Uma mulher com diabetes tipo 1 decidiu transformar a própria rotina em narrativa audiovisual. O resultado é um curta-metragem que aborda as marcas deixadas pela condição no corpo e na vida de mulheres.
A produção surgiu a partir de um edital do Festival do Minuto, que propôs o tema “Mulheres que carregam”. A autora, Natália de Andrade Ribeiro, relata que a ideia veio de forma imediata ao se reconhecer como alguém que convive diariamente com a condição.
Curta parte da experiência com diabetes tipo 1
Natália recebeu o diagnóstico de diabetes tipo 1 aos 18 anos, em 2019. Desde então, ela descreve a rotina como variável, com momentos de maior e menor estabilidade. Nesse contexto, o curta busca traduzir essa vivência por meio de elementos simbólicos.
Além disso, a proposta conecta a experiência com a doença a aspectos do cotidiano. A ideia inicial surgiu durante uma atividade simples, enquanto ela regava um cacto. A partir disso, ela decidiu unir a natureza à condição crônica.
Portanto, o curta constrói uma narrativa que mistura elementos naturais com a presença constante do diabetes. A escolha não é aleatória, já que a rotina de quem convive com a condição exige atenção contínua.

Narrativa usa natureza e metáforas visuais
O curta apresenta uma abordagem que combina imagens da natureza com referências diretas ao impacto do diabetes tipo 1. Segundo a autora, há uma construção que dialoga com a ideia de carregar algo no dia a dia.
No entanto, a narrativa também introduz um tom irônico ao tratar a condição como uma espécie de “bênção”. Essa escolha cria contraste com a forma como a doença se manifesta na prática.
Além disso, o uso de elementos visuais busca representar o que a autora define como a “violência” da doença. Essa representação aparece de forma poética, sem recorrer a explicações diretas.
Enquanto isso, a construção estética aposta em uma linguagem simbólica para comunicar a experiência de viver com diabetes. O recurso permite que o público interprete as cenas a partir de diferentes perspectivas.
Rotina com diabetes aparece como eixo central
O curta destaca a rotina de quem convive com diabetes tipo 1 como elemento central da narrativa. A autora descreve o dia a dia recente como uma “montanha-russa”, ainda que com algum nível de estabilidade.
Nesse sentido, o material aponta para a oscilação frequente que pode marcar o controle da glicose. Ainda assim, a produção não apresenta dados clínicos ou explicações médicas, focando na vivência pessoal.
Por outro lado, o tema proposto pelo festival orienta a construção da narrativa. A ideia de “carregar” aparece associada à responsabilidade diária com a própria saúde.
Além disso, o curta reforça como a condição acompanha a pessoa em diferentes contextos, sem pausas. Essa presença constante aparece tanto nas imagens quanto na construção simbólica.
Produção insere diabetes em debate cultural
A participação no Festival do Minuto coloca o diabetes tipo 1 em um espaço de produção cultural. Nesse contexto, o curta amplia a discussão para além do campo clínico.
Portanto, a obra contribui para mostrar como a condição impacta aspectos subjetivos da vida. A abordagem não substitui informações médicas, mas apresenta uma perspectiva baseada na experiência individual.
Ainda assim, o material levanta questões sobre como mulheres convivem com doenças crônicas no cotidiano. A proposta do tema do festival direciona esse olhar para a dimensão prática e simbólica.
Enquanto isso, a narrativa construída por Natália se apoia em elementos pessoais para comunicar uma experiência compartilhada por outras pessoas com diabetes.