O chá pode fazer parte da rotina de quem tem diabetes, mas seu consumo exige atenção quando a bebida passa a ser vista como tratamento. A nutricionista e educadora em diabetes Tarcila Campos explica três cuidados para incluir chás no dia a dia sem substituir medicamentos.
Tarcila Campos é membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e abordou o tema durante o DiabetesCast. Segundo ela, o chá pode contribuir para a hidratação, mas não deve ocupar o lugar de medicamentos ou de outras estratégias indicadas pela equipe de saúde.

1. Chá pode fazer parte da hidratação
O consumo de chá pode contribuir para a ingestão de líquidos ao longo do dia. Segundo Tarcila, a bebida pode fazer parte da rotina de uma pessoa com diabetes, inclusive pelo sabor e pelo hábito associado ao consumo.
A nutricionista ressalta, no entanto, que a água continua sendo a principal fonte de hidratação. Outros líquidos também podem participar da ingestão diária, mas a composição de cada bebida precisa ser considerada.
Essa atenção também vale para quem apresenta glicose alta. Durante a hiperglicemia, o organismo aumenta a eliminação de glicose pela urina, e a hidratação auxilia esse processo.
2. Chá não substitui o tratamento
Uma das principais orientações da nutricionista é não usar o chá para substituir medicamentos ou outras formas de tratamento do diabetes. A existência de estudos sobre determinadas plantas não significa que elas possam ocupar o mesmo lugar de um medicamento.
Tarcila explica que algumas pesquisas avaliam componentes presentes nas plantas, como flavonoides e catequinas, além de possíveis efeitos sobre a sinalização da insulina e o transporte de glicose.
No entanto, esses resultados não permitem estabelecer que o consumo de uma infusão tenha o mesmo efeito de um medicamento. A especialista também diferencia o consumo de uma erva no dia a dia do uso de um composto concentrado com finalidade terapêutica.
A dose e a concentração também interferem nessa diferença. Segundo Tarcila, alguns estudos analisam concentrações específicas de determinados compostos, enquanto o preparo de um chá ocorre de outra maneira.
Por isso, a presença de algum benefício observado em pesquisa não significa que a pessoa possa aumentar o consumo da planta ou interromper um tratamento para usar o chá no lugar.
3. Observe o que você está consumindo
Nem todo chá utilizado por pessoas com diabetes tem a mesma finalidade. Durante a entrevista, Tarcila citou exemplos como chá verde, canela, pata-de-vaca e a chamada folha da insulina.
A nutricionista explicou que algumas plantas apresentam componentes estudados por possíveis efeitos relacionados à glicose. Ainda assim, esses estudos não estabelecem automaticamente uma recomendação terapêutica para o consumo dessas bebidas.
Outro ponto envolve a forma como a pessoa utiliza o chá. Consumir uma xícara como parte da rotina é diferente de tomar uma preparação várias vezes ao dia com a intenção de produzir um efeito medicinal.
Tarcila também orienta que a pessoa converse com a equipe de saúde sobre a distribuição dos líquidos ao longo do dia. A escolha deve considerar o papel da bebida na rotina e o tratamento que a pessoa já realiza.
Chá “natural” não significa tratamento
A ideia de que uma planta ou um chá pode ser usado no lugar de um medicamento aparece com frequência na conversa sobre diabetes. Segundo Tarcila, essa associação precisa ser evitada porque o fato de um produto ser natural não determina sua indicação ou sua segurança como tratamento.
A nutricionista também diferencia as regras aplicadas aos alimentos e aos medicamentos. Enquanto medicamentos passam por etapas de avaliação e acompanhamento relacionadas ao uso, ervas podem chegar ao consumidor por outros caminhos.
Por isso, consumir um chá como parte da rotina é diferente de utilizá-lo com a intenção de controlar o diabetes. A bebida pode participar da hidratação, mas não deve substituir o tratamento indicado para a pessoa.