Pessoas com diabetes tipo 1 precisam utilizar insulina porque, nesse tipo de diabetes, o pâncreas deixa de produzir o hormônio necessário para controlar a glicemia. Segundo a endocrinologista e pesquisadora Denise Franco, entrevistada pelo Portal Um Diabético, não há outra forma de tratamento que substitua o medicamento nesse caso.
A insulina permite que a glicose presente no sangue seja utilizada pelo organismo. Sem a reposição do hormônio, a glicemia pode permanecer elevada e o tratamento não consegue cumprir sua função de controle.
Segundo Denise, o medicamento é parte essencial do tratamento de quem tem diabetes tipo 1. Por isso, o uso do medicamento começa, em geral, desde o diagnóstico da doença.
Como funciona o tratamento
A médica explica que o tratamento do diabetes tipo 1 utiliza diferentes formas do medicamento. Entre elas estão a insulina basal, também chamada de prolongada, e a insulina de ação rápida.
A basal atua durante os períodos em que a pessoa não está comendo, como durante o sono. Sua função é ajudar a manter a glicemia dentro da faixa estabelecida para pessoas com diabetes sem a influência direta das refeições.
Já a de ação rápida é utilizada em relação à alimentação. No diabetes tipo 1, a pessoa precisa considerar a necessidade de insulina nas refeições para controlar o aumento da glicemia provocado pela ingestão de alimentos.
Denise explica que, embora o tratamento possa começar de formas diferentes em determinadas situações, a estratégia intensiva utiliza as duas formas de insulina: basal e bolus, sendo a segunda relacionada às refeições.
Por que existem diferentes tipos
Os análogos de insulina são moléculas modificadas para apresentar características diferentes de ação no organismo.
Segundo Denise, a NPH continua disponível no Brasil e é utilizada por parte das pessoas que precisam de insulina. Como sua duração de ação é limitada, pode ser necessário realizar mais de uma aplicação ao longo do dia.
A médica explica que a NPH pode apresentar ação de até 20 horas. Quando se aumenta a quantidade utilizada para prolongar sua ação, também pode aumentar o risco de hipoglicemia, que é a queda da glicemia para níveis abaixo do esperado.
Os análogos podem apresentar períodos de ação diferentes. A entrevista também cita uma insulina basal de duração prolongada que pode ser aplicada semanalmente e que já havia sido aprovada em outros países, com expectativa de chegada ao Brasil mencionada durante a gravação.
O que muda para quem tem diabetes tipo 1
No diabetes tipo 1, a necessidade de insulina está relacionada à ausência de produção adequada do hormônio pelo pâncreas. Por isso, diferentemente do diabetes tipo 2, a reposição de insulina faz parte do tratamento da doença.
A médica ressalta que o medicamento não deve ser entendido como uma punição pelo diabetes ou como sinal de que a pessoa fez algo errado. O tratamento precisa ser acompanhado de orientação sobre aplicação, doses, conservação e identificação de alterações da glicemia.
Esse processo exige aprendizado. Antes de iniciar a insulinoterapia, o paciente precisa receber informações sobre como aplicar a insulina, qual dose utilizar e como agir diante de uma possível hipoglicemia ou hiperglicemia.
Não significa que o diabetes piorou
A associação entre o início da insulina e uma suposta piora do diabetes é mais discutida na entrevista em relação ao diabetes tipo 2. Segundo Denise, nesses casos, a necessidade desse medicamento pode ser temporária ou permanente, dependendo da situação clínica e da evolução da produção de insulina pelo organismo.
No diabetes tipo 1, porém, a situação é diferente. Como o pâncreas deixa de produzir insulina, o tratamento depende da reposição do hormônio.
A endocrinologista também afirma que a insulina pode ser utilizada de forma segura quando o paciente recebe orientação adequada. Entre os cuidados estão o aprendizado da técnica de aplicação e o acompanhamento dos níveis de glicemia.
105 anos de descoberta
A entrevista também relembra a evolução do tratamento. A descoberta ocorreu em 1921, e o medicamento passou por mudanças ao longo das décadas.
Segundo Denise, as primeiras insulinas utilizadas no tratamento tinham origem animal. Atualmente, existem análogos de insulina desenvolvidos a partir de modificações na molécula para alterar suas características de ação.
A evolução também inclui diferentes opções de duração e formas de aplicação. Entre elas está a insulina basal semanal citada durante a entrevista, que já possui aprovação em outros países e foi apontada como uma possibilidade de chegada ao Brasil.
No diabetes tipo 1, a necessidade de reposição do medicamento permanece como parte do tratamento porque o organismo não produz o hormônio necessário para o controle da glicemia. A escolha do tipo e da forma de aplicação deve ser feita de acordo com a orientação da equipe de saúde.