Um dispositivo portátil apresentado na CES 2026 propõe alertar usuários sobre possíveis alterações nos níveis de glicose por meio da respiração. A empresa PreEvnt desenvolveu o aparelho, chamado Isaac, que utiliza a detecção de compostos orgânicos voláteis no hálito, com foco na cetona.
O usuário pode usar o dispositivo, do tamanho aproximado de um relógio, com cordão, clipe ou transportá-lo no bolso. Para obter uma leitura, ele sopra no sensor, que registra o resultado e envia os dados para um aplicativo instalado no smartphone.
Importante destacar que o Isaac não mede glicose no sangue, mas identifica a presença de cetona na respiração exalada, um composto associado a processos metabólicos que podem ocorrer em situações de glicose elevada.
Como funciona a tecnologia proposta
A tecnologia do Isaac se baseia na detecção de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs) presentes na respiração humana. Pesquisadores consideram a cetona, entre esses compostos, um marcador metabólico relacionado ao uso de gordura como fonte de energia.
Segundo informações da própria empresa, o dispositivo gera alertas ao usuário quando identifica níveis mais altos de cetona. Além disso, o sistema registra as leituras com data, hora e permite adicionar anotações manualmente. No entanto, ele não apresenta valores numéricos de glicose nem estabelece equivalência direta com medições sanguíneas.
Aplicativo registra dados e gera relatórios
O aplicativo Isaac by PreEvnt, disponível para iOS e Android, funciona como interface de visualização e armazenamento das leituras. Dessa forma, o sistema organiza os resultados dos testes de respiração em histórico e permite exportar relatórios.

O usuário pode compartilhar os relatórios com familiares ou profissionais de saúde. Ainda assim, a empresa não afirma que esses dados possam orientar decisões terapêuticas ou ajustes de medicação. A bateria do dispositivo tem duração estimada de um dia inteiro, com recarga por base USB-C, permitindo múltiplos testes ao longo do dia.
Indicação de uso, segundo o fabricante
De acordo com a PreEvnt, o Isaac foi projetado para pessoas com diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, pré-diabetes e indivíduos interessados em acompanhar a saúde metabólica. A proposta central é reduzir a necessidade ou a frequência de medições invasivas, como a glicemia capilar.
Ainda assim, a empresa não afirma que o dispositivo substitua glicosímetros ou sensores contínuos aprovados. Nesse contexto, o uso é apresentado como complementar ao monitoramento tradicional.
Desenvolvimento e estágio atual
O projeto do Isaac surgiu a partir da experiência pessoal de Bud Wilcox, avô de uma criança diagnosticada com diabetes tipo 1. Consequentemente, o desenvolvimento passou a envolver cientistas, designers e engenheiros.
Os estudos contam com colaboração da Indiana University, sob coordenação do pesquisador M. Agarwal. Segundo a empresa, os testes clínicos envolvem adolescentes com diabetes tipo 1 e, em uma etapa posterior, adultos com diabetes tipo 2.
Atualmente, o dispositivo está em fase contínua de desenvolvimento e, além disso, passa por análise regulatória junto à Food and Drug Administration (FDA). Por esse motivo, o Isaac não está disponível para venda nos Estados Unidos.
O que a ciência sabe sobre cetona no hálito
A cetona é reconhecida como um subproduto do metabolismo de gorduras. Em pessoas com diabetes, sua presença pode aumentar em situações de deficiência de insulina ou alterações metabólicas.
A American Diabetes Association (ADA) informa que a detecção de cetonas ou cetona está relacionada ao metabolismo energético; no entanto, ela não substitui a medição direta da glicose no sangue. Além disso, fatores como jejum prolongado, dietas com restrição de carboidratos e atividade física intensa também podem elevar a cetona no hálito.
Consequentemente, a interpretação desse marcador apresenta limitações quando utilizada de forma isolada.
Limitações e cuidados no uso
Instituições científicas destacam que tecnologias baseadas na análise da respiração ainda enfrentam desafios de padronização e validação clínica. Segundo o National Institutes of Health (NIH), a correlação entre cetona no hálito e níveis de glicose varia entre indivíduos e contextos metabólicos.
Nesse cenário, especialistas reforçam que dispositivos desse tipo devem ser utilizados apenas como ferramentas complementares. O acompanhamento médico e os métodos validados de monitoramento seguem sendo essenciais para o manejo do diabetes.
Referências
American Diabetes Association – Ketones and Diabetes
https://diabetes.org/diabetes/complications/ketones
National Institutes of Health (NIH) – Breath acetone as a biomarker
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29972892/
Indiana University – Pesquisa em sensores metabólicos
https://medicine.iu.edu/research
