Além do colesterol, pessoas com diabetes também precisam estar atentas a outros fatores que podem influenciar o risco cardiovascular. Entre eles está a lipoproteína(a), ou Lp(a), um marcador pouco conhecido e determinado principalmente pela genética.
Ter o colesterol dentro dos valores considerados adequados não significa estar livre do risco de infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Isso porque a saúde cardiovascular é influenciada por diferentes fatores, incluindo alguns que não aparecem nos exames de rotina. Entre eles está a lipoproteína(a), também chamada de “Lp-azinho”, uma molécula semelhante ao LDL, o famoso “colesterol ruim”, e, quando presente em níveis elevados, está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares.
Apesar de ser um marcador importante, a Lp(a) não costuma fazer parte dos exames de sangue solicitados rotineiramente. Com isso, algumas pessoas podem apresentar níveis elevados de Lp(a) sem saber.
Mas, afinal, o que é a Lp(a)?
A Lp(a) é uma lipoproteína, uma partícula formada por colesterol e proteína, presente no sangue e com características semelhantes às do LDL. Ela participa do transporte de colesterol e dos lipídios pelo organismo, mas, quando está elevada, pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
A presença de níveis elevados de Lp(a) pode ajudar a explicar por que algumas pessoas desenvolvem problemas cardiovasculares, como infarto e derrame, mesmo sem apresentar alguns dos fatores de risco mais conhecidos, como colesterol elevado, diabetes, hipertensão e tabagismo.
Uma das principais características da Lp(a) é que sua concentração no sangue é determinada, em grande parte, por fatores genéticos. Por isso, os níveis costumam permanecer relativamente estáveis ao longo da vida.
Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Reis Franco, do CPclin DASA, em entrevista ao DiabetesCast, mudanças na alimentação e a prática de atividade física, embora sejam fundamentais para a saúde cardiovascular de maneira geral, não costumam reduzir significativamente os níveis de Lp(a).
Essa característica ajuda a entender por que uma pessoa pode apresentar um fator de risco cardiovascular que não é identificado nos exames tradicionais.
Mas, se a Lp(a) pode passar despercebida nos exames de rotina, surge uma dúvida importante:
Quem deve investigar a Lp(a)?
Segundo as novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomenda-se que adultos façam a dosagem da Lp(a) pelo menos uma vez na vida.
A avaliação pode ser especialmente importante para pessoas com histórico pessoal ou familiar de doença cardiovascular prematura, pessoas com níveis elevados de Lp(a) na família e indivíduos que apresentam determinados fatores de risco ou doenças cardiovasculares.
A investigação também pode ser considerada em pessoas com:
- diabetes tipo 2;
- hipertensão;
- obesidade;
- dislipidemia;
- alterações nos níveis de lipídios;
- histórico de tabagismo;
- histórico familiar de doenças cardiovasculares.
A indicação e a interpretação do exame, porém, devem ser individualizadas por um profissional de saúde, que poderá avaliar o resultado em conjunto com os demais fatores de risco.
Identificar níveis elevados de Lp(a), no entanto, é apenas uma parte dessa discussão. A ciência também busca responder a uma pergunta que pode ter impacto direto na prevenção cardiovascular: reduzir essa lipoproteína pode diminuir o risco de novos eventos?
Pesquisa busca identificar pessoas com Lp(a) elevada
Essa é uma das questões investigadas em estudos clínicos realizados pelo CPclin DASA, centro de pesquisa localizado em São Paulo.
Em uma das frentes, os pesquisadores buscam identificar pessoas que apresentam fatores de risco cardiovascular ou que já tiveram um evento, como infarto. A partir da avaliação desses participantes, é investigado se os níveis de Lp(a) estão elevados.
Quando a concentração aumentada é confirmada e os demais critérios do estudo são atendidos, o participante pode ser encaminhado para outra pesquisa, que busca avaliar se o tratamento para redução da Lp(a) pode contribuir para diminuir a ocorrência de novos eventos cardiovasculares.
Veja como participar
Para participar dos estudos realizados pelo CPclin DASA, é preciso ter 18 anos, apresentar fatores de risco cardiovascular e níveis elevados de Lp(a). Como se trata de uma pesquisa clínica, a eficácia e a segurança da terapia são acompanhadas de acordo com protocolos previamente estabelecidos.
A inclusão depende dos critérios específicos da pesquisa e da avaliação da equipe responsável pelo estudo. Para quem se enquadra nos critérios, o primeiro passo é buscar informações diretamente com o centro de pesquisa.
Saiba mais: confira o bate-papo que tivemos com a Dra. Denise Reis Franco sobre o assunto.
