A expressão “açúcar no sangue” costuma levar muita gente a uma conclusão direta: se a taxa subiu, o problema foi o doce. Em entrevista ao DiabetesCast, uma nutricionista da Sociedade Brasileira de Diabetes explica por que essa associação é incompleta e o que, de fato, o exame de glicemia mede.
O exame mede o açúcar que a gente come?
Não exatamente.
O exame de glicemia mede a glicose no sangue, que é o açúcar final circulando na corrente sanguínea. Já o açúcar que se come pode ter várias formas e origens.
Na entrevista, a nutricionista Tarcila Campos, educadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, explica que o corpo não absorve os alimentos da mesma forma que eles entram pela boca.
Segundo ela, durante a digestão, diferentes alimentos passam por transformações até chegar a uma forma comum: a glicose.
Então o açúcar do sangue não vem só do açúcar branco?
Exato.
Ao longo da conversa, Tarcila Campos esclarece que o açúcar de mesa, chamado sacarose, é apenas um tipo de carboidrato. Após a digestão, ele vira glicose. O mesmo acontece com outros alimentos comuns do dia a dia.
“Todo carboidrato que a gente consome passa pelo processo de digestão e acaba virando glicose na corrente sanguínea”, explica a nutricionista durante o DiabetesCast.
Isso inclui pão, arroz, macarrão, batata, frutas, cereais e até o leite. Por isso, a glicemia elevada não indica apenas consumo de doces.
Por que, então, o diabetes sempre foi associado ao açúcar?
A associação direta entre diabetes e doce é antiga e persiste no imaginário popular. Contudo, a entrevista mostra que o problema não está apenas no tipo de alimento, mas na quantidade total que vira glicose no organismo.
Durante o podcast, a nutricionista propõe uma comparação prática: uma fatia pequena de bolo e uma grande quantidade de uvas.
A explicação é que, dependendo do volume ingerido, a fruta pode resultar em mais glicose no sangue do que o doce. O que muda não é a origem do açúcar, mas quanto dele chega ao sangue após a digestão.
O açúcar da fruta e o do bolo viram a mesma coisa no sangue?
Sim.
Apesar de virem de alimentos diferentes, ambos acabam convertidos em glicose. O organismo não distingue se a glicose veio do açúcar branco, da frutose da fruta ou do amido do pão.
A diferença está no contexto. Frutas oferecem fibras e nutrientes, enquanto doces costumam concentrar açúcar e gordura. Ainda assim, no exame, o que aparece é a glicose circulando no sangue.
Onde entra a confusão sobre “cortar açúcar”?
A entrevista deixa claro que retirar apenas o açúcar branco da alimentação não garante controle da glicemia.
Segundo a nutricionista, muitas pessoas acreditam que trocar tudo por produtos diet resolve o problema. No entanto, esses produtos podem continuar contendo carboidratos que também viram glicose.
O exame não mede o rótulo do alimento, mas o resultado final da digestão.
Conclusão: afinal, é ou não é o mesmo açúcar?
Não é o mesmo açúcar que se come, mas é o mesmo açúcar que circula no sangue.
O organismo transforma diferentes tipos de carboidratos em glicose, que é o açúcar medido no exame.
A entrevista mostra que entender essa diferença ajuda a reduzir culpa, medo e desinformação. O foco deixa de ser apenas o doce e passa a ser a compreensão do que, de fato, vira glicose no corpo.
Fontes e verificação
- Sociedade Brasileira de Diabetes
Diretrizes e materiais educativos
https://diabetes.org.br
Checado em: 22/01/2026 - Ministério da Saúde
Guia Alimentar para a População Brasileira
https://www.gov.br/saude
Checado em: 22/01/2026 - Organização Mundial da Saúde
Diet, Nutrition and the Prevention of Chronic Diseases
https://www.who.int
Checado em: 22/01/2026
