A alimentação como pilar do tratamento do diabetes
Quando o assunto é diabetes, a alimentação ocupa papel central no tratamento. Além do uso de medicamentos e insulina, o que se come interfere diretamente no controle da glicose.
Além disso, escolhas inadequadas feitas diariamente podem provocar picos glicêmicos frequentes. Como consequência, o controle da doença se torna mais difícil, mesmo com acompanhamento médico.
Nesse contexto, entender quais alimentos devem ser evitados ou consumidos com moderação ajuda no autocuidado. Por isso, o portal Um Diabético ouviu a nutricionista Maria Caroline Netto.
Seis alimentos que exigem atenção no controle da glicose
1. Açúcar refinado
O açúcar refinado é rapidamente absorvido pelo organismo. Por isso, ele eleva a glicose no sangue em pouco tempo e dificulta o controle glicêmico.
“O açúcar pode ser considerado uma caloria vazia e, quando consumido em excesso, impacta diretamente o controle do diabetes”, afirma Maria Caroline Netto. No entanto, em casos de hipoglicemia, ele pode ser utilizado de forma pontual.
2. Biscoitos recheados e produtos ricos em açúcar e gordura
Biscoitos recheados combinam açúcar, carboidratos simples e gordura hidrogenada. Dessa forma, favorecem picos glicêmicos e aumentam o consumo calórico diário.
Além disso, o consumo frequente contribui para o ganho de peso. Com o tempo, isso pode aumentar a resistência à insulina e dificultar o tratamento.
3. Salgadinhos de pacote e ultraprocessados ricos em sódio
Salgadinhos industrializados concentram carboidratos simples, gorduras e grandes quantidades de sódio. Portanto, impactam a glicose e a saúde cardiovascular.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o excesso de sódio pode elevar a pressão arterial. Esse fator agrava riscos em pessoas com diabetes.
4. Suco de caixinha
Apesar da aparência saudável, o suco de caixinha costuma conter açúcar adicionado e pouca fibra. Assim, ele se comporta como uma bebida adoçada.
De acordo com a American Diabetes Association, bebidas açucaradas elevam rapidamente a glicose. Além disso, não promovem saciedade.
5. Refrigerantes com açúcar
Refrigerantes tradicionais são ricos em açúcar e não oferecem nutrientes essenciais. Por isso, o consumo regular dificulta o controle glicêmico.
Assim como o açúcar refinado, o refrigerante pode ser usado apenas em episódios de hipoglicemia. Ainda assim, não deve fazer parte da rotina alimentar.
6. Batata frita e preparações ricas em gordura
A batata frita associa carboidrato de rápida absorção com grande quantidade de gordura. Como resultado, a glicose pode permanecer elevada por mais tempo.
Além disso, dietas ricas em gordura saturada aumentam a resistência à insulina. Esse efeito dificulta o controle do diabetes ao longo do dia.
Ganho de peso e impacto no tratamento do diabetes
Além de afetarem a glicose, esses alimentos favorecem o ganho de peso quando consumidos com frequência. Eles são calóricos e pobres em nutrientes essenciais.
Nesse cenário, o sobrepeso e a obesidade dificultam o tratamento do diabetes tipo 1 e do diabetes tipo 2. Isso ocorre porque aumentam a resistência à insulina.
Além disso, no diabetes tipo 2, o excesso de peso é reconhecido como fator de risco importante. Com o passar do tempo e da idade, esse risco se soma à genética.
Portanto, diretrizes da SBD e da ADA não recomendam esses alimentos na rotina alimentar. O consumo eventual pode ocorrer, mas não deve ser frequente.
Informação e escolhas conscientes no dia a dia
Mais do que proibir alimentos, o tratamento do diabetes envolve informação de qualidade. Entender o impacto das escolhas ajuda no controle glicêmico diário.
Ao mesmo tempo, uma alimentação equilibrada contribui para o controle do peso, reduz riscos cardiovasculares e melhora a qualidade de vida ao longo do tempo.
Referências:
Sociedade Brasileira de Diabetes – Manual de Nutrição
https://diabetes.org.br
American Diabetes Association – Nutrition Therapy Guidelines
https://diabetes.org
