Controlar o diabetes exige muito mais do que cuidar da alimentação e tomar os remédios certos. A prática regular de exercícios físicos também entra como peça-chave para manter a glicemia sob controle, melhorar a qualidade de vida e evitar complicações. Mas afinal, existe um tipo de exercício melhor para quem tem diabetes?
Essa pergunta movimentou muitos debates ao longo dos anos. De um lado, os defensores da caminhada e das atividades aeróbias. Do outro, os que apostam na musculação e nos exercícios resistidos. Hoje, no entanto, a ciência aponta para um caminho mais equilibrado, e ainda mais personalizado.
Quem explica isso é o pesquisador e professor de educação física William Komatsu, especialista no impacto do exercício sobre o metabolismo de pessoas com diabetes.
“Durante muitos anos ficaram nessa briga, sobre qual era o melhor exercício. E no fim, concluíram que a combinação dos dois, aeróbio e resistido, oferece os melhores resultados. Mas o que mudou nos últimos dez anos foi a compreensão da resposta do corpo a cada tipo de exercício. O aeróbio tende a causar uma queda mais brusca na glicemia durante a atividade. Já a musculação não provoca essa queda tão forte. Isso faz diferença para o controle”, explica Komatsu.
Exercícios físicos ideais? Depende da intensidade
Na prática, William Komatsu destaca que o tipo de exercício, por si só, não determina o efeito no controle do diabetes. Ele defende que a intensidade da atividade física faz mais diferença do que o rótulo de aeróbio ou anaeróbio.
“Hoje, eu nem falo mais se a caminhada é aeróbia ou se a musculação é anaeróbia. Porque depende. Depende da intensidade. A pessoa pode caminhar com baixa intensidade e ter um efeito. Pode fazer musculação leve e ter outro. Então, o foco deve ser encontrar uma atividade que a pessoa goste, mas ajustar a intensidade de acordo com o objetivo do controle glicêmico”, afirma.
Entenda a diferença: exercícios físicos aeróbios x anaeróbios
Para entender melhor essa discussão, vale explicar o que são os exercícios aeróbios e anaeróbios. Os aeróbios são atividades que usam o oxigênio como principal fonte de energia. Eles duram mais tempo e têm intensidade leve a moderada. Caminhar, correr, pedalar, nadar e dançar são bons exemplos.
Esses exercícios ajudam a melhorar a circulação, a respiração, o controle da glicose no sangue e ainda contribuem para a perda de peso. No diabetes, o benefício mais importante é a redução imediata da glicemia, já que os músculos consomem mais açúcar durante a atividade.
Já os exercícios anaeróbios são mais curtos e intensos. Neles, o corpo usa fontes de energia que não dependem tanto do oxigênio. É o caso da musculação, do treinamento funcional, dos exercícios com peso e do crossfit. Esses treinos fortalecem os músculos, aumentam a massa magra e ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina.
Além disso, como os músculos consomem glicose mesmo em repouso, quem faz esse tipo de treino ganha um “gasto extra” de açúcar no sangue mesmo depois de terminar o exercício.
O melhor exercício é aquele que vira rotina
Embora o debate técnico seja importante, os profissionais da saúde que lidam com pessoas com diabetes batem na mesma tecla: o melhor exercício é aquele que a pessoa consegue manter com frequência. De nada adianta escolher uma modalidade eficaz se ela não agrada ou não se encaixa no dia a dia.
Por isso, a orientação atual foca na personalização. Se o paciente gosta de caminhar, caminhe com mais intensidade. Gosta de pedalar? Encontre um ritmo que desafie o corpo. Se prefere musculação, que tenha um plano de treino bem orientado.
Além disso, para quem vive com diabetes tipo 2, o exercício regular pode até reduzir a necessidade de medicamentos, melhorar a saúde do coração, aliviar o estresse e ajudar na perda de peso. Tudo isso com reflexo direto na glicemia.
Comece os exercícios físicos com segurança
Antes de iniciar qualquer prática de exercício, é essencial que a pessoa com diabetes passe por uma avaliação médica. Isso ajuda a identificar possíveis limitações, como problemas cardíacos, pressão alta ou complicações nos pés e nos olhos. A partir daí, o profissional de educação física pode montar um plano seguro e eficiente.
Outro ponto importante: manter sempre por perto uma fonte de carboidrato de ação rápida, como suco de fruta ou uma bala, especialmente durante atividades que duram mais tempo. Isso previne a hipoglicemia, que é a queda brusca do açúcar no sangue.
Alternar os tipos de treino ajuda no controle do diabetes
Os estudos mais recentes mostram que alternar aeróbios e anaeróbios oferece uma combinação poderosa para o controle do diabetes. Enquanto o exercício aeróbio reduz a glicemia rapidamente, o exercício resistido atua de forma prolongada, melhorando a sensibilidade do corpo à insulina.
Por isso, quem combina os dois tipos de treino geralmente alcança resultados mais completos: glicemia mais controlada, mais disposição, menos gordura no corpo e mais força para enfrentar o dia a dia.
O que fazer a partir de agora? Exercícios físicos
Quando o assunto é exercícios físicos e diabetes, não existe fórmula única. O que funciona para um pode não ser ideal para outro. Mas uma coisa é certa: a prática regular, com intensidade adequada e orientação profissional, transforma a saúde de quem vive com diabetes. E mais importante do que escolher entre musculação ou caminhada, é escolher não ficar parado.
Se você tem diabetes e ainda não se mexe, comece devagar. Dê uma volta no quarteirão, suba escadas, brinque com os filhos ou netos. A saúde agradece e a glicemia responde. Afinal, cada passo conta e o movimento é um dos melhores aliados no controle do diabetes.
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