De Milão, Itália – O Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD) começou nesta segunda-feira (28), em Milão, na Itália, com uma programação que reúne discussões sobre diabetes e condições associadas. O encontro é considerado um dos principais eventos científicos da área e reúne profissionais para apresentar pesquisas, discutir tratamentos e acompanhar o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao cuidado das pessoas com diabetes.
Esta é a 62ª edição do EASD, realizada no centro de convenções Allianz MiCo. O congresso segue até sexta-feira (2 de outubro), com participação presencial e transmissão para profissionais inscritos na plataforma virtual. Ao longo da semana, a programação reúne palestras, simpósios, apresentações científicas e atividades relacionadas ao tratamento e à pesquisa em diabetes.
O primeiro dia foi marcado pelo credenciamento dos participantes e pela realização de simpósios promovidos pela indústria. A programação ocupou diferentes salas do centro de convenções, com discussões sobre diabetes, obesidade e doenças relacionadas a essas condições.
O Um Diabético acompanha o congresso diretamente de Milão e fará a cobertura dos principais temas apresentados durante a semana. A proposta é explicar os assuntos discutidos pelos especialistas em uma linguagem acessível ao público brasileiro, destacando o que já possui evidências científicas e o que ainda está em fase de pesquisa.
Durante a cobertura do primeiro dia, a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco também participou das discussões. Ela acompanhou palestras e simpósios e destacou que os debates iniciais já abordaram o cenário do diabetes, da obesidade e das condições associadas.
Entre os temas discutidos, a forma como profissionais de saúde conversam com pacientes sobre obesidade esteve entre os assuntos acompanhados pela equipe. A abordagem do tema faz parte das discussões sobre o cuidado de pessoas que vivem com obesidade e diabetes e sobre como estabelecer uma comunicação que considere as diferentes necessidades de cada paciente.
Sensores e inteligência artificial entram na discussão
Uma das sessões da programação desta segunda-feira trata dos limites e das possibilidades do monitoramento por sensores no diabetes tipo 1 e no tipo 2. Outra aborda a integração desses dispositivos com outras tecnologias no cuidado diário.
O assunto interessa diretamente a quem utiliza sensores de glicose para acompanhar as variações ao longo do dia. A monitorização contínua permite observar não apenas um valor isolado, mas também o comportamento da glicose em diferentes períodos e situações.
A programação também inclui discussões sobre o papel da inteligência artificial e da tecnologia no tratamento com insulina basal. Estar na agenda do congresso, porém, não significa que uma ferramenta específica já tenha eficácia comprovada, aprovação no Brasil ou indicação para todas as pessoas com diabetes. Essas respostas dependem dos resultados apresentados e da avaliação de cada tecnologia.
A área destinada aos expositores da indústria também faz parte da programação do congresso. No primeiro dia, o espaço ainda estava em montagem e não estava aberto aos participantes. A visitação começa nesta terça-feira (29), quando empresas passam a apresentar produtos, dispositivos e tecnologias relacionados ao cuidado em diabetes.
O Um Diabético também acompanhará esse espaço ao longo da semana, com atenção às tecnologias voltadas à monitorização da glicose, aplicação de medicamentos, tratamento e acompanhamento das pessoas com diabetes.
Diabetes tipo 1: exames e tratamentos em debate
O diabetes tipo 1 ocupa espaço nas discussões do primeiro dia. Há uma sessão sobre como ampliar o uso clínico dos testes de autoanticorpos, exames que podem ajudar a identificar pessoas em diferentes estágios da doença, inclusive antes do aparecimento dos sintomas.
Outra discussão aborda o teplizumabe, medicamento estudado para retardar a progressão do diabetes tipo 1 em um grupo específico de pessoas. O tratamento é relacionado a uma fase anterior ao diagnóstico clínico do diabetes tipo 1 e representa uma das linhas de pesquisa discutidas atualmente na área.
Também está previsto um simpósio sobre terapias para o diabetes tipo 1. Para o público brasileiro, é necessário acompanhar esses debates considerando a diferença entre uma estratégia discutida em um congresso científico e uma opção disponível na prática clínica.
A apresentação de um medicamento ou tecnologia durante o EASD não significa que o produto esteja disponível no SUS, autorizado para uso no Brasil ou indicado para substituir a insulina em pessoas que já receberam o diagnóstico de diabetes tipo 1.
Obesidade, coração e rins também estão na agenda
O cuidado da obesidade a longo prazo aparece em sessões que abordam as necessidades do paciente e o papel de diferentes hormônios no metabolismo. A programação inclui discussões sobre medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, outras vias hormonais e suas possíveis relações com peso, glicose, rins e fígado.
A relação entre diabetes e obesidade também aparece associada às discussões sobre doenças cardiovasculares e renais. Há sessões sobre inibidores de SGLT2 e seus efeitos cardiovasculares e renais em pessoas com diabetes tipo 2, além de debates sobre doença renal relacionada ao diabetes e tratamentos voltados à proteção do coração e dos rins.
Esses temas fazem parte de uma abordagem que considera o diabetes além da glicemia. Pressão arterial, função renal, saúde cardiovascular, peso e outras condições associadas também podem interferir nas decisões relacionadas ao cuidado.
A técnica de aplicação de medicamentos injetáveis também está entre os assuntos previstos na programação. Uma sessão trata da lipohipertrofia, alteração no tecido sob a pele que pode ocorrer após aplicações repetidas na mesma região. O tema se relaciona à rotina de pessoas que utilizam insulina e também às orientações sobre outros medicamentos aplicados por via subcutânea.
O que acompanhar nos próximos dias
O primeiro dia do EASD apresenta algumas das linhas de discussão que devem atravessar a programação durante a semana. Entre elas estão tecnologia, monitorização da glicose, inteligência artificial, diabetes tipo 1, obesidade, doenças cardiovasculares e renais e novas estratégias de tratamento.
A partir desta terça-feira (29), a área de expositores passa a receber os participantes. O espaço funciona até quinta-feira (1º de outubro), conforme os horários divulgados pelo EASD, e deve concentrar apresentações de produtos, dispositivos e tecnologias desenvolvidos pela indústria.
O Um Diabético acompanha o congresso em Milão para identificar quais dados foram apresentados, em quem os estudos foram realizados e quais informações podem ter impacto para as pessoas com diabetes no Brasil.
A cobertura também vai diferenciar resultados de pesquisas, discussões científicas e apresentações realizadas por empresas, evitando transformar novidades apresentadas durante o congresso em recomendações de tratamento antes que existam evidências e autorizações necessárias.
Quem acompanha o Um Diabético poderá enviar dúvidas e indicar os temas que gostaria de ver na cobertura do EASD 2026. As informações serão apresentadas ao longo dos próximos dias pelo site, redes sociais, YouTube e WhatsApp do portal.