Conviver com diabetes exige decisões diárias relacionadas à alimentação. No entanto, ao longo dos anos, informações imprecisas transformaram a comida em fonte de medo e culpa.
Nesse contexto, muitas pessoas adotam regras rígidas que não encontram respaldo científico. Por isso, separar mitos de verdades sobre alimentação no diabetes se torna essencial para melhorar o controle glicêmico e a qualidade de vida.
1. Mito: pessoas com diabetes não podem comer frutas
Muitas pessoas acreditam que frutas devem ser excluídas da alimentação após o diagnóstico de diabetes. Geralmente, essa ideia surge quando a glicose sobe após o consumo.
Segundo a nutricionista Maristela Strufaldi, essa interpretação ignora fatores importantes do tratamento.
“A fruta não é vilã. Quando a glicose sobe, precisamos avaliar porção, horário, glicemia antes da refeição e o tratamento como um todo”, explica.
Além disso, frutas como a maçã oferecem fibras e baixo índice glicêmico. Portanto, quando a pessoa respeita a quantidade adequada, o consumo se mantém seguro.
2. Verdade: refrigerante zero não aumenta a glicose, mas prejudica a saúde
Do ponto de vista glicêmico, o refrigerante zero não eleva a glicose, pois não contém carboidratos.
Ainda assim, esse tipo de bebida concentra sódio, adoçantes e aditivos. Por esse motivo, o consumo frequente não contribui para uma alimentação saudável, independentemente da presença do diabetes.
Nesse cenário, a orientação é clara: a pessoa deve tratar o refrigerante como exceção, e não como hábito diário.
3. Mito: suco de fruta tem o mesmo efeito da fruta inteira
Muitas pessoas associam o suco à fruta in natura. No entanto, essa equivalência não se sustenta.
Quando alguém bate ou espreme a fruta, perde parte significativa das fibras. Como consequência, o açúcar entra mais rápido na corrente sanguínea, elevando a glicose de forma mais acelerada.
Além disso, sucos concentrados, como o de laranja, podem reunir quatro ou cinco frutas em um único copo. Nesse caso, a carga glicêmica se torna elevada.
4. Verdade: pão não precisa ser excluído da alimentação
Durante muitos anos, profissionais orientaram a troca do pão francês por torradas ou a retirada do miolo. Atualmente, a ciência já não sustenta essa recomendação.
“Torrar o pão não reduz o carboidrato. O que muda é apenas a textura”, esclarece Maristela.
Nesse contexto, a quantidade consumida e a combinação com proteínas, fibras e gorduras interferem muito mais na glicemia do que a simples exclusão do alimento.
5. Verdade: nem todo alimento eleva a glicose de forma significativa
Embora os carboidratos se transformem em glicose, nem tudo o que a pessoa consome provoca impacto relevante.
Verduras e legumes, por exemplo, apresentam efeito mínimo sobre a glicemia quando consumidos em quantidades habituais. Já proteínas e gorduras atuam de forma mais tardia, o que reforça a importância do equilíbrio alimentar.
Controle glicêmico exige informação e estratégia
O controle do diabetes não depende de listas de proibição. Pelo contrário, ele exige conhecimento, estratégia e acompanhamento profissional.
Quando a informação baseada em evidências substitui o medo, a alimentação deixa de ser inimiga e passa a atuar como aliada no controle da glicose.
