O almoço de domingo ou aquele jantar especial muitas vezes pede um prato que é paixão nacional: o strogonoff. No entanto, quando recebemos o diagnóstico, surge a dúvida se a combinação entre strogonoff e diabetes é segura. Será que precisamos excluir essa delícia do cardápio?
Para responder a essa pergunta, o jornalista Tom Bueno convidou a nutricionista Carol Netto para um bate-papo esclarecedor no canal “Um Diabético“. Juntos, eles analisaram os ingredientes do prato e deram dicas valiosas para quem convive com a condição e não quer abrir mão do sabor.
Segundo Carol Netto, o segredo não está na proibição, mas no entendimento do que compõe o prato. “O problema não é o Strogonoff (…) porque se você comesse só o Strogonoff com uma carninha… tem pouca quantidade de carboidrato”, explica a especialista. O foco deve estar nos acompanhamentos e no modo de preparo.
Atenção aos ingredientes do molho
Primeiramente, devemos analisar a base do strogonoff. A proteína, seja carne bovina ou frango, não impacta diretamente a glicemia. Carol ressalta que o frango, especialmente o peito, é uma opção mais magra. O ponto de atenção surge nos aditivos do molho.
Muitas receitas tradicionais levam creme de leite, que é rico em gordura. Além disso, algumas pessoas adicionam ketchup, que contém açúcar, ou amido de milho (a famosa Maizena) para engrossar o caldo. “Ketchup tem açúcar… ou tem gente que coloca maizena para espessar”, alerta a nutricionista.
Portanto, para quem busca uma versão mais leve, substituir o creme de leite por molho de iogurte pode ser uma excelente alternativa para reduzir a quantidade de gordura saturada.
O perigo mora nos acompanhamentos
Raramente comemos o strogonoff isolado. O prato brasileiro clássico vem acompanhado de arroz e batata palha. É aqui que a contagem de carboidratos precisa ser rigorosa. A soma do arroz (carboidrato) com a batata (carboidrato e gordura, se for frita) pode gerar um pico glicêmico se não houver moderação.
Carol Netto destaca que a batata palha industrializada carrega muita gordura. “Batata frita é gordura e carboidrato juntos”, pontua. Por isso, a moderação na quantidade desses acompanhamentos é fundamental para manter o controle.
O efeito da gordura na glicemia
Um ponto crucial discutido no vídeo é o efeito retardado da gordura na absorção da glicose. Quando consumimos strogonoff e diabetes entra na equação, a gordura do creme de leite e da batata pode fazer com que a glicemia suba horas depois da refeição.
Tom Bueno compartilha sua experiência pessoal, relatando que, em seu caso, o aumento da glicose ocorre cerca de cinco horas após comer alimentos gordurosos. “Ela segura a subida da glicose, que começa a subir quatro horas depois”, comenta Tom.
Por isso, quem usa insulina deve ficar atento ao monitoramento pós-prandial tardio (entre 3 a 5 horas após comer) para fazer as correções necessárias.
Dicas para um consumo saudável
Para finalizar, os especialistas sugerem trocas inteligentes. Em vez de batata palha frita, você pode optar por batatas assadas no forno ou feitas na airfryer. O arroz branco pode dar lugar ao integral, que possui mais fibras.
Contudo, a “dica de ouro” para evitar picos glicêmicos é iniciar a refeição com um belo prato de salada. As fibras dos vegetais ajudam a diminuir a velocidade de absorção dos carboidratos.
Em resumo, quem tem diabetes pode comer strogonoff. O importante é o equilíbrio, a monitorização e, claro, o prazer de comer sem culpa. “A alimentação ela não pode ser um pesadelo na nossa vida, ela tem que ser prazerosa”, conclui Carol.
