Quem convive com diabetes sabe como a culpa pode ser uma armadilha. O medo de errar e a busca por um controle perfeito muitas vezes levam a uma relação nada saudável com a comida. O apresentador Tom, por exemplo, compartilhou que por muito tempo, ao ganhar algo que “não podia”, comia tudo de uma vez “para acabar com o problema”.
Esse comportamento é clássico e tem nome: é o ciclo de restrição e compulsão. A nutricionista Maristela Strufaldi, em participação no DiabetesCast, alerta: “A restrição gera compulsão, gera uma má relação com a comida, e não é e não precisa ser assim”. Para ter uma relação saudável com a comida, é preciso fugir do pensamento “já que” e abraçar a autocompaixão.
O perigo do pensamento “já que”
O “já que” é aquele pensamento que surge após um pequeno deslize. “Já que comi um brigadeiro, vou comer os 10”. Esse pensamento dicotômico, do “tudo ou nada”, é um dos maiores inimigos do controle glicêmico sustentável.
A verdade é que um brigadeiro, em um contexto de festa, não causa um grande estrago. O problema são os 10. A culpa pelo primeiro deslize é o que leva à compulsão. Entender que exceções acontecem e são permitidas é fundamental para manter o equilíbrio. A exceção não pode virar regra, mas ela também não precisa ser motivo para desistir de todo o planejamento.
Autoconhecimento e autocompaixão
O cuidado com o diabetes é uma jornada de 24 horas por dia, e é natural ter altos e baixos. Ninguém precisa ter o controle perfeito o tempo todo. A autocompaixão é entender que haverá dias mais difíceis e escolhas menos perfeitas.
Quando um deslize acontecer, em vez de se culpar, é preciso dar dois passos para trás e entender o porquê. Foi ansiedade? Falta de planejamento? Fome? Compreender o processo ajuda a evitar que aconteça de novo, sem gerar a culpa que leva ao “já que”. A busca por uma relação saudável com a comida envolve entender que o diabetes é apenas uma parte da vida, e não o que a define.
