Para quem tem uma vida corrida, manter uma alimentação saudável pode ser um desafio, especialmente para quem convive com o diabetes e precisa de atenção redobrada com o controle da glicemia. A boa notícia é que o mercado oferece cada vez mais opções. Nesse contexto, surge a dúvida: os alimentos produzidos especialmente para quem tem diabetes, realmente valem a pena?
Em uma conversa esclarecedora em nosso canal “Um Diabético” no Youtube, o jornalista Tom Bueno, que convive com o diabetes tipo 1 desde os 22 anos, recebeu o Dr. Roberto Zaguri, endocrinologista e coordenador do Departamento de Diabetes, Exercício e Esportes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), para aprofundar o tema. Juntos, eles discutiram não apenas os pilares do tratamento, mas também como produtos especializados podem ser uma ferramenta prática e segura.
Entendendo as diferenças: diabetes tipo 1 e tipo 2
Antes de mergulhar na alimentação, é crucial entender as particularidades de cada tipo de diabetes. O Dr. Zaguri explica que o termo “diabetes mellitus” é um “guarda-chuva” para diversas condições.
O diabetes tipo 2, por exemplo, representa cerca de 95% dos casos. Geralmente, ele se manifesta na vida adulta, após os 35 anos, e está fortemente associado ao excesso de peso e a um estilo de vida sedentário. “O diabetes tipo 2 surge depois de muitos anos de sedentarismo, de um estilo de vida inapropriado”, pontua o médico. A condição central é a resistência à insulina, ou seja, a insulina produzida pelo corpo não funciona adequadamente. Frequentemente, o diagnóstico ocorre por acaso, em exames de rotina, pois é uma condição que se instala de forma silenciosa.
Por outro lado, o diabetes tipo 1, que acomete o jornalista Tom Bueno, costuma surgir antes dos 35 anos e não está ligado ao excesso de peso. Neste caso, o problema é a falta de insulina. “As células do pâncreas que produzem a insulina (…) sofrem um ataque do próprio sistema de defesa da pessoa“, explica o Dr. Zaguri. O início é abrupto, com sintomas clássicos como perda de peso acentuada, muita sede e vontade frequente de urinar. Tom relata sua própria experiência: “eu perdi 13 quilos em menos de dois meses“.
Os pilares essenciais do tratamento
O tratamento do diabetes vai muito além da medicação. O Dr. Roberto Zaguri destaca que o pilar mais importante é algo que parece simples, mas é transformador: a educação. “Educação em diabetes não é parte do tratamento, é o próprio tratamento“, afirma. Empoderar a pessoa com conhecimento é fundamental para que ela possa gerenciar sua condição no dia a dia.
Além da educação, outros pilares são indispensáveis: a prática de exercícios físicos (“exercício é remédio“, como defende o especialista), o acompanhamento nutricional com um profissional que entenda de diabetes, a saúde emocional e, claro, a terapia medicamentosa, que varia entre os tipos. Para o diabetes tipo 1, o uso de insulina é obrigatório. Já no tipo 2, o tratamento pode iniciar com medicamentos orais ou outros injetáveis, podendo ou não necessitar de insulina ao longo do tempo.
A alimentação de quem tem diabetes: mitos e verdades
A alimentação é, sem dúvida, um dos maiores desafios. Muitas pessoas acreditam que receber o diagnóstico significa uma vida de restrições severas, mas o Dr. Zaguri desmistifica essa ideia. “Hoje, felizmente, a gente pode dizer, sem medo de errar, que a pessoa que tem diabetes pode comer de tudo. A questão toda é equilíbrio e responsabilidade“, esclarece.
A orientação moderna não proíbe nem mesmo o açúcar de mesa, desde que seu consumo seja mínimo (até 5% das calorias diárias). A chave é priorizar carboidratos complexos e ricos em fibras, como os integrais, e evitar o excesso de carboidratos simples, de rápida absorção, presentes em doces, bolos e produtos com farinha branca. Além disso, as fibras desempenham um papel crucial. “As fibras são o componente esquecido da dieta“, ressalta o médico, explicando que elas podem reduzir a hemoglobina glicada em níveis comparáveis a um medicamento.
Produtos especializados: um coringa na manga
É aqui que os alimentos para quem tem diabetes entram como uma solução inteligente. Tom Bueno compartilhou sua própria experiência, destacando a utilidade desses produtos em sua rotina agitada de gravações. Eles são práticos para lanches intermediários, ceias ou após a prática de exercícios, evitando escolhas inadequadas que impactam negativamente a glicemia.
O Dr. Zaguri concorda e explica a ciência por trás desses produtos. “A formulação deles é pensada em geral para a pessoa que tem diabetes, então os carboidratos que são colocados ali dentro são carboidratos que têm uma característica específica“, diz. Eles contêm carboidratos de absorção lenta, proteínas, gorduras de boa qualidade e uma quantidade significativa de fibras. Isso ajuda a evitar tanto picos de glicose (hiperglicemia) quanto quedas bruscas (hipoglicemia).
Apesar de defender o conceito de “comida de verdade” sempre que possível, o especialista reconhece que a vida moderna nem sempre permite o preparo de refeições ideais. “Quando não for possível, que você tenha no bolso um coringa pra sacar, pra te ajudar“, conclui. Portanto, esses produtos surgem como uma alternativa segura e eficaz para facilitar a adesão à dieta e garantir um melhor controle glicêmico, sem substituir as refeições principais, mas complementando a rotina de forma inteligente.
