Muitas pessoas frequentemente veem a batata como uma vilã na alimentação de quem precisa monitorar a glicose. Contudo, essa má fama se justifica? A dúvida sobre o consumo de batata e diabetes é muito comum e gera confusão.
Para esclarecer essa questão, o jornalista Tom Bueno, em nosso canal “Um Diabético” no Youtube, buscou respostas com a nutricionista Carol Netto. Afinal, quem tem diabetes pode comer batata, seja ela inglesa ou doce? A resposta envolve mais do que um simples “sim” ou “não”, focando principalmente no modo de preparo e na moderação.
Batata inglesa vs. batata doce: qual tem mais carboidrato?
Muitas pessoas acreditam que a batata doce é a única opção segura, enquanto consideram a inglesa proibida. No entanto, a nutricionista Carol Netto, em conversa com Tom Bueno, desmistifica essa ideia. Surpreendentemente, a comparação nutricional mostra um cenário diferente do senso comum.
“100 gramas de batata inglesa tem cerca de 12 gramas de carboidrato, enquanto a batata doce tem cerca de 18 gramas de carboidrato”, explica a especialista no vídeo. Portanto, a batata inglesa, na verdade, possui menos carboidratos que a doce em porções iguais.
O impacto do índice glicêmico e das fibras
Se a batata doce tem mais carboidratos, por que tantos especialistas a recomendam para quem tem diabetes? A resposta está no índice glicêmico (IG) e na alta presença de fibras.
A batata inglesa, apesar de ter menos carboidratos, possui um índice glicêmico alto. Isso significa que, após o consumo, ela se transforma rapidamente em glicose no sangue, podendo causar picos glicêmicos.
Por outro lado, a batata doce, mesmo com mais carboidratos, contém muitas fibras. Conforme explica Tom Bueno, a fibra atua como um “freio” na absorção do açúcar. “Ela [a fibra] não deixa ter um pico glicêmico rápido. Ela vai segurando, vai dando uma freada na subida da glicose”, diz ele. Por isso, a batata doce tem um impacto glicêmico menor.
A melhor forma de consumo para quem tem diabetes
Afinal, existe uma batata melhor para quem tem a condição? Segundo Carol Netto, não. “As duas são boas. A forma de consumir que precisa ser levada em consideração”, afirma.
A resposta definitiva para quem busca controlar o consumo de batata e diabetes é que ambas podem fazer parte da dieta, desde que com equilíbrio e moderação. A nutricionista indica que as melhores formas de preparo são assada ou cozida, válidas tanto para a batata inglesa quanto para a doce.
A pior escolha no preparo da batata
Embora as pessoas possam consumir moderadamente batatas cozidas ou assadas, há um método de preparo que todos devem evitar fortemente: a fritura. A especialista considera a batata frita a pior forma de consumo para quem tem a condição.
O problema não está apenas nas calorias. A gordura da fritura retarda a absorção da glicose, o que pode parecer bom, mas na verdade torna a curva glicêmica imprevisível. Além disso, o excesso de gordura e calorias contribui para o ganho de peso, um fator que piora a resistência insulínica, representando um grande risco, especialmente para quem tem diabetes tipo 2.
Portanto, o consumo de batata para quem tem diabetes é uma questão de escolha inteligente no preparo e de moderação nas quantidades.