Para quem convive com diabetes, comer envolve decisões constantes que vão muito além do prato e exigem leitura atenta do próprio corpo. Durante muitos anos, profissionais e pacientes trataram a alimentação no diabetes como uma lista rígida de proibições. No entanto, a vivência clínica e a rotina de quem convive com a doença mostram uma realidade muito mais complexa.
No DiabetesCast, a nutricionista Maristela Strufaldi, educadora em diabetes e integrante da Sociedade Brasileira de Diabetes, reforça que nenhum alimento atua isoladamente no controle glicêmico.
Segundo ela, a resposta da glicose resulta da interação entre alimentação, medicação, metabolismo e contexto diário.
O impacto glicêmico vai além do alimento consumido
Muitas pessoas associam o aumento da glicose exclusivamente ao alimento ingerido.
Essa interpretação simplifica excessivamente o funcionamento do organismo.
Maristela Strufaldi explica que o impacto glicêmico depende do tipo de diabetes, do esquema medicamentoso e da glicemia antes da refeição.
Esses fatores determinam como o corpo reage ao carboidrato consumido.
Além disso, variáveis externas influenciam diretamente a sensibilidade à insulina.
Estresse, noites mal dormidas, infecções e atividade física recente alteram o comportamento da glicose.
Portanto, quando a glicemia sobe após uma refeição, o alimento nem sempre representa o principal fator.
Muitas vezes, o corpo já apresentava um desequilíbrio prévio.
Frutas não são vilãs no diabetes
O medo de frutas aparece com frequência entre pessoas com diabetes.
Esse receio surge, principalmente, após episódios de elevação glicêmica.
Durante a entrevista, Maristela Strufaldi esclarece que nenhuma fruta é proibida para quem convive com diabetes.
As frutas fornecem fibras, vitaminas e minerais essenciais para a saúde metabólica.
Uma maçã média, por exemplo, contém cerca de 15 gramas de carboidrato e apresenta baixo índice glicêmico.
Mesmo assim, a quantidade ingerida e o momento do consumo influenciam a resposta glicêmica.
Ao mesmo tempo, retirar frutas da alimentação pode gerar restrições desnecessárias.
Esse comportamento compromete a qualidade nutricional da dieta.
Nesse contexto, a especialista defende planejamento alimentar e acompanhamento profissional.
O objetivo não é excluir alimentos, mas aprender a utilizá-los com estratégia.
