O cuidado com o diabetes não termina quando a consulta acaba. Ele continua na hora de tomar o comprimido, aplicar a insulina e organizar os medicamentos que serão usados ao longo do mês. Para quem precisa de tratamento contínuo, conseguir esses produtos regularmente é parte da rotina de saúde e também do planejamento financeiro da família.
É nesse ponto que o Farmácia Popular faz diferença. O programa oferece gratuitamente medicamentos em farmácias privadas credenciadas, complementando a distribuição pela rede pública. Para o diabetes, são sete apresentações contempladas, entre comprimidos e insulinas. A lista inclui dapagliflozina, cujo acesso depende de critérios específicos.
Desde fevereiro de 2025, todos os medicamentos e insumos que fazem parte do elenco do programa passaram a ser gratuitos. A mudança encerrou o copagamento, modalidade na qual o paciente precisava pagar parte do valor de determinados itens. A gratuidade, entretanto, vale para a relação definida pelo Ministério da Saúde, e não para qualquer medicamento vendido no estabelecimento.
Por que o Farmácia Popular importa na vida de quem tem diabetes?
Um tratamento de uso contínuo representa uma necessidade que se repete todos os meses. Quando há mais de uma doença crônica, a rotina pode incluir medicamentos para glicose, pressão arterial e colesterol. Ter acesso gratuito aos itens prescritos reduz o gasto direto da família com esses produtos.
A importância desse acesso também foi investigada em estudos brasileiros que avaliaram internações e mortes por diabetes e hipertensão.
Uma pesquisa publicada em 2019 na Revista de Saúde Pública analisou dados de 5.566 municípios. Foram consideradas informações de internações entre 2003 e 2016 e de mortalidade entre 2003 e 2015. Os pesquisadores encontraram redução desses desfechos associada à expansão do Farmácia Popular, especialmente por meio da rede de farmácias conveniadas.
Outro estudo, publicado em 2020 no Journal of Health Economics, encontrou que uma farmácia adicional credenciada por 100 mil habitantes esteve associada à redução de 3,6% na taxa de internações por diabetes em relação ao nível inicial. Os efeitos foram maiores para diabetes tipo 2 e entre pessoas em condições socioeconômicas menos favoráveis.
Esses resultados se referem aos períodos e às populações estudadas. Não representam uma previsão individual nem devem ser apresentados como indicadores atuais do programa. Eles oferecem, porém, evidências de que ampliar o acesso aos medicamentos pode trazer benefícios que vão além da economia na compra.
Quais são as 7 opções gratuitas para diabetes?
A relação oficial do Ministério da Saúde, atualizada em 31 de agosto de 2026, e a regulamentação do programa contemplam as seguintes apresentações:
| Medicamento | Apresentação contemplada |
|---|---|
| Cloridrato de metformina | 500 mg |
| Cloridrato de metformina de ação prolongada | 500 mg |
| Cloridrato de metformina | 850 mg |
| Glibenclamida | 5 mg |
| Insulina humana NPH | 100 UI/mL |
| Insulina humana regular | 100 UI/mL |
| Dapagliflozina | 10 mg, com critérios específicos |
São sete apresentações, e não sete medicamentos inteiramente diferentes. A metformina, por exemplo, aparece em duas dosagens e também na formulação de ação prolongada.
Essa distinção é importante na retirada. O nome do medicamento, a concentração e a formulação precisam ser conferidos: a inclusão de uma apresentação no programa não significa que todas as versões comerciais estejam disponíveis gratuitamente.
A lista também não indica que todos esses medicamentos sejam adequados para qualquer pessoa com diabetes. A escolha do tratamento depende da avaliação clínica, considerando fatores como função dos rins, risco de hipoglicemia e outras condições de saúde. Não se deve substituir o tratamento por conta própria apenas porque outra opção é oferecida gratuitamente.
Dapagliflozina tem critérios específicos de acesso
A dapagliflozina 10 mg aparece no elenco oficial para diabetes associado à doença cardiovascular. Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2026, o acesso pelo Farmácia Popular contempla pessoas com 65 anos ou mais, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular associada.
Portanto, ter uma receita desse medicamento não significa, isoladamente, atender às regras de retirada pelo programa.
A SBD também descreve possibilidades de acesso à dapagliflozina pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, com critérios próprios. Quem não se enquadra no Farmácia Popular pode consultar a equipe de saúde sobre a possibilidade de receber o medicamento por outra via do SUS. As regras dessas modalidades são diferentes.
A oferta também alcança outras doenças crônicas
O Farmácia Popular contempla medicamentos para hipertensão, asma, colesterol alto, osteoporose, rinite, doença de Parkinson e glaucoma. Entre os exemplos estão losartana potássica 50 mg, hidroclorotiazida 25 mg, sinvastatina de 10, 20 e 40 mg e alendronato de sódio 70 mg.
Para pessoas que convivem com diabetes e outras condições, essa oferta pode atender diferentes partes do tratamento. Cada medicamento, entretanto, precisa ter indicação e prescrição próprias.
Segundo o Ministério da Saúde, mais de 27,3 milhões de pessoas foram atendidas pelo Farmácia Popular em 2025. Esse número considera o conjunto de usuários do programa, e não apenas aqueles que têm diabetes.
Como retirar os medicamentos gratuitamente?
Para receber os medicamentos, é necessário procurar uma farmácia credenciada, identificada pelo selo Aqui Tem Farmácia Popular, e apresentar:
- Documento oficial com foto.
- Número do CPF.
- Receita médica dentro do prazo de validade.
O programa aceita receitas emitidas tanto pelo SUS quanto por serviços particulares. Pessoas acamadas ou impossibilitadas de comparecer podem ter os medicamentos retirados por representante legal ou procurador, mediante a documentação exigida.
Confirmar previamente se o estabelecimento tem a apresentação prescrita pode evitar deslocamentos sem resultado. Também ajuda a identificar uma dificuldade de acesso antes que o medicamento em uso termine.
Se a retirada não for possível, a UBS pode orientar sobre os caminhos disponíveis na rede pública. Dúvidas e reclamações relacionadas ao Farmácia Popular podem ser encaminhadas à Ouvidoria do SUS, pelo telefone 136.
O acesso ao medicamento precisa vir acompanhado de cuidado
Embora tenha papel na oferta de tratamento, o Farmácia Popular não reúne todos os medicamentos e tecnologias utilizados por pessoas com diabetes. Insulina glargina, sensores de glicose e semaglutida não aparecem no elenco consultado. A eventual distribuição de outros tratamentos pelo SUS segue políticas e fluxos próprios.
O acompanhamento também envolve consultas, exames, educação em diabetes e avaliação de possíveis complicações. A SBD orienta que a definição do tratamento considere o risco cardiovascular e a função renal, além da glicose.
Na vida cotidiana, a contribuição do programa está em facilitar o acesso aos medicamentos contemplados sem cobrança no momento da retirada. Conhecer essa possibilidade, conferir as apresentações disponíveis e entender as regras ajuda pacientes e famílias a organizar uma necessidade que acompanha o cuidado todos os meses.
