Quando o nível de glicose no sangue cai, a reação imediata de muitas pessoas é buscar algo doce, e rapidamente. Nesse cenário, um copo de leite com achocolatado parece uma solução lógica e reconfortante, especialmente para crianças. No entanto, essa pode não ser a melhor estratégia para tratar a hipoglicemia de forma eficaz.
De fato, em uma conversa com o jornalista Tom Bueno, a nutricionista Tarcila Campos, especialista no assunto, esclareceu porque essa escolha popular pode, na verdade, retardar a recuperação de um episódio de baixa glicose.
Por que o leite com chocolate não é a melhor opção?
A principal emergência na hipoglicemia é a velocidade. Isto é, o corpo precisa de açúcar (glicose) na corrente sanguínea o mais rápido possível para reverter os sintomas e, consequentemente, evitar complicações. O problema do leite com achocolatado, segundo explica a nutricionista, está justamente nos seus outros componentes.
“Leite tem proteína, leite tem gordura, ele tem a lactose que é o açúcar do leite, mas ele tá junto com tudo isso”, detalha Tarcila Campos.
Embora o leite seja líquido, o que geralmente sugere uma absorção mais rápida, a presença de gordura e proteína age de forma contrária. Em outras palavras, esses nutrientes retardam o esvaziamento gástrico, ou seja, fazem com que o estômago demore mais para liberar seu conteúdo no intestino, onde o açúcar é finalmente absorvido. Por causa disso, a glicose demora mais para chegar ao sangue, prolongando o desconforto e o risco da hipoglicemia.
A regra dos 15: a forma correta de tratar a hipoglicemia
Por outro lado, para quem tem diabetes, o protocolo padrão para tratar a hipoglicemia leve a moderada é conhecido como a “regra dos 15”. Ela é simples e foca exatamente na necessidade de velocidade que o leite com chocolate não entrega.
Basicamente, a regra consiste em consumir 15 gramas de carboidratos de ação rápida, que são carboidratos simples, ou seja, sem a presença de gordura ou proteína para atrapalhar a absorção.
Por exemplo, são 15g de carboidratos rápidos:
- 1 colher de sopa de açúcar dissolvida em água.
- 150 ml de suco de laranja integral (copo pequeno).
- 150 ml de refrigerante comum (não diet).
- 3 a 4 tabletes de glicose (que é a opção mais indicada).
Após consumir o carboidrato rápido, a pessoa deve esperar 15 minutos e, então, medir a glicose novamente. Se a glicemia ainda estiver abaixo de 70 mg/dL, o processo deve ser repetido.
O momento certo para o leite com chocolate
Mas isso significa que quem tem diabetes deve abandonar o leite com achocolatado? De forma alguma. Pelo contrário, a nutricionista Tarcila Campos faz questão de diferenciar o momento do tratamento daquele da manutenção.
A bebida continua sendo uma opção válida para outros momentos do dia. “Deixa o leite com achocolatado que ela gosta pro café da manhã, pro lanche da tarde, que aí não é o momento de tratar realmente”, aconselha.
Portanto, o segredo não está em proibir o alimento, mas sim em entender sua função. Primeiramente, para a emergência da hipoglicemia, prefira sempre carboidratos de ação rápida. Depois que a glicose já subiu e se estabilizou, uma combinação de carboidrato com proteína ou gordura (como o próprio leite com chocolate ou um pão com queijo) pode ser útil para manter a glicemia estável, principalmente se a próxima refeição ainda estiver longe.
Hipoglicemia: tudo o que você precisa saber e entender se convive com diabetes | DiabetesCast #28
Quer ficar ainda mais por dentro deste tema tão importante para quem convive com o diabetes? Então assista ao DiabetesCast #28, onde o jornalista Tom Bueno, que tem a condição, recebe a nutricionista Tarcila Campos e a endocrinologista Denise Franco. Lembre-se que ficar bem informado também faz parte do tratamento.
