveis comprometimentos, principalmente nos rins.
Retinopatia diabética pode aparecer sem aviso
A retinopatia diabética pode ser assintomática. Isso cria um desafio para quem convive com diabetes, porque a ausência de incômodo não significa ausência de alteração.
No episódio, a paciente relatou que não se lembrava de sinais anteriores ao diagnóstico. Após o tratamento com laser, ela ficou bem. Mesmo assim, contou que não recebeu orientação para rastrear outros comprometimentos microvasculares depois do achado nos olhos.
Com o tempo, ela descobriu também alterações relacionadas ao pé diabético, com perda de sensibilidade em área periférica. O relato mostra como diferentes partes do corpo podem sofrer efeitos do diabetes.
Fundo de olho serve só para quem tem diabetes?
Letícia Rubman afirma que o exame de fundo de olho faz parte da rotina oftalmológica, mesmo em pessoas sem diabetes. Segundo ela, para dizer que está tudo bem, o médico precisa examinar o paciente.
O mapeamento de retina pode identificar alterações em pessoas sem diagnóstico anterior. A oftalmologista relata casos de pacientes que procuraram consulta para grau de óculos, enxergavam bem e não usavam medicação. Durante o exame, apareceram alterações microvasculares.
Nessas situações, o achado pode levar o médico a orientar uma avaliação clínica. O caminho pode ser inverso: a pessoa procura o oftalmologista e, a partir do fundo de olho, recebe indicação para investigar diabetes, hipertensão ou outras condições.
Diabetes tipo 2 pode já ter sinal nos olhos no diagnóstico
Letícia Rubman cita que, em 38% das vezes, quando o diabetes tipo 2 é diagnosticado, o paciente já apresenta retinopatia. Esse dado ajuda a explicar por que a avaliação oftalmológica deve fazer parte do cuidado desde o início.
O diabetes tipo 2 pode evoluir por anos sem diagnóstico. Durante esse período, a glicose alta pode afetar vasos pequenos. A retina pode registrar esses sinais antes de a pessoa notar mudança na visão.
O que o exame pode mostrar sobre o corpo
A avaliação da retina não mostra apenas a saúde dos olhos. Segundo Letícia Rubman, o fundo de olho ajuda a entender como o organismo se comporta diante das alterações microvasculares.
Quando há comprometimento na retina, o profissional pode levantar a necessidade de investigar rins e circulação periférica. Essa conduta depende da avaliação médica e do histórico de cada paciente.
Para quem vive com diabetes, o exame não substitui o acompanhamento com endocrinologista. Ele complementa o cuidado e pode ajudar na identificação de sinais que não aparecem no dia a dia.