A paixão pela coxinha: é possível conciliar com o diabetes?
O cheiro de coxinha é, para muitos brasileiros, uma viagem no tempo. O apresentador Tom Bueno, que convive com o diabetes, trouxe à tona em seu vídeo do canal “Um Diabético” no Youtube, uma dúvida clássica e saborosa: quem tem diabetes pode comer coxinha? Compartilhando memórias afetivas de sua infância, quando ajudava o pai a preparar o quitute, Tom Bueno mostra que o prazer de comer pode (e deve) ser conciliado com o controle da condição.
Antes de mais nada, a resposta da especialista é um “sim”, mas com cautela. A nutricionista Carol Netto conversou com Tom Bueno e trouxe informações cruciais para quem vive com o diabetes e não quer abrir mão de uma guloseima de vez em quando. É fundamental, por conseguinte, entender como a composição da coxinha afeta o organismo, especialmente em relação à glicemia.
O impacto da coxinha no controle glicêmico
Quando analisamos uma coxinha tradicional, precisamos focar em dois grandes componentes: o carboidrato e a gordura. De acordo com Tom Bueno, a massa clássica leva farinha de trigo, uma fonte de carboidrato. Além disso, a forma de preparo costuma incluir o processo de fritura, que adiciona uma quantidade significativa de gordura. O recheio, geralmente frango, pode vir acompanhado de queijos cremosos, como o catupiry, os quais, evidentemente, elevam ainda mais o teor de gordura do alimento.
O balanço entre esses nutrientes é a chave, conforme explica a nutricionista Carol Netto. O carboidrato simples é absorvido rapidamente, o que pode causar picos glicêmicos em cerca de duas horas. No entanto, a gordura atua como uma espécie de “freio”. Consumir carboidrato junto com gordura, portanto, retarda muito mais a absorção da glicose. Este efeito faz com que a liberação de glicose no sangue se estenda, exigindo, assim, atenção redobrada no monitoramento da glicose.
Detalhes que fazem a diferença no prato
Para dar uma dimensão do impacto calórico e glicêmico, Carol Netto fez uma comparação importante. Uma coxinha pequena de festa tem cerca de 5 gramas de carboidrato. Curiosamente, essa é a mesma quantidade de carboidrato encontrada em uma colher de sopa de arroz (seja ele integral ou branco). Embora o tempo que cada um leva para virar glicose no sangue seja diferente, a equivalência de carboidratos serve como um bom parâmetro para o cálculo.
O preparo também é vital. A fritura do salgado, especialmente quando ele fica “encharcado” em óleo, aumenta a ingestão de gordura. A nutricionista destaca, além disso, que muitos costumam consumir o petisco com acompanhamentos como ketchup, maionese ou mostarda. Todos esses molhos também contêm carboidratos e gorduras que se somam ao total da refeição. É fácil, consequentemente, perder a noção da ingestão total e acabar com uma glicemia mais alta do que o esperado.
O cuidado essencial: monitoramento e escolhas
Então, quem tem diabetes pode comer coxinha? A resposta é sim, desde que seja de forma pontual e controlada. Não é recomendável, é claro, consumir a coxinha todos os dias. A fritura, além de impactar o controle do diabetes, aumenta o colesterol e traz outros riscos à saúde.
Para quem vive com diabetes tipo 1, o cuidado com o monitoramento é ainda mais crucial. O apresentador Tom Bueno ressalta a importância de verificar a glicose antes de comer e, devido ao efeito retardador da gordura, fazer medições a partir de cinco horas depois da ingestão. Para quem tem diabetes tipo 2, o corpo pode liberar um pouco de glicose ao longo do tempo, o que pode, às vezes, mascarar os picos.
Para tornar a inclusão deste item no cardápio mais segura, opte por alternativas mais saudáveis. Coxinhas assadas ou preparadas em airfryer são opções que eliminam a gordura da fritura, sendo mais indicadas, de acordo com a nutricionista Carol Netto. Outra dica valiosa é estar atento à massa: algumas receitas utilizam batata ou mandioca, que também são fontes de carboidrato e precisam ser contabilizadas no cálculo nutricional. Se houver excesso em uma festa ou evento, a regra é clara: monitorar, tomar a medicação conforme a orientação médica e praticar atividade física para ajudar a equilibrar a glicemia.
Resumindo, o segredo está no equilíbrio, garantindo que o prazer de comer o que se gosta não comprometa a saúde e o bem-estar de quem tem diabetes.