Viajar com diabetes tipo 1 exige planejamento, adaptação e monitoramento constante da glicose, especialmente em países com regras diferentes para acesso à insulina e rotinas distintas.
Essa é a experiência de Lucas Costa Amaral, 30 anos, advogado do Rio de Janeiro, que convive com diabetes tipo 1 LADA desde 2017 e transformou o diagnóstico em um ponto de virada na forma de viver.
Diagnóstico de diabetes tipo 1 ocorreu em fase de pressão
Lucas recebeu o diagnóstico em 2017, durante um período de alta demanda acadêmica. Ele conciliava o trabalho de conclusão de curso com os estudos para a OAB.
Nesse contexto, sintomas como sede intensa e persistente chamaram atenção. “Eu bebia água o tempo todo e nada parecia suficiente”, relata.
Após procurar atendimento médico, exames apontaram glicemia elevada. Inicialmente, houve suspeita de diabetes tipo 2. No entanto, após investigação, foi confirmado o diagnóstico de diabetes tipo 1 LADA.

Diabetes tipo 1 influenciou decisão de viajar
O diagnóstico trouxe impacto emocional relevante. Lucas relata episódios de ansiedade e sensação de perda de controle nos primeiros meses.
No entanto, com o tempo, houve mudança de perspectiva.
“Eu entendi que a diabetes faria parte de mim e decidi viver de verdade”, afirma.
Nesse sentido, viajar passou a fazer parte da rotina. A busca por experiências, contato com novas culturas e aprendizado de idiomas se tornou prioridade.
Controle do diabetes tipo 1 durante viagens envolve fatores emocionais
Viajar com diabetes não envolve apenas logística. Segundo Lucas, o controle emocional é um dos principais desafios.
“Você precisa estar com a cabeça ajustada, porque não é só a viagem, mas o controle glicêmico ao mesmo tempo”, explica.
Além disso, há dificuldades práticas. O transporte de insumos e o acesso à insulina em outros países podem gerar insegurança, especialmente onde há exigência de prescrição médica.
Planejamento é estratégia para manter o controle glicêmico
Antes de cada viagem, Lucas adota uma estratégia de segurança. Ele leva insumos com margem superior ao tempo previsto de permanência.
Por exemplo, em uma viagem de dois meses, ele carrega materiais para pelo menos três. Isso inclui insulina, sensores e itens de monitoramento.

Além disso, ele pesquisa previamente como funciona a compra de insulina no destino. Verifica necessidade de receita, locais de aquisição e disponibilidade.
Enquanto isso, na alimentação, a escolha por supermercados locais permite manter uma rotina mais próxima da habitual.
Episódio de hipoglicemia em viagem exigiu ação imediata
Durante uma viagem à Irlanda, Lucas enfrentou um episódio de hipoglicemia significativa. Ele relata que estava sozinho quando começou a se sentir mal. Ao medir a glicose, o valor era de 31 mg/dL. Nesse momento, interrompeu o trajeto, sentou-se e ingeriu açúcar. Ele utilizou um pacote de bala mentos e aguardou cerca de 15 minutos até a recuperação dos níveis glicêmicos.
Fuso horário altera rotina e controle do diabetes tipo 1
A mudança de fuso horário impacta diretamente o controle glicêmico. Alimentação, sono e aplicação de insulina passam por ajustes. Lucas relata que, ao passar dois meses nos Emirados Árabes Unidos, enfrentou dificuldades nas primeiras semanas. A diferença de sete horas exigiu adaptação.

Nesse período, houve descontrole da glicemia, mesmo com aumento da dose de insulina. Segundo ele, foram necessárias de duas a três semanas para estabilizar a rotina. Portanto, o impacto do fuso deve ser considerado no planejamento da viagem.
Tailândia apresentou desafios com insulina e temperatura
Entre os destinos visitados, a Tailândia foi considerada a experiência mais desafiadora. O fuso de aproximadamente 11 horas em relação ao Brasil dificultou o ajuste da rotina. Além disso, passeios longos, muitas vezes em barcos sob calor, trouxeram um problema adicional: o armazenamento da insulina.

Sem condições adequadas de conservação, Lucas optava, em alguns momentos, por não levar o medicamento durante o dia. Ele calculava a alimentação antecipadamente e aplicava insulina antes dos passeios.
No entanto, essa estratégia envolve risco e não substitui orientação médica individualizada. Além disso, a compra de insulina no país exigia prescrição médica. Isso aumentou o custo e a burocracia. Segundo ele, foram gastos cerca de R$ 2 mil para aquisição de insulinas de ação rápida e prolongada.
Tecnologia facilita controle do diabetes tipo 1 em viagens
O uso de tecnologias de monitoramento contribui para o controle glicêmico fora de casa. Lucas utiliza o sensor de glicose FreeStyle Libre, que permite acompanhamento contínuo dos níveis glicêmicos.
Ele afirma que o dispositivo facilita decisões rápidas durante deslocamentos e atividades. Por outro lado, ele não utiliza bomba de insulina. Segundo ele, as canetas são mais práticas para transporte em viagens longas. Ainda assim, mantém um plano de segurança com medidor tradicional e fitas reagentes.
As aventuras compartilhadas no perfil ‘Diabético Viaja’
No perfil @diabeticoviaja no Instagram, Lucas compartilha em tempo real a rotina de quem convive com diabetes tipo 1 enquanto viaja por diferentes países. Ele publica registros do dia a dia, incluindo monitoramento da glicose, alimentação, desafios com fuso horário e acesso à insulina fora do Brasil. O conteúdo mostra situações práticas da vida com diabetes em viagens, aproximando o público da realidade do controle glicêmico em diferentes contextos culturais e rotinas.
Relato reforça importância do preparo e do autocuidado
A experiência de Lucas aponta que pessoas com diabetes tipo 1 podem viajar, desde que haja planejamento e monitoramento.
Ele destaca que não há limite para atividades, mas ressalta a necessidade de responsabilidade.
“Planeje, se prepare e entenda o seu corpo”, orienta.
Além disso, o aspecto emocional é central. Estar mentalmente preparado pode influenciar diretamente na tomada de decisões e no controle glicêmico.