A caneta de insulina também vêm incorporando recursos digitais para facilitar o acompanhamento do tratamento.
Durante a EASD 2026, em Milão, uma nova solução foi apresentada com a proposta de conectar os registros das aplicações aos dados de glicose em um único aplicativo.
A tecnologia combina a caneta inteligente InPen, da MiniMed, com o sensor de glicose Instinct, desenvolvido pela Abbott. A apresentação foi acompanhada pelo jornalista Tom Bueno durante a cobertura do congresso para o canal Um Diabético.
A solução é voltada para pessoas que fazem múltiplas aplicações diárias de insulina e utilizam caneta como forma de administração do medicamento.
Como funciona a caneta inteligente?
A InPen é uma caneta reutilizável que utiliza conexão Bluetooth para enviar ao aplicativo informações sobre as aplicações. De acordo com a fabricante, o dispositivo registra automaticamente a quantidade de insulina aplicada e o horário de cada dose.
Esses registros ficam armazenados no aplicativo e permitem consultar o histórico das aplicações. A ferramenta também possui uma calculadora de doses, que utiliza parâmetros definidos para o tratamento e informações como glicose, carboidratos e insulina ativa.
Os parâmetros utilizados no cálculo precisam ser definidos de acordo com o tratamento de cada pessoa, com orientação da equipe de saúde.
Dados de glicose e insulina no mesmo lugar
Um dos principais recursos apresentados no congresso é a integração entre a caneta e o sensor.
Enquanto o sensor acompanha os níveis de glicose, a caneta registra as aplicações de insulina. As duas informações podem ser visualizadas no aplicativo MiniMed Go, facilitando a consulta aos dados do tratamento em um mesmo ambiente.
Na interface mostrada em Milão, aparecem os níveis de glicose, os registros das aplicações e a estimativa de insulina que ainda está ativa.
Esse último dado não representa uma medição direta da quantidade de insulina no organismo. Trata-se de uma estimativa calculada pelo aplicativo a partir das doses registradas e dos parâmetros definidos para o tratamento.
Para que esse cálculo seja adequado, as doses recentes de insulina de ação rápida precisam estar registradas no sistema.
Uma opção para quem faz múltiplas aplicações
A tecnologia foi desenvolvida para o tratamento com múltiplas aplicações diárias de insulina, conhecido pela sigla MDI.
Nesse modelo, a pessoa realiza aplicações de insulina ao longo do dia, geralmente com caneta ou seringa. A proposta da solução é acrescentar recursos digitais a esse acompanhamento, como o registro automático das doses, o cálculo de aplicações e a integração com os dados de glicose.
A tecnologia não transforma a caneta em uma bomba de insulina. São formas diferentes de administrar o tratamento, e a escolha entre elas depende das necessidades de cada pessoa e da avaliação da equipe de saúde.
O que o aplicativo permite acompanhar?
Além do histórico das aplicações, a ferramenta apresenta a estimativa de insulina ativa, que considera as doses anteriores de insulina de ação rápida e indica quanto ainda pode estar atuando.
O sistema também oferece recursos de cálculo de doses, além de alertas e lembretes relacionados às aplicações. Os relatórios podem reunir informações sobre glicose, carboidratos e doses de insulina, que podem ser compartilhadas com profissionais de saúde.
Com a integração apresentada na EASD, esses registros podem ser observados junto aos dados fornecidos pelo sensor de glicose.
A integração já foi autorizada nos Estados Unidos
Em janeiro de 2026, a Medtronic anunciou que o aplicativo MiniMed Go recebeu autorização 510(k) da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, para integrar a caneta ao sensor Instinct.
Segundo a empresa, o sistema reúne informações sobre a administração de insulina e os níveis de glicose e oferece recursos como cálculo de doses e alertas relacionados às aplicações.
A autorização, porém, é válida para o mercado norte-americano e não significa que a mesma configuração esteja disponível em outros países.
Quando a tecnologia pode chegar ao Brasil?
Durante a cobertura da EASD 2026, foi apresentada a expectativa de que a tecnologia chegue ao Brasil nos próximos meses.
Até o momento, não há uma data oficial de lançamento no país informada pelas fontes consultadas. A disponibilidade de tecnologias médicas depende das autorizações regulatórias e das etapas comerciais necessárias em cada mercado.
A própria Abbott informa que a integração do sensor Instinct com o aplicativo MiniMed Go está disponível nos Estados Unidos. O Brasil não aparece na relação de países apresentada pela empresa.
Assim, a apresentação em Milão mostra uma tecnologia que já avançou em outros mercados, enquanto a chegada ao Brasil ainda depende das etapas necessárias para sua disponibilização no país.
