Ir à feira no domingo e comer pastel faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras. No entanto, para quem convive com diabetes, essa escolha levanta uma dúvida recorrente: o pastel aumenta a glicose e compromete o controle da glicose?
A resposta envolve quantidade de carboidratos, tipo de preparo, presença de gordura e o momento do consumo. Além disso, exige atenção ao comportamento da glicemia nas horas seguintes.
Pastel aumenta a glicose? Entenda a composição do alimento
O pastel é feito, em sua base, de massa refinada frita em óleo. Segundo a nutricionista especialista em diabetes Carol Netto, a cada 100 gramas de pastel há, em média, 48 gramas de carboidratos.
Diante disso, todo carboidrato ingerido é convertido em glicose no sangue. Portanto, apenas essa quantidade já tem potencial de elevar a glicemia. No entanto, o impacto não se limita à massa.
Além disso, o pastel contém gordura da fritura e, dependendo do recheio, proteínas e gorduras adicionais. Esses elementos não entram diretamente na contagem de carboidratos, mas interferem no controle glicêmico.
Por que a glicose pode subir horas depois do pastel
Enquanto o carboidrato simples da massa provoca elevação mais rápida da glicemia, a gordura do alimento tende a retardar a digestão. Por outro lado, ela prolonga a absorção e pode causar aumento tardio da glicose.
De acordo com a nutricionista, esse efeito costuma ocorrer cerca de duas horas após a refeição. Portanto, mesmo que a glicemia inicial pareça controlada, a elevação pode surgir mais tarde.
Ainda assim, esse comportamento varia entre pessoas, doses de insulina, nível de atividade física e composição do recheio.
O horário do consumo faz diferença no controle glicêmico
O momento em que o pastel é consumido influencia diretamente o impacto glicêmico. Segundo a orientação apresentada, o café da manhã não é o melhor horário.
Nesse período, muitas pessoas apresentam maior resistência à insulina. Como resultado, a glicose tende a subir mais facilmente.
Por outro lado, o consumo à noite também exige cautela. À noite, há menor gasto energético e menor vigilância da glicemia durante o sono. Portanto, o risco de manter níveis elevados por mais tempo aumenta.
Nesse contexto, o almoço ou o meio da tarde tendem a ser horários mais favoráveis, desde que haja monitoramento adequado.
Existe um pastel melhor para quem tem diabetes?
Do ponto de vista metabólico, quanto menos recheio e gordura, menor o impacto glicêmico. Um pastel sem recheio teria apenas a carga da massa frita, porém não corresponde ao hábito alimentar real.
Ainda assim, escolher recheios menos gordurosos e porções menores pode facilitar o controle. Além disso, entender que o pastel não deve ser regra, mas exceção, é parte do manejo do diabetes.
Enquanto isso, associar o consumo a monitorização da glicemia e ajuste de insulina, quando indicado, reduz riscos.
Pastel no diabetes: pode, mas com estratégia
A orientação não é proibição, mas informação. Pessoas com diabetes podem comer pastel, desde que saibam o que estão consumindo e estejam preparadas para lidar com o impacto glicêmico.
Portanto, conhecer a composição, escolher o horário e acompanhar a glicemia nas horas seguintes faz parte do cuidado. O desafio diário é manter a maior parte do tempo dentro da meta glicêmica, mesmo em situações pontuais.
Referências
Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) – Diretrizes de Alimentação e Contagem de Carboidratos
https://diabetes.org.br
American Diabetes Association (ADA) – Nutrition Therapy for Adults With Diabetes
https://diabetesjournals.org
Universidade de São Paulo (USP) – Impacto de gorduras na resposta glicêmica pós-prandial
https://www.revistas.usp.br
