Uma previsão de vida limitada marcou o início da trajetória de Ricardo Negreiros de Paiva após o diagnóstico de diabetes tipo 1. Aos 14 anos, ele ouviu que poderia não passar dos 30. Em julho de 2026, completa 60 anos convivendo com a condição.
Ricardo recebeu o diagnóstico ainda jovem, quando praticava natação. A rotina incluiu restrições alimentares e cuidados que exigiam disciplina diária. Ele relata que precisava ferver seringa e agulhas antes de cada aplicação de insulina e calcular doses sem apoio tecnológico.
A expectativa de vida apresentada por profissionais de saúde limitava seus planos. Professores chegaram a demonstrar surpresa ao encontrá-lo vivo anos depois. Mesmo assim, ele decidiu manter projetos pessoais e profissionais.

Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 14 anos, ele ouviu que não passaria dos 30 mas viveu sonho na aviação e superou todos os estigmas – Imagem: Arquivo Pessoal
Tentativa de se tornar piloto após diagnóstico de diabetes tipo 1
Ricardo escolheu seguir a carreira de piloto. Ele passou nos exames teóricos e seguiu para a avaliação médica. O exame representava um ponto decisivo, pois poderia impedir a continuidade do processo.
“Fui aprovado. Foi uma conquista muito grande. Eu sou igual a qualquer outra pessoa que queira ser piloto; uma pessoa normal.”
Após essa etapa, ele também se formou engenheiro aeroespacial. Construiu família, teve três filhos e dois netos, enquanto mantinha o controle do diabetes ao longo das décadas.
Controle do diabetes tipo 1 com bomba de insulina e rotina diária
Ricardo utiliza bomba de insulina, que administra microdoses basais de forma contínua. O recurso faz parte da estratégia de controle glicêmico adotada por ele nos últimos anos.
Em dezembro de 2021, ele já utilizava a tecnologia e mantinha acompanhamento da glicemia. Desde então, seguiu com a mesma abordagem e ajustou a rotina conforme a necessidade.
Ele afirma que o controle do diabetes depende de disciplina, informação e uso de ferramentas disponíveis. A rotina inclui monitoramento frequente e ajustes nas doses conforme alimentação e atividade física.

Exercício físico como parte do tratamento do diabetes tipo 1
Ricardo mantém prática regular de atividade física. Ele nada, faz musculação e caminhadas. O exercício integra o tratamento e exige planejamento antes e durante a prática.
“Exercício físico é um remédio para a vida. Faz parte do tratamento.”
Antes de entrar na piscina, ele mede a glicemia, calcula o gasto energético e ajusta a insulina. Ele aprendeu a fazer esse controle sem sensores ou aplicativos, com base na experiência acumulada.
Criação de startup após convivência com diabetes e risco renal
Ricardo fundou a Kronics, startup sediada em Campinas, voltada a pacientes com doença renal crônica. A empresa atende pessoas em diálise, pré-diálise e transplantadas.
A base reúne cerca de 850 usuários e atende clínicas de nefrologia. Uma das sócias é nutricionista, área que ele considera central no manejo de doenças crônicas.
Ele explica que a escolha do foco tem relação direta com sua vivência. Pessoas com diabetes podem desenvolver complicações renais ao longo do tempo.
“Quem tem doença renal já descobre na porta da diálise, com pouca margem de manobra. A área é carente de soluções para os pacientes.”
A startup atua no período anterior à diálise, quando o paciente ainda tem entre 15% e 20% de função renal. O objetivo é apoiar o cuidado com alimentação, medicação e acompanhamento.
Relação entre diabetes tipo 1 e doença renal crônica
Ricardo destaca que parte dos pacientes que chegam à diálise não realizou acompanhamento preventivo. Ele afirma que cerca de 20% não tiveram cuidados antes do estágio avançado.
Ele compara as condições a partir da experiência com pacientes renais.
“Melhor ser diabético do que paciente renal crônico.”
Segundo ele, o diabetes controlado permite manutenção da rotina. Já a doença renal avançada limita opções de tratamento.
Seis décadas de uso de insulina e acesso ao tratamento
Ricardo completa 60 anos de uso de insulina em 2026. Ele relembra dificuldades de acesso no início do tratamento, quando o insumo era menos disponível.
“Agradeço a Deus por estar vivo. E aos doutores Banting e Best, pela descoberta da insulina. Sem ela, eu teria morrido há muito tempo.”
Ele afirma que conheceu pessoas que não tiveram acesso ou abandonaram o tratamento ao longo dos anos.
Adesão ao tratamento do diabetes tipo 1
Ricardo faz um alerta sobre a resistência ao uso de insulina e ao acompanhamento da condição. Ele aponta que parte dos pacientes evita o tratamento por medo ou falta de informação.
“Hoje, com tanta informação disponível, as pessoas não se cuidam. Por negação, ignorância ou porque não querem entender o que significa.”
Ele reforça a responsabilidade individual no cuidado com o diabetes.
“Tem muita gente que não usa insulina por medo. A ferramenta está aí. Usem. A responsabilidade está na sua mão. É você que tem que se cuidar.”
Rotina atual após 60 anos com diabetes tipo 1
Aos 74 anos, Ricardo mantém rotina com atividade física e gestão da saúde. Ele lidera uma empresa na área de saúde renal e segue ativo no trabalho.
Ele continua utilizando bomba de insulina e realizando monitoramento frequente da glicemia. A trajetória inclui adaptação ao longo de diferentes fases do tratamento do diabetes.
