O Libre Assist, novo recurso baseado em inteligência artificial integrado ao aplicativo Libre e apresentado durante o EASD 2026, em Milão.
A proposta é fotografar uma refeição antes de comer e receber uma estimativa de como aqueles alimentos podem impactar a glicose.
A ferramenta utiliza informações fornecidas pelo próprio usuário para analisar a refeição. É possível tirar uma foto do prato, enviar uma imagem ou escrever uma descrição dos alimentos no aplicativo. A partir desses dados, o Libre Assist apresenta uma estimativa de como aquela refeição pode afetar a glicose e oferece sugestões relacionadas à composição da alimentação.
O recurso já está disponível em alguns mercados, incluindo Estados Unidos e Alemanha. No Brasil, a funcionalidade ainda não está disponível.
Uma foto do prato pode virar uma estimativa sobre a glicose
O Libre Assist funciona dentro do aplicativo Libre, o mesmo ambiente utilizado para acompanhar os dados de glicose dos sensores compatíveis.
Para analisar uma refeição, o usuário pode fotografar o prato, enviar uma imagem já existente ou descrever os alimentos por texto. A inteligência artificial generativa utiliza essas informações para identificar os componentes da refeição e estimar seu possível impacto na glicose.
A partir da análise, o aplicativo apresenta informações sobre a refeição e pode oferecer sugestões personalizadas relacionadas à alimentação. Segundo a Abbott, essas sugestões também podem considerar preferências alimentares informadas pelo próprio usuário.
A proposta é acrescentar uma camada de interpretação aos dados de monitoramento da glicose, permitindo que o usuário observe a relação entre aquilo que está consumindo e o comportamento esperado da glicose.
O Libre Assist faz contagem de carboidratos?
Não. Apesar de analisar os alimentos presentes na refeição, o Libre Assist não substitui a contagem de carboidratos.
A funcionalidade estima o possível impacto da refeição na glicose, mas não calcula doses de insulina nem determina mudanças no tratamento.
Essa diferença é importante porque uma estimativa feita por inteligência artificial não equivale a uma orientação médica. A própria Abbott alerta que o recurso pode apresentar respostas imprecisas e que suas informações não devem ser utilizadas para decisões de tratamento.
Da previsão à resposta real da glicose
Uma das possibilidades do recurso está na comparação entre a estimativa feita antes da refeição e o comportamento da glicose depois de comer.
Com os dados registrados por um sensor compatível, o usuário pode acompanhar a resposta real da glicose e observar como ela se comportou em relação à estimativa apresentada anteriormente.
Essa comparação pode ajudar a pessoa a conhecer melhor sua própria resposta aos alimentos e perceber padrões ao longo do tempo.
Ainda assim, a previsão não representa uma garantia sobre o que acontecerá com a glicose. A resposta pode variar de acordo com diferentes fatores, como atividade física, estresse, medicamentos e consumo de álcool.
Por que a ferramenta pode ser útil?
A alimentação é uma das situações do cotidiano que exigem interpretação dos dados de glicose. Uma mesma refeição também pode produzir respostas diferentes dependendo da pessoa e das condições daquele momento.
Durante a apresentação da novidade no EASD 2026, o recurso foi destacado principalmente pelo potencial de ajudar pessoas com diabetes tipo 2 que têm dificuldade de identificar como diferentes alimentos e combinações podem impactar a glicose.
Nesse contexto, o Libre Assist busca transformar essa relação em uma informação mais visual e acessível. Em vez de apenas acompanhar a glicose depois de uma refeição, o usuário pode consultar uma estimativa antes de comer e, posteriormente, observar o que aconteceu com seus próprios níveis de glicose.
A ferramenta também pode ser utilizada por outras pessoas com diabetes, mas a proposta apresentada no congresso chama atenção para a possibilidade de facilitar a compreensão da relação entre alimentação e glicose para quem ainda tem dificuldade de interpretar esse impacto.
Recurso já está disponível em outros mercados
O Libre Assist já está disponível nos Estados Unidos e na Alemanha, mas a oferta de recursos pode variar de acordo com o país, o aplicativo, o sensor utilizado e os requisitos do smartphone.
Na Alemanha, a funcionalidade está integrada ao aplicativo Libre e foi demonstrada durante a cobertura do EASD 2026 como uma das novidades apresentadas no congresso.
A expansão para outros mercados ainda depende dos lançamentos definidos para cada país.
E quando o Libre Assist chega ao Brasil?
Até o momento, não há uma data oficial divulgada para o lançamento do Libre Assist no Brasil.
A apresentação no EASD 2026 mostrou uma funcionalidade que já está sendo utilizada em outros mercados e que pode chegar posteriormente a outros países. Sem um cronograma oficial para o mercado brasileiro, porém, não é possível indicar quando os usuários daqui terão acesso ao recurso.
Por enquanto, a novidade permanece restrita aos mercados onde já foi lançada.
Inteligência artificial como apoio ao monitoramento
O Libre Assist mostra uma nova aplicação da inteligência artificial dentro das ferramentas de acompanhamento do diabetes. Ao analisar uma fotografia ou descrição de uma refeição, o recurso procura transformar informações sobre os alimentos em uma estimativa sobre seu possível impacto na glicose.
A tecnologia, porém, tem limitações. Uma imagem não determina com precisão todos os ingredientes ou quantidades presentes em uma refeição, e o comportamento da glicose também depende de fatores que vão além da alimentação.
Por isso, a própria Abbott ressalta que as estimativas podem não ser precisas e que as informações apresentadas pelo recurso não devem orientar decisões de tratamento.
Apresentado no EASD 2026, o Libre Assist ainda não chegou ao Brasil, mas representa uma nova forma de integrar inteligência artificial, alimentação e dados de monitoramento da glicose em um mesmo aplicativo.
