A visão pode ficar embaçada durante uma alteração da glicose, mesmo quando a pessoa não apresenta outros sinais percebidos de hiperglicemia. Segundo a oftalmologista Dra. Letícia Rubman, especialista em retina, uma glicose de 200 mg/dL ou mais pode provocar manifestações visuais.
A alteração, no entanto, não significa necessariamente que a retina sofreu uma lesão. Nesse caso, a mudança na visão pode acompanhar a elevação da glicose e melhorar depois que a glicemia volta a níveis adequados.
Por isso, quem vive com diabetes e percebe uma mudança repentina na visão precisa observar também a glicemia. Além disso, a presença ou ausência de outros sintomas não permite descartar uma alteração da glicose.
Glicose alta pode deixar a visão embaçada
A visão embaçada pode aparecer durante períodos de glicemia elevada. De acordo com Dra. Letícia Rubman, a partir de 200 mg/dL pode ocorrer uma manifestação visual associada à glicose.
O sintoma pode surgir ao longo do dia ou já estar presente ao acordar. Nesse contexto, a orientação apresentada pela especialista é verificar a glicemia quando a pessoa perceber uma alteração visual.
A visão pode voltar ao normal após a correção da glicemia. Portanto, esse tipo de alteração não representa, por si só, uma lesão permanente na retina.
A especialista explica que uma única medida elevada não significa que houve comprometimento da retina. No entanto, a alteração visual merece atenção, principalmente em quem convive com diabetes.
Por que a visão pode mudar quando a glicemia sobe?
A entrevista explica que existe uma relação entre a alteração da glicemia e a manifestação visual. Entretanto, o conteúdo não detalha o mecanismo técnico responsável por essa mudança.
Por isso, não é possível atribuir toda visão embaçada à retinopatia diabética. A pessoa pode apresentar uma alteração visual relacionada à glicemia sem ter uma progressão da doença na retina.
Além disso, a retinopatia diabética pode permanecer sem sintomas. Essa diferença é importante para quem convive com diabetes, porque uma pessoa pode enxergar bem e ainda apresentar alterações na retina.
Nesse cenário, perceber a visão embaçada e verificar a glicemia pode ajudar a identificar uma possível relação entre o sintoma e a glicose.
Visão embaçada significa retinopatia diabética?
Não necessariamente. A retinopatia diabética pode começar com alterações nos pequenos vasos da retina que o paciente não consegue perceber.
Segundo Dra. Letícia Rubman, especialista em retina, os primeiros sinais podem incluir microaneurismas. Essas alterações são muito pequenas e aparecem durante o exame oftalmológico.
Portanto, a pessoa não consegue identificar a retinopatia apenas olhando no espelho ou observando a própria visão. O exame permite ao oftalmologista avaliar alterações que permanecem fora da percepção do paciente.
Por outro lado, a visão embaçada pode aparecer em situações relacionadas à glicemia. Assim, o sintoma não deve ser usado sozinho para identificar ou descartar retinopatia.
O que fazer quando a visão fica embaçada?
Quando a pessoa com diabetes percebe uma mudança na visão, a primeira medida apresentada na entrevista é verificar a glicemia.
A pessoa pode fazer uma medição e observar se a glicose está elevada. Caso a alteração visual acompanhe a glicemia alta, a correção da glicose pode melhorar o sintoma.
No entanto, a melhora da visão não substitui o acompanhamento oftalmológico. Isso acontece porque a retinopatia diabética pode evoluir sem sintomas.
Além disso, a frequência das consultas depende do histórico de cada paciente. Pessoas sem retinopatia podem fazer acompanhamento anual, enquanto pacientes com alterações podem precisar de consultas em intervalos menores.
Hipoglicemia também pode alterar a visão
A alteração visual não aparece apenas quando a glicose está alta. Durante a entrevista, Dra. Letícia Rubman também afirma que a hipoglicemia pode provocar sintomas visuais.
Segundo a especialista, a manifestação ocorre com mais frequência durante a hiperglicemia. Ainda assim, a queda da glicose também pode produzir alterações na visão.
Por isso, uma mudança visual em quem tem diabetes precisa ser analisada dentro do contexto da glicemia. Nesse caso, medir a glicose ajuda a entender o que pode estar acontecendo naquele momento.
Quando a visão embaçada merece investigação da retina?
A visão pode melhorar depois da correção da glicemia. Ainda assim, isso não elimina a necessidade de acompanhamento oftalmológico.
A retinopatia diabética pode permanecer silenciosa durante anos. Na entrevista, a especialista explica que alterações iniciais podem não provocar sintomas porque não atingem o centro da visão.
Com a progressão da doença, podem surgir alterações mais importantes. Entre elas estão a formação de novos vasos sanguíneos e o edema macular.
O edema macular atinge a mácula, região central da retina. Nesse quadro, o paciente pode perceber perda de foco para enxergar de perto ou de longe.
Portanto, a visão embaçada pode ter relação com diferentes situações. A glicemia elevada pode provocar uma alteração temporária, enquanto doenças da retina também podem comprometer a visão.
Exame de fundo de olho ajuda a identificar alterações silenciosas
O acompanhamento oftalmológico permite avaliar a retina mesmo quando o paciente não percebe mudanças na visão.
Segundo Dra. Letícia Rubman, o exame de fundo de olho faz parte da avaliação oftalmológica de rotina. No diabetes, ele também ajuda a identificar alterações microvasculares relacionadas à doença.
A especialista explica que pacientes com diabetes tipo 1 devem iniciar a avaliação com oftalmologista a partir de cinco anos de diagnóstico ou durante a puberdade. No diabetes tipo 2, a avaliação deve ocorrer no momento do diagnóstico.
Depois disso, o intervalo depende do resultado do exame e da classificação da retinopatia. Portanto, o paciente precisa seguir a frequência definida pelo oftalmologista.
A visão embaçada associada à glicemia pode melhorar depois da correção da glicose. Já a retinopatia diabética exige acompanhamento para identificar alterações que podem permanecer sem sintomas.
