A escolha dos alimentos no restaurante japonês pode influenciar a glicemia de pessoas com diabetes. Segundo a nutricionista Martha Amodio, estratégias como priorizar proteínas, alternar sushi com sashimi e controlar molhos e frituras podem ajudar a organizar a refeição.
A orientação não é retirar a comida japonesa da alimentação, mas observar a quantidade, a composição dos pratos e as combinações feitas durante a refeição. O planejamento também pode ajudar quem costuma frequentar rodízios.
1. Comece pelas proteínas
Sashimi, tepan e yakitori podem ser opções para iniciar a refeição. A estratégia ajuda a priorizar alimentos proteicos antes de consumir preparações com maior quantidade de arroz.
O sashimi não contém arroz e, por isso, costuma apresentar menor quantidade de carboidratos do que peças tradicionais de sushi. Ainda assim, a nutricionista orienta equilíbrio na quantidade consumida.
Peixes como salmão e atum possuem maior quantidade de gordura. Em grandes volumes, a combinação de proteínas e gorduras pode contribuir para alterações glicêmicas tardias em pessoas que utilizam insulina.
2. Alterne sushi com sashimi
O arroz utilizado no sushi é branco e possui amilopectina, um tipo de amido que pode ser digerido rapidamente. O preparo tradicional também pode incluir açúcar no tempero utilizado no arroz.
Por isso, alternar peças de sushi com sashimi é uma estratégia indicada pela nutricionista para reduzir a quantidade total de arroz consumida durante a refeição.
Uma ou duas peças de sushi inseridas em uma refeição com proteínas e vegetais têm uma composição diferente de uma refeição baseada principalmente em arroz.
3. Controle os molhos
Os molhos podem acrescentar açúcar e sódio à refeição. O tarê, por exemplo, costuma conter açúcar e é consumido em pequenas quantidades concentradas.
O shoyu também exige atenção. A nutricionista recomenda utilizar pequenas quantidades e, se possível, combiná-lo com limão.
Outros acompanhamentos podem conter açúcar sem que isso seja evidente. O sunomono, por exemplo, pode levar açúcar na conserva, enquanto kani e alguns molhos prontos também podem ter açúcar adicionado.
4. Limite frituras
Hot rolls, tempurás e outros alimentos empanados combinam farinha e gordura. Essas preparações aumentam a densidade calórica da refeição e podem contribuir para alterações na glicemia.
A orientação não é necessariamente eliminar esses alimentos, mas limitar a quantidade. Uma estratégia apresentada pela nutricionista é deixar as frituras como complemento, em vez de transformá-las na base da refeição.
Começar por saladas, sashimi ou tepan também pode ajudar a organizar o consumo antes de chegar às opções fritas.

5. Planeje antes do rodízio
O modelo de rodízio pode favorecer o consumo excessivo, principalmente de arroz e frituras. Para quem tem diabetes, esse excesso pode aumentar a possibilidade de elevação da glicemia.
Martha Amodio recomenda definir previamente o que será consumido. A estratégia reduz as decisões impulsivas durante a refeição.
Outra orientação é começar pelas opções proteicas e deixar os carboidratos para o final, em menor quantidade.
E o sensor de glicose?
Quem utiliza sensor de glicose pode acompanhar o comportamento da glicemia depois da refeição e observar como o próprio organismo responde às diferentes combinações de alimentos.
Essa observação pode ajudar a identificar padrões individuais, já que a resposta à comida japonesa não é necessariamente igual para todas as pessoas com diabetes.
O que observar no restaurante japonês
Além das escolhas alimentares, a segurança dos alimentos também merece atenção. Peixes crus utilizados em sushi e sashimi precisam ser armazenados e mantidos em temperaturas adequadas.
Segundo Martha Amodio, episódios de intoxicação alimentar podem provocar vômitos, diarreia e desidratação, situações capazes de descompensar a glicemia. Em pessoas com diabetes tipo 1, esses quadros também podem aumentar o risco de cetose.
A recomendação é observar as condições de higiene, conservação dos alimentos e qualidade geral do estabelecimento antes de consumir preparações com peixe cru.
Comida japonesa pode fazer parte da alimentação
Para a nutricionista Martha Amodio, pessoas com diabetes não precisam evitar restaurantes japoneses. A estratégia envolve observar os alimentos escolhidos, controlar quantidades e combinar diferentes preparações.
A orientação inclui começar por proteínas e vegetais, alternar sushi com sashimi, controlar molhos e limitar frituras. No rodízio, o planejamento prévio também pode ajudar a evitar o consumo excessivo.
A resposta glicêmica varia entre as pessoas. Por isso, as escolhas alimentares devem considerar a rotina, o tratamento e a resposta individual de cada pessoa com diabetes.