O jovem João Rezek, de 26 anos, enfrentou um dos maiores desafios da sua vida: completar os 102 km da prova L’Étape Rio de Janeiro, uma das mais importantes do ciclismo brasileiro. Além disso, o ciclista com diabetes tipo 1 terminou a prova em pouco mais de 3 horas e conquistou a 27ª colocação geral. Para isso, ele manteve uma rotina rigorosa de treinos, alimentação controlada e cuidados constantes com a glicose. Dessa forma, João conseguiu equilibrar o desempenho esportivo com o controle da condição crônica.
Ao longo da preparação, ele também monitorou diariamente os níveis de glicose, adaptou os treinos conforme as orientações médicas e ajustou o consumo de carboidratos antes, durante e depois das pedaladas. Como resultado, o atleta garantiu estabilidade glicêmica e energia suficiente para enfrentar as subidas desafiadoras da prova.
A rotina de treinos de um ciclista com diabetes
João treina todos os dias úteis, de segunda a quinta-feira, pedalando entre 45 e 60 quilômetros. Além disso, ele acorda às 4h da manhã para garantir que a rotina aconteça com regularidade e disciplina. Para manter o foco e melhorar o desempenho, ele segue um plano de treino detalhado, estruturado por um profissional da área.
Por outro lado, toda sexta-feira ele faz uma pausa estratégica, justamente para que o corpo tenha tempo de recuperar e se preparar para os treinos mais intensos do fim de semana. Nos sábados e domingos, por exemplo, ele realiza treinos longos, que variam entre 100 e 160 quilômetros, dependendo do objetivo da prova-alvo.
Dessa forma, João consegue manter o preparo físico em alta, controlar a glicose de maneira eficiente e se destacar nas competições. Essa rotina equilibrada, portanto, demonstra que, com planejamento adequado, é possível aliar o diabetes tipo 1 com o esporte de resistência.
“Às vezes a gente faz 100 nos dois dias, às vezes 130 num dia e 100 no outro. Vai depender da prova-alvo.”
Controle da glicose antes, durante e depois da prova
No caso de um ciclista com diabetes, o controle da glicose exige atenção redobrada. João se planeja com antecedência. No dia anterior à prova, ele aumenta a ingestão de carboidratos e ajusta a insulina. Já no dia da competição, ele segue sua rotina habitual:
“De manhã eu comi um pão com doce de leite, que é o que eu costumo. Procurei não sair da rotina e levei o carbo gel.”
Durante a prova, João consome carboidrato a cada 40 minutos para manter a glicose equilibrada. “Se acaba baixando, eu me sinto fraco. Eu não consigo fazer força.” Além disso, a hidratação é outro fator essencial.
O percurso desafiador do L’Étape Rio
João descreveu o trajeto da prova com detalhes. A largada aconteceu no Flamengo, passando por Copacabana, Leblon, subida da Vista Chinesa, Canoas, começo da Barra da Tijuca e retorno pelo mesmo caminho. O trajeto totalizou 102 km, com trechos de subidas íngremes. Mesmo assim, ele manteve o ritmo e garantiu uma das melhores colocações entre os competidores amadores.
Esporte desde a infância e diagnóstico aos 15 anos
João descobriu o diabetes tipo 1 aos 15 anos. Na época, ele já treinava jiu-jitsu e chegou a conquistar a faixa preta. A mudança para o ciclismo veio durante a pandemia, em 2020, quando precisou abandonar os treinos de contato.
“Eu tive que migrar pra bicicleta por conta das condições de treino e pra não ficar parado.”
O novo esporte virou uma paixão. Ele já participou de provas em diversos estados brasileiros e até no exterior.
“Participei de uma volta em Hernandarias, no Paraguai. Já corri em Cascavel, em várias cidades do Mato Grosso do Sul, e não perco uma competição.”
Alimentação regrada e disciplina diária
A alimentação de João é rigorosamente controlada. Ele segue o plano nutricional elaborado por sua nutricionista, Andréia João.
“Eu peso minha alimentação. Eu procuro falar assim: eu sempre tô de dieta.” Mesmo em momentos de lazer, ele mantém o equilíbrio. “Aí no final de semana tem um evento, eu vou lá e como uma bobeirinha. Mas a minha vida é assim. Eu me doutrinei a sempre seguir a linha.”
Para João, o esporte vai muito além da competição. Ele acredita que treinar e ter metas ajuda a manter uma rotina saudável.
“Quando você tem um objetivo, você acaba criando uma rotina e criando uma doutrina para o seu dia a dia. Você vai ter que comer certo pra ter um bom desempenho, vai ter que se esforçar mais pra atingir um resultado.”
O exemplo de um ciclista com diabetes
Além de engenheiro civil no Mato Grosso do Sul, João mantém uma rotina de atleta. Ele acredita que o esporte transforma vidas e não se vê longe da bicicleta.
“Hoje vou pra todo canto de bike, adoro pedalar.”
Mesmo convivendo com o diabetes tipo 1, João prova que é possível ter desempenho e saúde.
“Não é porque eu tenho diabetes que eu não vou precisar de açúcar. É pelo contrário. Durante o esporte eu acabo queimando bastante, então eu preciso ingerir carboidrato pra glicose subir.”
LEIA MAIS
- Sintomas de glicose alta: 5 sinais diferentes que podem indicar alerta no corpo
- Estudo brasileiro desenvolve sensor de glicose com micro-ondas; entenda
- Complicações do diabetes: 7 cuidados essenciais para evitar problemas graves de saúde
