O Carnaval com diabetes exige planejamento diante do aumento da atividade física. Blocos de rua, desfiles e festas prolongadas elevam o gasto energético e alteram a rotina alimentar. Segundo a endocrinologista Denise Franco, esse cenário impacta diretamente o controle glicêmico.
“A primeira coisa que chama atenção no Carnaval é a atividade física. Mesmo quem não percebe, se movimenta mais horas do que o habitual”, afirma a médica.
Atividade física prolongada altera necessidade de insulina
Durante o Carnaval com diabetes, a pessoa pode caminhar por horas, dançar sem pausa e permanecer em ambientes de calor. Além disso, muitas vezes não há horários regulares para alimentação.
Nesse contexto, Denise Franco orienta que a glicemia seja verificada antes de sair para o evento.
“É importante saber quanto está a glicemia e qual é a tendência, principalmente se usa sensor”, afirma.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o exercício físico aumenta a captação de glicose pelos músculos. Portanto, pode reduzir a glicemia durante e após a atividade. No entanto, o efeito pode se estender por horas, o que exige atenção também no período noturno.
Além disso, o tempo de deslocamento até o bloco ou desfile pode ser longo. A médica destaca que nem sempre é possível sair do local para buscar alimento ou atendimento. Por isso, recomenda levar carboidrato de ação rápida.
“Você tem que ir para a atividade como se não fosse ter acesso a nada. Leve seu kit para hipoglicemia”, orienta.
Sensor de glicose facilita, mas não substitui planejamento
O uso de sensor de glicose pode auxiliar na tomada de decisão. Ainda assim, Denise Franco reforça que o equipamento não elimina a necessidade de organização prévia.
“Se usa sensor, facilita a vida. Mas é preciso levar insulina, glicosímetro e material extra”, afirma.
Por outro lado, quem não utiliza sensor deve carregar o glicosímetro e tiras suficientes. Segundo a American Diabetes Association (ADA), a monitorização frequente reduz risco de eventos graves durante atividades prolongadas.
Além disso, ambientes com calor intenso podem interferir na conservação da insulina. Portanto, é necessário protegê-la da exposição direta ao sol.
Nem toda perda de consciência é hipoglicemia
Durante a entrevista, Denise Franco relatou o caso de um jovem que perdeu a consciência no Carnaval. Amigos suspeitaram de hipoglicemia, porém a glicemia estava dentro da faixa esperada.
“Nem tudo é hipo. Às vezes é efeito do álcool”, afirmou.
Nesse contexto, a médica reforça que sintomas de intoxicação alcoólica podem se confundir com hipoglicemia. Portanto, medir a glicemia é essencial antes de qualquer conduta.
A ADA alerta que álcool pode reduzir a produção hepática de glicose. Assim, o risco de hipoglicemia pode surgir horas depois da ingestão.
Planejamento amplia participação
O Carnaval com diabetes não é contraindicado. No entanto, a especialista afirma que improviso aumenta risco.
“Dá para participar. Mas precisa planejar”, resume Denise Franco.
Entre as medidas indicadas estão: verificar glicemia antes de sair, ajustar insulina conforme orientação médica, levar carboidrato de ação rápida, manter hidratação e monitorar durante e após o evento.
Além disso, o retorno para casa também exige atenção. Muitas hipoglicemias ocorrem horas depois da atividade intensa.
Nesse cenário, informação e preparo reduzem intercorrências e ampliam segurança.